Fique de olho nos carros seminovos automáticos que vão virar uma bomba na sua mão por manutenção, consumo alto ou baixo desempenho.

Com os altos preços, comprar um carro novo está fora de cogitação, ainda mais se ele usa câmbio automático – o aumento no preço para alguns modelos é proibitivo. O jeito é olhar para os seminovos automáticos, com valores mais em conta e bem equipados. No entanto, não vale sair atrás de qualquer oferta apenas para conseguir o conforto de não trocar mais as marchas no meio do trânsito.

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Separamos uma lista de cinco modelos seminovos automáticos que não merecem uma vaga em sua garagem, mesmo que a oferta seja muito boa para seu bolso. Em alguns casos, a qualidade do câmbio é ruim, incomodando pelo péssimo funcionamento. Outros tem um problema sério de durabilidade e manutenção, dando muita dor de cabeça para o consumidor na hora de conseguir um reparo. E tem aqueles que aumentam o consumo e fazem com que o carro beba mais do que um alemão na Oktoberfest.

Citroën C3 Picasso (entre R$ 33 mil e 42 mil)

Não basta ser um dos seminovos automáticos, o Citroën C3 Picasso é um carro para ficar longe até na versão manual.
Divulgação
Não basta ser um dos seminovos automáticos, o Citroën C3 Picasso é um carro para ficar longe até na versão manual.

O Citroën C3 Picasso já apareceu em uma lista de seminovos para ficar bem longe, por ser um modelo confuso. É hatch com aspecto de minivan com porta-malas minúsculo. Além disso, há muitos problemas de ergonomia, como o acesso à alavanca de câmbio para quem pegava a versão manual de cinco marchas. É um carro que dificilmente justificava sua compra.

Não melhor nem um pouco com o câmbio automático de quatro marchas. É a caixa antiga da PSA Peugeot-Citroën, conhecida por ser péssima no rendimento de combustível. É normal fazer cerca de 5 km/l com etanol no ciclo urbano, até menos em dias de trânsito pesado. Além disso, a transmissão hesita muito na hora de fazer as trocas e, quando resolve mudar a marcha, sofre com os trancos.

Fiat Palio Dualogic (entre 27,8 mil e 32,9 mil)

O Fiat Palio sofre nas mãos do câmbio automatizado Dualogic, como a maioria dos carros da marca italiana.
Divulgação/Fiat
O Fiat Palio sofre nas mãos do câmbio automatizado Dualogic, como a maioria dos carros da marca italiana.

Ainda é difícil entender porque a Fiat insiste em usar o câmbio automatizado Dualogic. Enquanto um automático normal usa um sistema com engrenagens planetárias e conversor de torque, isto é, uma turbina que transmite a rotação do motor para a transmissão com o uso de um fluído. Já o automatizado é como um câmbio manual normal, mas ao invés do motorista apertar a embreagem, existe um robô que faz esse trabalho.

E o que isso tem a ver com o Palio? Simples, ele usa o automatizado Dualogic. Quando o sistema vai trocar de marcha, ele desacopla a embreagem, troca de marcha e reacopla a embreagem, em um tempo muito longo, o que resulta em um tranco muito maior do que um automático ruim. Para piorar, é ruim de manutenção, pelos problemas na mecatrônica e custo dos atuadores hidráulicos. Melhoraram um pouco no Dualogic Plus do Uno, mas ainda é ruim.

Ford EcoSport PowerShift (entre 50 mil e 64,2 mil)

O câmbio PowerShift não tem um desempenho dos melhores e ainda dá muita dor de cabeça para os donos.
Divulgação
O câmbio PowerShift não tem um desempenho dos melhores e ainda dá muita dor de cabeça para os donos.

Nem todo câmbio automatizado é ruim. Os superesportivos e carros de alto desempenho da atualidade usam esse tipo de transmissão, mas com duas embreagens, uma que atua com as marchas pares e outra com as ímpares. Assim, a troca de marchas é mais rápida e sem interromper a transmissão da rotação do motor. Só que é um sistema complexo e bem caro para produzir e reparar.

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A Ford usa um câmbio automatizado de dupla embreagem em grande parte de sua linha, o PowerShift. Apesar da tecnologia, é uma transmissão que trepida muito e vibra em excesso, motivo de muita reclamação dos proprietários. Muitos relatam demora na troca de marcha e, em alguns casos, até falha. Alguns passaram por apertos, com o travamento completo do sistema. A Ford só reconheceu o problema na tecnologia após o Procon notificar a empresa.

Renault Sandero Stepway (entre 36,9 mil e 48,9 mil)

A versão anterior Renault Sandero Stepway usava um câmbio automático de quatro marchas que bebia muito combustível. Não melhorou muito no novo, com transmissão automatizada.
divulgação/Renault
A versão anterior Renault Sandero Stepway usava um câmbio automático de quatro marchas que bebia muito combustível. Não melhorou muito no novo, com transmissão automatizada.

Como dissemos no caso do EcoSport e do Palio, um câmbio automatizado não é dos melhores. E quando um automático consegue ser pior? O Reanult Sandero Stepway da geração passada utiliza a transmissão automática de quatro marchas da marca e era decepcionante. Lerdo para reagir em qualquer troca e bebia muito, com um consumo médio de 5,5 km/l com etanol. Atrapalha o desempenho do motor, principalmente quando precisamos de  mais potência e torque, como em uma ultrapassagem.

Quando finalmente decidiram largar o osso da velha caixa automática, trocaram pelo automatizado Easy’R de cinco marchas. Acredite, ainda é uma evolução em relação ao que víamos no Stepway anterior, mas ainda é um carro complicado de conviver. O sistema estica muito as três primeiras marchas, a ponto de ser normal andar por um bom trecho com o câmbio na primeira velocidade. Fuja das duas versões.

Volkswagen Up! I-Motion (entre 33,9 mil e 37,9 mil)

Volkswagen Up!
Divulgação/Volkswagen
Volkswagen Up!

A caixa automatizada da Volkswagen é um pouco mais esperta do que a concorrência em situações ideais, ou seja, com o tráfego fluindo como deveria. Quando aparece um congestionamento, o câmbio irrita mais do que o troca-troca de marchas de quem dirige um manual, pela programação ter sido feita pensando em aceleração linear e economia de combustível.

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Quando estamos no trânsito e temos aqueles momentos de acelerar um pouco e tirar o pé logo em seguida, o I-Motion fica sem saber o que fazer, se deve passar para a marcha seguinte ou manter a velocidade atual. Se não troca, o câmbio faz com que o carro dê aqueles solavancos de quem está tentando dirigir na primeira marcha. Se passar para a seguinte, perdemos potência. É o menos problemático dos seminovos automáticos da lista, mas ainda assim é para ficar bem longe.

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