Nova geração do Ford Edge mantém motor 3.5 V6, de 284 cv, e aposta em pacote completo de equipamentos para justificar o preço

Após um ano de espera, a segunda geração do Ford Edge chega ao Brasil. Em uma troca de estratégia, a marca decidiu trazer apenas a versão mais equipada, a Titanium , por R$ 229.900. Isso apenas considerando os equipamentos, pois o melhor motor, o 2.7 V6 EcoBoost, ficou de fora, mantendo o 3.5 V6 aspirado, de 284 cv, que já equipava o Edge anterior e que é oferecido lá fora como uma motorização intermediária opcional.

A nova geração do Ford Edge é fabricada apenas em Oakville (Canadá), usando a plataforma CD4 do sedã  Fusion. Querem que o SUV mire no segmento premium, conquistando quem queria um modelo premium da Land Rover , Audi , Volvo , entre outras marcas de luxo,  seja pelo novo design ou pelo pacote de equipamentos mais completo do que as versões de entrada de seus rivais mais caros.

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Lanternas traseiras do  Edge chamam atenção. Segue o mesmo estilo adotado no sedã Fusion
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Lanternas traseiras do Edge chamam atenção. Segue o mesmo estilo adotado no sedã Fusion

O novo design é bem mais agradável do que o interior. A grade hexagonal da Ford aparece no Edge integrada aos faróis, lembrando muito o que foi feito com a reestilização da picape Ranger . A ideia é que a grade pareça um escudo e dê a sensação de que é um carro robusto, mas sem exagerar com a impressão de que é um utilitário feito mais para a terra do que para o asfalto.

Ficamos pouco tempo com o carro, mas dava para perceber que, de frente, não chamava muito a atenção. O que atraia os olhares era a traseira, pelo formato das lanternas. As luzes traseiras formam uma linha que atravessa toda a tampa do porta-malas, iluminando quando acionamos os freios. Não é algo que se vê todos os dias nas ruas, dando uma característica bem diferente para o Ford Edge .

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A parte mecânica não mudou. Continua com o motor 3.5 V6 Duratec, de 284 cv e 34,5 kgfm de torque a 6.000 rpm. Como é um motor importado, bebe apenas gasolina. É oferecido apenas com tração integral e com transmissão automática de seis marchas. Nada de motores turbo EcoBoost para o Brasil – sua importação iria aumentar ainda mais o preço do carro, como aconteceu com o Fiesta com motor 1.0 EcoBoost.

Por R$ 229.900, tem obrigação de vir com tudo o que puder de tecnologia. E vem. São 8 airbags (frontais, laterais, de cortina e de joelho), o pacote AdvanceTrac (com controle de tração e de estabilidade e assistente de partida em rampa), direção elétrica com assistente dinâmico e os cintos de segurança com bolsas infláveis, item criado pela Ford e inédito no Brasil.

Por dentro,  o acabamento é caprichado, mas o sistema multimídia ainda é o Sync 2
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Por dentro, o acabamento é caprichado, mas o sistema multimídia ainda é o Sync 2

Tem muito mais. Vem equipado com uma câmera frontal e uma traseira, ambas com visão de 180° e que avisam caso algum veículo esteja vindo – muito útil para entrar em uma rua quando um carro estacionado está bloqueando sua visão. A direção elétrica conta com um motor interno que dobra  o quanto as rodas se movem em relação ao movimento do volante, reduzindo a quantidade de esterço em baixa velocidade.

Querem facilitar sua vida em tudo. Possui um sistema de estacionamento automático, capaz de fazer balizas em vagas paralelas e perpendiculares. Quando estiver saindo do shopping cheio de sacolas, basta passar o pé por baixo do para-choque traseiro que a tampa do porta-malas abre sozinha. O mesmo movimento pode fechar o compartimento. Tudo isso vem de série no Edge.

Apesar de ser bem completo, há uma notícia ruim. A central multimídia do Ford Edge é a Sync 2, usada no Fusion e Ranger . Não é uma péssima escolha, já que é um sistema bem funcional e completo, só que o Edge usa o Sync 3 nos EUA. A Ford diz que escolheram lançar com o Sync 2 por não terem terminado de localizar o sistema e não valeria a pena atrasar ainda mais o lançamento do SUV apenas por isso.

Mesmo contando com tudo isso de equipamentos, o Ford Edge ainda tem espaço para opcionais. O cliente pode optar por duas telas de DVD nos encosto de cabeça dos bancos dianteiros, por R$ 5 mil; ou equipar o utilitário com teto solar panorâmico, também oferecido por R$ 5 mil. Com ambos, o preço sobe para R$ 239.900. É um belo salto considerando que a geração anterior custava R$ 170 mil em seus últimos dias de loja.

Nas ruas

Ford Edge 2017
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Ford Edge 2017

A passagem do Ford Edge pela redação foi bem rápida – o carro tinha que voltar para a marca para ser preparado para o lançamento oficial. Porém, foi tempo o suficiente para fazer o trajeto que queria e enfrentar várias situações. O Edge é um SUV bem acertado, considerando todo o seu tamanho e, com tanta tecnologia, é fácil guia-lo em todas as situações e com bom espaço e conforto para toda a família.

É um SUV bem pesado, de 2.040 kg. Os 284 cv e 34,5 kgfm de torque a 4.000 rpm do motor 3.5 V6 Duratec podem parecer muito, mas é um pouco difícil manter o utilitário ágil o suficiente para ultrapassagens. Não é um atleta, já que tem menos torque do que as versões EcoBoost turbo oferecidas nos EUA – o 2.0 de entrada tem 3,4 kgfm a mais e aparece muito mais cedo, a 3.000 rpm.

Interior é bem confortável para cinco ocupantes
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Interior é bem confortável para cinco ocupantes

O que complica ainda mais a vida do motor é que o câmbio automático de seis marchas pensa demais antes de fazer as trocas, principalmente na hora de reduzir. No dia a dia, andando com calma, não vai incomodar. É um problema que vai aparecer quando estamos na estrada, dirigindo em um ritmo mais alto. Isso pode ser contornado com trocas manuais feitas com as borboletas atrás do volante.

Outro problema é que, para conseguir mover um carro desse tamanho, o motor V6 precisa beber bastante. A Ford não divulgou os dados de consumo no Brasil, mas ficamos na casa dos 7 km/l no ciclo urbano, mesmo valor estimado nos testes feitos nos EUA.  Na estrada, deve fazer 10,6 km/l. Não é ruim, mas também vai te levar ao posto de gasolina mais vezes do que o ideal.

Conforto não falta. Os bancos são macios e a suspensão é bem ajustada o suficiente para segurar as duas toneladas. Consegue manter-se estável até nas curvas, com a ajuda do controle de rolagem da carroceria. Também é agradável de olhar por dentro, usando a mesma cabine bem desenhada da Ranger reestilizada – contando até mesmo com o mesmo cluster com duas telas digitais, que também aparece no Fusion.

O Ford Edge é uma boa escolha de SUV grande, com uma ótima lista de equipamentos. O problema vai ser a marca conseguir te convencer a abrir mão de um SUV premium para escolher um carro de uma empresa mais acessível. A Ford acredita que isso seja possível, pelo Edge ser mais exclusivo (afinal, não tem nenhum na rua ainda) e completo (é o único com 8 airbags e cintos com bolsas infláveis). Veremos se estão certos.

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