Tamanho do texto

Equipe com 35 bombeiros levou duas horas para apagar o incêndio de um Tesla Model S na Áustria. Confira este e outros casos

Um inferno. Não há outra palavra para descrever o cenário apocalíptico deste Tesla Model S pegando fogo após atingir a estrutura de concreto em uma rodovia na Áustria. O vídeo viralizou na internet, e chamou muita atenção nas redes sociais. Você conseguiria imaginar que seriam necessários trinta e cinco homens do corpo de bombeiros, utilizando aparatos completos com máscaras de oxigênio, para controlar um carro em chamas? De fato, a situação é inimaginável quando falamos de carros a combustão. Mas o Model S é o veículo da moda. Um entre os vários carros elétricos do mercado mundial.

LEIA MAIS: O que 2017 nos ensinou sobre carros elétricos e híbridos?

Pois bem, o condutor de apenas 19 anos sobreviveu, mas não foi nada simples apagar o incêndio que liberava fumaça tóxica repleta de ácido sulfúrico e lítio no ecossistema. O corpo de bombeiros precisou entrar em contato com a Tesla, pois o Model S simplesmente não parava de queimar. Quando as chamas começam a diminuir, o fogo nas entranhas da bateria de lítio-ionizado voltava a acender. Apagar o fogo em carros elétricos pode levar várias horas.

Tesla Model S pega fogo na Áustria. Ninguém se feriu, mas foi revelado o outro lado sobre a segurança de carros elétricos
Reprodução/Holmii Zockt
Tesla Model S pega fogo na Áustria. Ninguém se feriu, mas foi revelado o outro lado sobre a segurança de carros elétricos

Antes de tudo, é preciso saber a posição correta para cortar dois cabos conectores da bateria. Há, inclusive, risco do bombeiro ser eletrocutado caso a energia não tenha sido cortada antes. Duas horas depois, o incêndio estava controlado. A Tesla ainda recomenda que o carro fique em quarentena por 48 horas, uma vez que ele pode entrar em chamas outra vez. De acordo com o corpo de bombeiros, foram utilizados mais de 8 mil litros de água para conter o fogo. O mundo está mudando, e carros elétricos serão cada vez mais frequentes. Será que estamos preparados para isso? Carros elétricos são mais seguros? Como ficam os carros de hidrogênio nessa história.

LEIA MAIS: No novo universo automotivo, quem ditará as regras serão os fornecedores

Ainda este ano, teremos a Rota 2030, que traz entre seus vários tópicos o incentivo para veículos híbridos e elétricos no Brasil. Em alguns meses, o Volkswagen Golf GTE híbrido, e a variante elétrica e-Gof, serão lançados por aqui. Enquanto escrevo este texto, há um Chevrolet Bolt elétrico na garagem do iG Carros, com o mesmo tipo de bateria do Tesla Model S em chamas. Em breve, eles serão uma realidade, e precisamos aprender a lidar com isso.

Carros elétricos são seguros?

Tesla Model S: primeiro  mais conhecido modelo elétrico da marca fundada por Elon Musk. Há algumas unidades no Brasil
Divulgação
Tesla Model S: primeiro mais conhecido modelo elétrico da marca fundada por Elon Musk. Há algumas unidades no Brasil

Em defesa, um executivo da Tesla divulgou que carros elétricos são cinco vezes menos propensos a pegar fogo que veículos convencionais. Logo, devem ser tratados como casos isolados. Outro acidente envolvendo um Tesla Model S em uma rodovia australiana, que aconteceu no começo do ano passado, levou a NFPA (Associação de Proteção Nacional dos Estados Unidos) a realizar uma série de testes, conforme o site Fire Rescue 1.

“Em todos os testes que realizamos, os bombeiros precisaram utilizar grandes quantidades de água para conter o fogo. Em um dos processos, a bateria voltou a entrar em chamas 22 horas depois do fogo ter sido contido. Eles ainda utilizaram o Manual de Emergência da Tesla como referência, e declararam que, apesar de ser bem prático e didático sobre como lidar com um carro elétrico em chamas, faltam algumas informações importantes.

Elon Musk diz que não há necessidade de reforçar a estrutura de alumínio que protege a bateria dos Tesla
Divulgação
Elon Musk diz que não há necessidade de reforçar a estrutura de alumínio que protege a bateria dos Tesla

A equipe do NFPA, liderada pelo bombeiro e pesquisador Andrew Blum, ainda submeteu a bateria utilizada pela Tesla a um teste térmico. Todas as temperaturas internas estavam normais. Mas algo indetectável acontecia em seu módulo, fazendo com que o sistema voltasse a queimar. Em fevereiro do ano passado, um Tesla Model S explodiu em Indianápolis (EUA) e tirou a vida de uma mulher de 27 anos e seu chefe. Um motorista alcoolizado vindo no sentido oposto forçou uma manobra defensiva que terminou com uma colisão. Testemunhas também disseram que o Model S estava acima do limite de velocidade. O analista Dave Sullivan, que também é proprietário de um carro elétrico, contou ao NBC News que, assim como veículos a gasolina, carros elétricos também podem explodir em acidentes graves.

De fato, o Tesla Model S tem ótimo desempenho em crash tests. O CEO da marca, o bilionário Elon Musk, diz que é possível melhorar a estrutura de alumínio que protege a bateria. Entretanto, isso poderia adicionar mais peso ao veículo e comprometer dirigibilidade e até a autonomia. O executivo não pensa que isso será necessário, uma vez que as medidas de segurança atuais estão de acordo com a necessidade e incêndios são pouco frequentes.

LEIA MAIS: Carros elétricos superam desconfianças e começam a se popularizar

Em uma publicação em seu blog pessoal, Musk disse: “Aos nossos clientes que estão preocupados sobre o risco de fogo, não restam dúvidas que nossos carros são mais seguros com baterias que um tanque cheio de líquido inflamável”. No caso do acidente que tirou a vida da jovem e seu chefe, o comandante do corpo de bombeiros de Indianápolis, Kevin Jones, disse que em uma coletiva de imprensa que o simples fato da colisão ter acontecido com um veículo elétrico não é determinante para garantir a sobrevivência das vítimas. “Não importa se um veículo é híbrido, elétrico ou a combustão. Em impactos de alta velocidade, o risco de fogo é o mesmo”, afirma Jones.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.