Renault Duster joga poeira no EcoSport

Crossover popular da Renault supera o rival pioneiro da Ford, mas até quando?

Thiago Vinholes | 8/12/2011 15:20

Renault Duster 2011 Dynamique-Automático 2.0 16V flex 4p automático seq. 4x2

Dados técnicos
Preço
no disponvel
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
170 km/h
0 a 100 km/h
11,6 s
Consumo urbano
9,3 km/l
Potência
138 cv
Torque
19,7 kgfm
Porta-malas
475 litros
Veja ficha técnica completa

É inevitável falar do Duster e não compará-lo ao EcoSport, o primeiro dos crossovers populares. Desenvolvido pela Ford do Brasil e lançado em 2003, o modelo marcou uma geração com uma proposta inovadora para seu tempo e também com bom nível de qualidade. Mas isso foi há oito anos, o tempo passou, o mundo evoluiu e o carro pioneiro do segmento se tornou obsoleto. E aí que a Renault entra na história.

O Duster é cria da Dacia, a divisão romena do grupo francês e especialista em projetar carros de acesso. O sedã Logan, por exemplo, veio desse ninho e os mesmos ensinamentos foram aplicados na elaboração do Sandero, que nasceu no Brasil. Isso sugere que o lançamento da Renault pode ter um bom preço. Pois o tiro é certeiro.

O modelo da Renault, além de mais moderno que o Ford, é mais barato em todas as versões. O EcoSport mais acessível custa R$ 53.440. O Duster começa em R$ 50.000. A série avaliada pelo iG Carros foi a Dynamic-Automático, o top de linha do catálogo e com todos os itens opcionais. Vale R$ 65.690. Um Eco no mesmo nível passa dos R$ 72.000, o que é, digamos, um absurdo.

Levantando poeira

Ao dar a partida e começar a acelerar nota-se que o Duster tem uma boa dirigibilidade. A direção é rápida, tornando o carro ágil e até prazeroso de conduzir, mas isso na versão manual. O nosso tem o velho conhecido câmbio automático de 4 velocidades da Renault, que já deu o que tinha que dar. O modo sequencial as vezes é teimoso ao não responder prontamente o comando, pois ele tem um processamento lento e limitado pelo escalonamento das marchas. A primeira marcha, por exemplo, é longa demais, o que faz o motor do carro berrar de forma absurdamente alta em arrancadas. Sem exageros.

Falando no motor, o deste Duster é o 2.0 16V flex que rende bons 142 cavalos de potência, mas somente em giro elevado (5.550 rpm), e o torque máximo é de 20,9 kgfm a partir de 3.750 rpm, uma faixa razoável para um veículo que certa aptidão para o off-road. Já o rendimento é bom.

A Renault afirma que seu jipinho nessa configuração (2.0 AT) vai da imobilidade aos 100 km/h em 10,7 segundos e alcança no máximo 174 km/h. O EcoSport no mesmo “nipe”, como comparação, é ligeiramente superior nesse quesito, mas não ao ponto de causar arrepios.

A suspensão do Renault, apesar de ainda possuir barra estabilizadora na traseira, responde bem as imperfeições do solo, com acerto bem balanceado para conforto e estabilidade. Já os freios, embora tenha sistema ABS com EBD, peca ao vir com tambores na traseira em tempos de discos nas quatro rodas – o EcoSport também é pecador nesse ponto.

Vida a bordo

O interior do Duster é quase igual ao do Sandero, assim como a cabine do EcoSport remete ao Fiesta. Isso é um sinal de que há muito plástico na construção e o design não é dos mais interessantes. É o que se pode comprar com R$ 50.000, ao menos no Brasil. O modelo ainda veio com bancos de couro (opcional de R$ 1.500), o que dá ao carro um toque de sofisticação além de ajudar a disfarçar o forte cheiro da química presente nas peças plásticas do painel.

Por outro lado, o espaço interno é um dos pontos fortes do Duster, principalmente para quem viaja no banco de trás, onde três ocupantes se acomodam sem aperto, e o porta-malas leva até 475 litros, ante os meros 292 l do EcoSport.

Os recursos presentes no veículo também agradam. A lista contempla airbag duplo frontal, ar-condicionado, trio elétrico, faróis de neblina e sistema de áudio (embutido no painel) com plugs USB e para iPod e Bluetooth para conexão com celular. Esse último aparelho é controlado pelo comando satélite na coluna de direção, embora hoje em dia o mais comum sejam botões no volante. O EcoSport, em contrapartida, cobra até pelos tapetes de assoalho.

Baixando a poeira

Quem não faz questão de ter um Ford vai levar o Duster, e isso já está acontecendo. Em menos de dois meses o carro da Renault já superou o da Ford em vendas e a diferença não foi nada pequena. Mas a Ford não vai ficar com essa poeira engasgada na garganta por muito tempo. Em 2012 chega a segunda geração do EcoSport, que será baseado no New Fiesta, um carro formidável. Resta saber se será o suficiente.

  • Veredicto

    6,5

    O Duster é um alento para um segmento que até então possui apenas um representante. O Renault sai na frente do EcoSport, mas isso poderá mudar com a chegada da segunda geração do jipinho da Ford.

  • Prazer ao dirigir

    6

    O único incomodo nessa versão do Duster é o funcionamento da caixa automática, com poucas marchas e comando sequencial desobediente.

  • Ergonomia

    7

    Embora não seja um capricho em design, as funções estão bem distribuídas da cabine do Duster. O porta-malas ainda dá um baile na concorrência.

  • Conforto para o motorista

    6

    O Duster, por conta de sua suspensão, é um carro confortável. A versão com banco de couro fica mais ainda, pois esconde o cheiro de plástico da cabine.

  • Conforto para os passageiros

    7

    É possível levar 5 ocupantes sem aperto no Duster com certa bagagem no porta-malas de 475 litros.

  • Praticidade

    7

    Mesmo com 4,31 metros de comprimento, o Duster é um carro agil. Mérito da direção com ação direta. Entretanto, é mais complicado encontrar vagas na rua.

  • Versatilidade

    7

    Serve para familias na rotina cotidiana, embora o consumo seja apenas razoável. Em viagens mais longas o espaço interno é de grande valia.

  • Diversão

    6

    Boa parte da diversão do Duster manual desaparece na série com transmissão automática.

  • Visual

    7

    Mais atual que o EcoSport, o carro da Renault tem inspirações mais recentes e em voga, por isso está chamando atenção.

  • Tecnologia

    5

    O pacote tecnologico do Duster não tem nada demais. Limita-se ao rádio com Bluetooth e equipamentos de segurança triviais.

  • Status

    7

    O Duster está com a moral mais alta que o EcoSport, mas somente por ser mais recente. No ano que vem chega o novo Eco e a história será diferente.

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