Alto IPI e sistema de cotas derruba vendas dos carros importados. Associação das marcas pede que governo Temer ajude o setor

O Kia Sportage, com 4.505 unidades emplacadas em 2016, foi o melhor entre os carros importados  - cada marca tem um limite de 4.800 veículos/ano sem pagar 30 pontos de IPI
Divulgação/Kia
O Kia Sportage, com 4.505 unidades emplacadas em 2016, foi o melhor entre os carros importados - cada marca tem um limite de 4.800 veículos/ano sem pagar 30 pontos de IPI

Como esperando, o setor automotivo recuou novamente em 2016, fechando o ano com 1.986.389 unidades, uma queda de 19,8% comparada com o ano anterior. Foi ainda pior para as marcas de carros importados. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Improtadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), as fabricantes associadas venderam 35.852 unidades em 2016, 40,2% a menos do que as 59.975 unidades comercializadas em 2015.

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A marca de carros importados melhor desempenho foi a coreana Kia Motors, representada no Brasil pelo Grupo Gandini. Emplacaram 10.776 veículos em 2016, sendo que 4.505 unidades foram do utilitário Sportage, que teve sua nova geração lançada no País em junho passado. Em seguida vem o Land Rover Discovery Sport, produzido em Itatiaia (RJ) desde junho, com 3.033 unidades emplacadas no ano.

Entre as marcas chinesas no Brasil, quem saiu por cima foi a Lifan, que fecha 2016 com 3.412 veículos vendidos, tudo graças ao bom desempenho do utilitário esportivo X60, responsável por 2.037 unidades deste total. A JAC Motors batalha para alcançar a rival, contabilizando 2.727 unidades. Recomeçou a ganhar ritmo graças ao SUV T5, best-seller da empresa, com 892 unidades vendidas e que agora conta com versão com câmbio automático CVT.

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As outras duas chinesas tiveram um desempenho mínimo. A Chery, a única das três com produção nacional, emplacou 758 carros no ano inteiro. Seus melhores produtos foram o subcompacto QQ, que só começou a ser montado em Jacareí (SP) em abril, e o SUV compacto Tiggo. Com estoque de sobra, a fábrica ficou parada por cinco meses a partir de junho, para que recebesse o maquinário necessário para a produção da nova geração do Tiggo. A outra marca oriental é a Geely, que encerrou oficialmente suas operações em abril e emplacou 374 ao longo do ano, desovando as unidades em estoque.

Barreira governamental

José Luiz Gandini, presidente da Abeifa e do Grupo Gandini (que representa a Kia no Brasil), é enfático em culpar o governo pelo péssimo desempenho dos carros importados. “Estamos contingenciados pela alíquota extraordinária de 30 pontos percentuais no IPI e limitadas à cota com teto máximo de 4.800 unidades/ano sem sobretaxa”, diz o executivo, que é um dos mais prejudicados – a Kia conseguiu estourar essa cota apenas com as vendas do Sportage.

Sem nenhuma sinalização por parte do governo Temer para uma revisão no sistema de cotas, Gandini continua a pedir pelo fim dos 30 pontos percentuais no IPI ou, em caráter emergencial, que revisem a forma como as cotas são distribuídas. A ideia é que a cota de marcas que perderam o credenciamento no programa Inovar-Auto ou que tenham encerrado suas atividades no Brasil seja passada para outras fabricantes.

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“Com esta simples alteração, não corremos o risco de gerar mais desemprego no setor com o fechamento de mais concessionárias e com certeza aumentaremos nossos recolhimentos de tributos aos cofres públicos”, explica Gandini. “Mas, sobretudo, estaremos em consonância com a agenda positiva que o governo Temer deseja estabelecer para o país.” Sem essa mudança, a Abeifa projeta que os carros importados devem fechar 2017 com cerca de 25 mil unidades emplacadas.

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