Fluence: receita japonesa

Existe pouco de francês no novo sedã da Renault e isso é bom

Ricardo Meier | 10/3/2011 10:52:00

Renault Fluence 2011 Privilége 2.0 16V flex 4p CVT

Dados técnicos
Preço
R$ 75.990
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
195 km/h
0 a 100 km/h
10,1 s
Consumo urbano
0 km/l
Potência
140 cv
Torque
19,9 kgfm
Porta-malas
530 litros
Veja ficha técnica completa

Falar em carro global hoje em dia virou discurso de quase todas as marcas, mas, de fato, quem faz isso há anos são as montadoras japonesas, sobretudo Toyota e Honda. Com raras exceções, o Corolla que se vê no Brasil é o mesmo dos Estados Unidos assim como o Civic da Tailândia é praticamente idêntico ao russo.

Não por coincidência, ambos estão entre os automóveis mais vendidos no mundo. Essa receita um tanto óbvia passou despercebida pelas concorrentes que só agora resolveram enxergar o mundo dessa maneira – para a sorte delas porque produzir um mesmo produto globalmente significa reduzir custos e otimizar a produção e mesmo o pós-venda.

Uma das marcas que acabam de adotar essa filosofia é a Renault. Em seu novo sedã médio, o Fluence, justamente um rival do Civic e Corolla, a filosofia japonesa foi levada ao extremo. Durante nosso contato com ele poucas coisas lembravam a marca francesa, com raras exceções como o painel, o mesmo do Mégane III, carro do qual deriva. Mas há muitas diferenças em relação ao Mégane: motor e câmbio, por exemplo, vem do Sentra, da parceira (japonesa) Nissan e o design, da coreana Samsung, outro braço do grupo.

Timidez

Por falar em estilo, o Fluence, que acaba de começar a ser vendido no Brasil, contradiz o que se espera da Renault, uma marca conhecida pelo exotismo de suas linhas. O sedã, ao contrário, tem traços discretos - até tímidos - mas elegantes. A linha de cintura alta, por exemplo, acaba fazendo com que o carro pareça menor do que é. Sensação bastante enganosa afinal o Fluence é grande, bastante grande.

A largura da cabine, por exemplo, é cerca de 6 cm maior que a do Civic e o porta-malas, um dos maiores da categoria, com 530 litros. Mas o que chama a atenção no interior é mesmo o padrão de acabamento, muito parecido com o dos carros japoneses. Tons de cinza combinados com preto e superfícies emborrachadas tornam o ambiente bastante confortável e bem superior ao do Mégane II, sedã que ele substituiu. Apesar disso, alguns deslizes na montagem foram notados na unidade avaliada pelo iG Carros como rebarbas de tecido aparentes.

O quesito "equipamento" é ponto alto do Fluence. Sabendo que terá uma missão complicada, com tantos concorrentes chegando, a Renault foi generosa no pacote de itens de série, mesmo das versões mais simples. Exemplo: o ar-condicionado digital de duas zonas está presente em todos os modelos assim como os seis airbags e os freios com ABS e EBD. Em relação aos diferenciais do Mégane, o Fluence manteve um deles, a chave-cartão, mas que agora tem mais atributos como permitir a abertura e partida do carro apenas pela presença.

Corolla francês

Se a Renault foi “influenciada” na hora de definir o estilo de direção do Fluence fica claro que o Corolla foi a referência. O comportamento do sedã lembra muito o do Toyota. A direção elétrica, por exemplo, ficou mais bem acertada que a do Mégane – leve nas manobras e firme em velocidades altas. A suspensão, do tipo eixo de torção na traseira, absorve muito bem as oscilações do solo sem ser muito macia em curvas. O pulo do gato, no entanto, é a dupla da Nissan: o motor 2.0 de 143 cv e o câmbio CVT com seis marchas são responsáveis por retomadas e acelerações vigorosas, que deixam o Civic parecendo um carro 1.0.

Ágil nas trocas, a transmissão CVT (que tem marchas infinitas, mas que oferece seis posições virtuais) está bem escalonada e aproveita os 20,3 kgfm de torque do motor, obtidos numa faixa de giro até baixa para uma unidade com 16 válvulas. Claro que o Fluence não é um carro com apetite esportivo, muito longe disso, mas sem dúvida é um sedã que transmite confiança quando é requisitado.

Botões perdidos

Se a posição de dirigir é encontrada com naturalidade – o carro traz ajuste de altura e profundidade de volante e banco -, alguns botões estão mal posicionados. O piloto automático talvez seja o mais confuso. A Renault optou por usar o volante para operá-lo, mas o acionamento fica no console central, ao lado do freio de estacionamento. Outro dispositivo decepcionante é o GPS. Opcional, o aparelho da Tom Tom não está integrado ao carro. É fixado no topo do painel, mas não rebate e só funciona por meio de um pouco prático controle remoto, ao contrário da rival Peugeot, cuja operação se dá pelo rádio. Em compensação, o ar-condicionado, o computador de bordo e o rádio são de fácil manuseio.

Tarefa difícil

Diferentemente da Peugeot, que preferiu apenas aperfeiçoar o 307 Sedan no novo 408, a Renault foi fundo e criou um sedã extremamente racional, perfil buscado pelos clientes desse tipo de carro. Também foi sensata ao equipar seu veículo com muitos itens para superar os econômicos japoneses. E, para completar a receita, definiu preços mais em conta que Corolla e Civic: a versão Dynamique manual custa R$ 59.990, a automática, R$ 64.990, e a topo de linha Privilège (a que o iG Carros avaliou), R$ 75.990.

Além disso, o Fluence oferece três anos de garantia e a marca francesa fez questão de tabelar os preços de revisão e peças para tornar seu pós-venda mais atraente, certamente o ponto forte da Toyota e da Honda e onde as outras marcas demoraram demais para agir.

No papel, portanto, tudo parece correto no Fluence, mas nem isso pode garantir a ele um futuro mais promissor que o do Mégane – que em 2006 até figurou como 4º sedã mais vendido do Brasil. O azar do Fluence é ter chegado num momento agitado desse segmento – além do 408, da Peugeot, o mercado deve receber pelo menos mais cinco novidades até o final do ano: novo Civic, Chevrolet Cruze, Hyundai Elantra e, nas próximas semanas, o Corolla renovado e o novo Jetta. Ou seja, “falar japonês” talvez não seja o bastante daqui em diante.

  • Veredicto

    6,8

    Surpreendente é o mínimo a se dizer a respeito do Fluence. O sedã da Renault pode não ter apelo como outros rivais, mas é uma receita bem pensada. Se levasse o logo da Toyota muita gente acreditaria que ele é japonês.

  • Prazer ao dirigir

    7

    Tendo em mente que o cliente do Fluence busca conforto, o novo sedã corresponde na medida: é potente, silencioso, equipado e muito confortável.

  • Ergonomia

    7

    Posição de dirigir e visibilidade são dignas de carros japoneses, com os quais o Fluence quer brigar. O console central minimalista é fácil de operar, mas alguns botões do carro, como o que aciona o piloto automático, estão escondidos.

  • Conforto para o motorista

    8

    Difícil lembrar de um item que o Fluence Privilège não traga: há rebatimento dos retrovisores, ajustes de bancos e volante completos, vários sensores e até partida automática por presença.

  • Conforto para os passageiros

    8

    Ar-condicionado de duas zonas de série e difusores no banco traseiro. Quer mais? O conforto a bordo é acima da média graças aos materiais de bom gosto e o interior arejado. Parece mesmo japonês.

  • Praticidade

    7

    O Fluence é grande, são 4,50 m de comprimento, mas o sensor de estacionamento ajuda nas manobras mais apertadas. De resto, o sedã facilita nossas tarefas do dia a dia.

  • Versatilidade

    5

    Entre os vários tipos de carroceria de automóveis, o sedã é o menos versátil, claro. Afinal de contas, quem busca isso pensa num crossover ou, no mínimo, uma perua. O Fluence, nesse caso, faz o indispensável.

  • Diversão

    7

    O sedã da Renault garante prazer na estrada ou mesmo na cidade. O sistema de som é de bom nível e o GPS da Tom Tom, eficiente. Mas merecia uma tela touch screen.

  • Visual

    6

    Convenhamos, o Fluence tem linhas elegantes, mas não causa comoção por onde passa. Nesse aspecto, a Renault poderia ter sido um pouco ousada.

  • Tecnologia

    7

    O motor é potente e o câmbio CVT, eficiente. O carro traz muitos itens de série, mas poderia ter suspensão indepedente na traseira. A direção elétrica, por sua vez, tem um dos melhores acertos do segmento.

  • Status

    6

    O Fluence precisará de tempo para reverter isso. Antes de mais nada, provar que é um carro bom por um longo tempo. Aí as pessoas poderão vê-lo com outros olhos.

Leia tudo sobre: RenaultFluenceavaliaçãoPrivilège2011sedã médio

PESQUISE CARROS

RANKING

Veículos mais vendidos - julho de 2014

Pos. Modelo Vendas
Fiat Palio 15.989
Volkswagen Gol 14.347
Chevrolet Onix 14.015
Fiat Strada 12.585
Hyundai HB20 10.857
Ford Fiesta 10.591
Fiat Uno 9.613
Fiat Siena 8.949
Chevrolet Prisma 8.498
10º Volkswagen Saveiro 7.296
Veja ranking completo