Versão esportiva foi sucesso entre os os carros nacionais dos anos 80 e 90. Confira galeria e o relato sobre como foi dirigir um raro exemplar de 1985

Raro exemplar de 1985 do Ford Escort XR3, em perfeito estado, um dos poucos que sobraram totalmente original
Renato Bellote/iG
Raro exemplar de 1985 do Ford Escort XR3, em perfeito estado, um dos poucos que sobraram totalmente original

A Ford celebra os 35 anos do Escort XR3, modelo que foi lançado primeiro na Europa e chegou ao Brasil em dezembro de 1983, com a mesma aparência da versão europeia, mas sem injeção eletrônica. Por aqui, o carro vinha com motor 1.6 CHT Fórmula, movido a etanol, com carburador de corpo duplo, que rendia 82,9 cv, de acordo com a fabricante. Acompanhe a seguir o texto do colunista de iG Carros, Renato Bellote, sobre a primeira geração da versão esportiva do hatch.

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No ano de 1985, ano em que o Escort XR3 completou dois anos no Brasil, o País  passou por uma revolução. Mas uma revolução musical, marcada pelo primeiro Rock in Rio. As bandas brasileiras reinventaram o rock e outros gêneros, enquanto as rádios libertavam esse grito genuíno de identidade nacional. “Whisky a Go Go”, do Roupa Nova, alcançava o topo das paradas, o RPM vinha com seu “Olhar 43”, a Legião Urbana emplacava a questionadora “Geração Coca-Cola” e o “Amante Profissional”, da banda Herva Doce, se tornou o hit do verão.

Enquanto isso os Paralamas do Sucesso estouravam com “Me liga”, o Ultraje a Rigor esbanjava humor com “Nós vamos invadir sua praia” e os Titãs apostavam na “Televisão”. Para encerrar o Kid Abelha procurava desvendar “A Fórmula do amor” e o Biquíni Cavadão cantava o “Tédio”. Só pra citar alguns deles.


Em meio a tanta coisa diferente, a juventude tinha – praticamente – o mesmo sonho: o Escort XR3. Lançado em 1984 com o título de “Máquina Total” rapidamente ganhou os corações e mentes. Ayrton Senna foi o garoto-propaganda e o hatch da Ford chegou às lojas custando uma pequena fortuna.

Há algum tempo estive procurando por um exemplar como esse: vermelho Sunburst. E sua história é bem interessante. “Ele foi adquirido em 2006, em Curitiba. Era de uma viúva, sendo que quem usava o carro era o marido falecido. O carro ficou 7 anos parado”, conta o dono. A restauração levou exatos dez meses e todo o trabalho de desmontagem foi efetuado pelo proprietário, sendo que a pintura e a tapeçaria foram feitas em Curitiba.

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Por dentro, o XR3 se diferencia por detalhes como o volante menor e os bancos esportivos
Divulgação
Por dentro, o XR3 se diferencia por detalhes como o volante menor e os bancos esportivos

Para falar do carro, passo a palavra ao dono novamente. “É todo original, com 82 mil quilômetros, possui manual, rádio toca-fitas Philco, rodas de liga leve 14", teto solar, lavador de faróis, porta-fitas, vidros e travas elétricas e check-control funcional (nível de óleo, nível de água do radiador, nível de combustível, desgaste das pastilhas e nível de água do párabrisa/lavador dos faróis)”, conta.

Conheça os detalhes técnicos da versão esportiva. “O XR3 possui de fábrica suspensão diferenciada, molas e amortecedores pressurizados com mais carga e barra estabilizadora mais grossa. O motor CHT Formula conta com cabeçote com válvulas 40mm, comando com maior graduação, carburador Weber com venturis maiores, radiador de óleo e coletor especial, gerando 82,7cv (10cv a mais do que versão comum). O diferencial tem relações mais curtas para aproveitar a elevação da faixa de torque”, enfatiza.

Depois de tudo isso, fecho o texto com uma história curiosa. “Uma vez fomos interceptados por um senhor, que dirigia uma Mercedes '59, perguntando sobre o carro. Ao pararmos, ele contou que este modelo foi o primeiro carro dele, das namoradas, das aventuras pela BR 101 (risos) No final houve uma excelente proposta, educadamente recusada. Este carro tem um magnetismo especial, as pessoas sempre têm uma historia para contar de um XR3”, conclui com bom humor.

Curiosidades do XR3

-       O nome XR3 vem de “Experimental Research 3”

-       O carro tinha um dos menores coeficientes de arrasto aerodinâmico da época, com Cx 0,385

-       A versão conversível chegou em 1985

-       A primeira reestilização veio de 1987, com novidades como o quadro de instrumentos com iluminação indireta e para-choques envolventes

-       O motor 1.6 CHT, com comando de válvulas lateral, foi substituído pelo AP 1800, da Volkswagen, de 99 cv quando movido a gasolina.

-       Em 1991a Ford lançou a versão XR3 Fórmula, com amortecedores controlados eletronicamente.

-  A segunda geração do XR3 passou a vir com motor 2.0, com injeção eletrônica e uma nova base feito em conjunto com a Volkswagen, nos tempos de Autolatina.

-       O Escort XR3 saiu de linha em 1996, quando passou a se chamar “Racer”.    

-       Em 1997, a família teve o esportivo Escort RS, hatch 3 portas com motor Zetec 1.8. O Escort despediu-se do mercado em 2003

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