Duster 4x4 abusa no preço, mas é valente

Jipinho da Renault na versão topo de linha tem bom desempenho, mas acabamento deixa a desejar

Thiago Vinholes | 23/8/2012 12:04

Renault Duster 2013 Dynamique 4x4 2.0 16V flex 4p manual 4x4

Dados técnicos
Preço
R$ 61.470
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
178 km/h
0 a 100 km/h
11,1 s
Consumo urbano
10,2 km/l
Potência
138 cv
Torque
19,7 kgfm
Porta-malas
400 litros
Veja ficha técnica completa

Automóveis em versões topo de linha algumas vezes servem mais para as montadoras divulgarem as opções mais baratas do mesmo produto do que propriamente ajudar no volume de vendas. É o caso do Renault Duster Dynamique 2.0 16V 4x4, que responde por menos de 2% dos emplacamentos do atual dono da coroa na categoria dos SUVs no Brasil. Ainda assim, mesmo com a pequena participação e o preço mais alto, o Duster top é um carro interessante do ponto de vista de equipamentos, desempenho e até no preço.

O Duster com acabamento Dynamique (disponível desde o modelo com motor 1.6, por R$ 54.030) já traz uma boa lista de equipamentos de série. Ela inclui ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, sensor de estacionamento traseiro, airbags frontais, freios ABS, rádio com entradas para USB, iPod e bluetooth com streaming de dados para celular, entre outros itens. Mas o grande diferencial da versão testada pelo iG Carros é o sistema de tração 4x4.

Com as quatro rodas tracionadas, o jipinho da Renault deixa de ser apenas um “aventureiro urbano” e se torna capaz de enfrentar aventuras reais, desde que não sejam extremas. Ao girar a chave seletora de tração no console o modelo assume seu lado 4x4 e ganha maior desenvoltura para superar obstáculos off-road, como aclives em estradas de terra, trechos de brita ou até atravessar pequenos trajetos alagados. Todavia, é preciso ir com calma, pois a transmissão do Duster 4WD não possui caixa de redução, item que faz jipões subirem paredes.

Motor justo, câmbio nem tanto

A eficiência da tração 4x4 depende de um bom motor e de um câmbio bem ajustado, justamente autopartes em que a Renault se destaca. O Duster topo de linha vai bem nos dois quesitos. A impulsão vem do bom motor 2.0 16V flex – o mesmo do “finado” Mégane - de até 142 cv a 5.500 rpm e torque máximo de 20,9 kgfm em 3.750 rpm, que proporciona boa aceleração com baixo nível de ruído. Ou seja, não é preciso pisar fundo para conseguir extrair algo do carro, tornando a dirigibilidade mais agradável e o consumo mais baixo.

O câmbio manual de seis marchas, porém, apesar de possuir bom escalonamento de velocidade, perde pontos ao não possuir bom manuseio. A alavanca é mole e os encaixes pouco precisos, especialmente nas passagens da segunda marcha para a terceira e da terceira para a quarta, que em alguns momentos podem não entrar de imediato. Exige um certo costume.

O comportamento dinâmico do Duster 4x4 também agrada, mas só alcança sua plenitude quando o veículo anda em linha reta, onde acelera com vigor. Por ter suspensão e carroceria elevadas, o centro de gravidade do veículo é alto, prejudicando sua estabilidade e transmitindo uma sensação de segurança menor, principalmente em trechos sinuosos. O carro também não possui nenhum recurso eletrônico de segurança, como controle de estabilidade e tração, por isso a Renault alerta, com um adesivo no para-sol, sobre o risco de capotamento em curvas contornadas em alta velocidade. Na dúvida é melhor ir devagar, no caso desse carro.

Falhas bobas

Um carro que custe mais de R$ 60.000 – o modelo avaliado pelo iG custa R$ 63.970 – não pode ter acabamento de um veículo popular de R$ 25.000. O Duster topo de linha tem. Algumas falhas do Duster são até inocentes, como por exemplo a escolha do plástico para o painel, que tem um cheiro fortíssimo de produto químico, até os botões de comando dos vidros elétricos na traseira, que são acionados “sem querer” quando o passageiro apoia o braço no descanso das portas. Parece que o carro não foi testado antes do lançamento.

Outro problema do Duster é o fato de ele abusar da rusticidade na cabine, com desenho de painel espartano e materiais que desagradam tanto no aspecto visual como na textura (sem falar do cheiro). Por outro lado, o carro é espaçoso para até cinco pessoas e o porta-malas comporta bons 400 litros. O jipinho da Renault também prova que não é preciso ter o estepe instalado na parte externa traseira do veículo para sugerir alguma competência off-road.

O Duster equipado com tração 4x4 é um produto para um público muito específico, que realmente precisa de um veículo com um sistema de tração 4x4 no mínimo razoável para ir ao sítio ou então a casa na praia de difícil acesso para carros comuns. Se não houver nenhuma dessas demandas, o ideal é levar o modelo com tração apenas na frente e seguir adiante, pelo asfalto.

  • Veredicto

    7,1

    O Duster 4x4 é um veículo muito específico, por isso não tem tanta procura. Ainda assim, apesar do acabamento simplório, é uma boa opção de veículo off-road leve.

  • Prazer ao dirigir

    7

    O motor 2.0 é um dos grandes atributos do Duster top de linha. Com boa aceleração, o carro proporciona certa emoção ao volante. O câmbio, porém, poderia ser melhor.

  • Ergonomia

    6

    A cabine do Duster tem o básico, que são porta-copos e pequenos espaços no console para objetos menores soltos. O comando satélite no volante também é algo já fora de moda.

  • Conforto para o motorista

    6

    A boa posição de dirigir e os equipamentos de série contribuem para uma viagem sempre confortável. Só é preciso tomar cuidado nas curvas em velocidade, pois segurança não é o forte deste carro.

  • Conforto para os passageiros

    7

    Há espaço na cabine para até cinco pessoas, que ainda desfrutam de um bom ar-condicionado e um sistema de som de qualidade.

  • Praticidade

    8

    O porta-malas de 400 litros é uma boa vantagem do Duster na cidade e para longas viagens em família. O rendimento do motor 2.0 também atende muito bem as duas funções.

  • Versatilidade

    8

    A tração 4x4 abre um novo mundo de possibilidades para o proprietário de um Duster, que pode encarar terrenos mais complicados sem exitar.

  • Diversão

    8

    Mais uma vez a tração 4x4 é o diferencial do Duster para divertir seu dono. O rendimento do motor 2.0 também pode alegra o motorista com boas arrancadas.

  • Visual

    7

    Com a chegada do novo EcoSport o Duster ganhou suas primeiras rugas. Ainda assim, o jipinho da Renault segue como uma das opções com design mais caprichado da categoria.

  • Tecnologia

    7

    O único destaque tecnologico do Duster é seu sistema de tração 4x4 com acionamento elétrico. No mais, ele é mais um carro comum.

  • Status

    7

    O Duster 4x4 não é para qualquer um. Mais do que dinheiro, o dono desse carro também precisa de um motivo para tê-lo. De que adianta o 4x4 na cidade?

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