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Microlino moderniza o projeto do Isetta, mas segue com sua personalidade marcante. Custará cerca de R$ 55.000 na Europa, numa conversão simples

Com a chegada do futuro, a Isetta está para renascer na Europa, mas dessa vez com um motor elétrico. Agora batizado de Microlino - com a terminologia italiana “lino”, que remete ao Fiat Topolino e ao Fusca (Magiolino) - mais de 4.600 unidades já foram encomendas. Pelo cronograma, 100 unidades serão produzidas este ano e mais de 2.000 deles nascerão ao final dos próximos anos, com as entregas efetuadas a partir do início de 2019. Os construtores afirmam que será acessível, com preços em torno de R$ 55.000, em uma conversão direta.

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O “ Isetta ” elétrico tem um motor elétrico de 20cv que vai no eixo traseiro e permite acelerar de 0 a 50 km/h em 5 segundos, com a velocidade máxima de 90 km/h. A autonomia vai de 120 km a 215 km, dependendo do pacote de baterias de ion-lítio escolhido. O tempo de recarga também varia: de uma hora, com o módulo de carga rápida, a quatro horas, numa tomada comum de 220v.

Sua carroceria é feita de alumínio, com 2,44m de comprimento, ou apenas 10% mais longa que o do Isetta original. As linhas remetem à versão feita pela BMW entre 1957 e 1962, com um grande vidro lateral. Há uma única porta, que também serve como parte dianteira do carro. Ao ser aberta, a barra de direção e o volante vêm junto.

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Além disso, todos os Microlino terão teto solar de lona, que também serve como saída de emergência. Por se enquadrar na categoria europeia L7e (“quadriciclo pesado”, como o Renault Twizy), o Microlino não precisa ser submetido a crash test para homologação. Um avanço e tanto em relação à Isetta é que o Microlino tem porta-malas com capacidade para 300 litros, enorme para o tamanho do carrinho.

História do “Isetta” dos dias de hoje

O início do “Isetta” elétrico tem a ver com o Smart . Tudo o que o banqueiro suíço Wim Ouboter queria, nos anos 90, era que os carros da Smart saíssem de fábrica com um patinete dobrável no porta-malas. Com isso, Ouboter levou a ideia ao fundador da fábrica de relógios Swatch e idealizador do Smart, Nicolas Hayek. Entretanto, isso durou apenas até que até que a Daimler-Benz assumiu de vez o controle da Smart, em 1997, e vetou.

Mesmo sem um porta-malas para abrigar seus planos, Ouboter fundou, em 1999, uma empresa especializada em patinetes: a Micro Mobility, com sede na Suíça e fábricas na China. Seus modelos dobráveis, de alumínio, tocados a pé ou por motores elétricos, vêm fazendo grande sucesso desde então.

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Apesar da satisfação com os novos negócios, viu na televisão um documentário sobre a Isetta, um microcarro urbano criado em 1953 pela italiana Iso Autoveicoli S.p.A e que foi fabricado sob licença em diferentes países, como Alemanha (com o nome BMW Isetta) e Brasil (Romi-Isetta). Logo, eis que uma ideia lhe veio à mente: refazer o antigo modelo, mas usando um motor elétrico no lugar da mecânica a gasolina. Nascia o Microlino.

A leveza, o tamanho compacto e a simplicidade da Isetta original são características que combinam com a proposta de carro elétrico para uso na cidade. O empresário então eletrificou uma velha BMW Isetta para sentir se valia a pena levar a ideia adiante. O resultado? Um sucesso nas ruas de Zurique (Suíça). O passo seguinte, em 2015, foi trabalhar com professores e estudantes de duas universidades locais para atualizar as linhas do microcarro e criar um novo chassi.

O primeiro protótipo do novo “ Isetta ” foi feito na China, aproveitando-se contatos da Micro Mobility. Quando o protótipo, enfim, ficou pronto, caiu da empilhadeira, de uma altura de quase 2 metros, ao desembarcar no aeroporto para ser exibido no Salão de Genebra de 2016.
A salvação veio da Itália, quando foi fechado um acordo com a Tazzari, fábrica de carros elétricos em Ímola, que tocará a produção do Microlino em troca de 50% da sociedade. A versão final foi apresentada em Zurique, no último dia 25.

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