Recursos liberados no CDC somaram R$ 6,6 bilhões, queda de 5,9% nos últimos doze meses, conforme a Associação Nacional das Financiadoras

Na hora da compra, a média de clientes que compram à vista aumentou durante a crise econômica no Brasil
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Na hora da compra, a média de clientes que compram à vista aumentou durante a crise econômica no Brasil

A restrição ao crédito e a falta de confiança do consumidor foram os principais fatores para o aumento do volume dos negócios à vista na compra de veículos, fazendo com que batessem um novo recorde: em setembro, 44% dos automóveis e comerciais leves foram pagos à vista, sem parcelamento. De acordo com os dados da ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras), até então, o maior percentual era de 42%, atingido no primeiro semestre deste ano.

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“Este setor é movido por três pilares: confiança, renda e crédito. Enquanto o consumidor não recuperar a sua confiança e renda, ele não vai recorrer a um financiamento por medo de não quitar a dívida e ficar inadimplente. Além disso, ele perde o veículo e o valor que até então foi investido”, afirma o presidente da entidade, Gilson Carvalho. “Por isso, ele opta por fazer uma compra à vista, de um veículo de menor valor, ou adiar a aquisição desse bem”, completa.

Apesar da alta no percentual de compras à vista, o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) ainda é a modalidade mais procurada pelo consumidor. Em setembro, os financiamentos responderam por 50% dos negócios, enquanto o consórcio foi responsável por 5% e o leasing, 1%.

Já no segmento dos veículos pesados, o Finame é o responsável pela maior parte das operações, com 62% dos contratos. Outras modalidades utilizadas foram CDC (14% das negociações), consórcio (5%) e leasing (2%). As compras à vista responderam por 17% dos negócios.

No mercado das duas rodas, as entregas pelo consórcio foram responsáveis por 36% das vendas. As compras à vista e no CDC empataram com 32% dos negócios.

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Taxas e juros

As taxas praticadas pelos bancos ligados às montadoras continuam mais atraentes para o consumidor na comparação com as instituições independentes. Em setembro, as entidades associadas à Anef cobraram juros de 23,43% ao ano e 1,77% ao mês, enquanto os independentes, 26,1% e 1,95%, respectivamente.

O prazo médio das concessões foi mantido em 42 meses. O prazo máximo oferecido pelos bancos é de 60 meses.

Inadimplência

Em setembro, a taxa de inadimplência na modalidade CDC para pessoas físicas manteve o mesmo índice do mês anterior e foi de 4,6%. Porém, em relação ao mesmo período de 2015, teve alta de 0,5 pontos percentuais. Já para as pessoas jurídicas, o índice de não pagadores foi de 5,1% - uma alta de 0,1 ponto percentual na comparação com o mês anterior e de 0,7 ponto percentual nos últimos doze meses.

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Nas operações de leasing, a taxa foi de 4%, tanto para as pessoas físicas como para as jurídicas. Para o primeiro grupo, essa taxa corresponde a uma redução de 0,1 ponto percentual na comparação com agosto e de 2,1 pontos percentuais em doze meses. Já para o outro, equivale à diminuição de 0,1 ponto percentual em relação a agosto e alta de 0,8 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2015.

Projeções

A ANEF estima que o saldo de financiamento deverá ficar em R$ 155,7 bilhões, queda de 15% em relação ao resultado alcançado no ano passado, que foi de R$ 183,2 bilhões. Já o volume de recursos liberados deverá cair 15,8%, passando de R$ 92 bilhões para R$ 77,5 bilhões.

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