Suzuki Jimny é o samurai da lama

Não parece, mas esse jipinho supera obstáculos tão bem quanto um Land Rover

Thiago Vinholes | 10/5/2012 11:40

Suzuki Jimny 2009 1.3 16V gasolina 2p manual 4x4

Dados técnicos
Preço
R$ 54.490
Capacidade
4 passageiros
Velocidade máxima
140 km/h
0 a 100 km/h
14,1 s
Consumo urbano
11 km/l
Potência
85 cv
Torque
11,2 kgfm
Porta-malas
113 litros
Veja ficha técnica completa

SUVs tradicionais são bons para andar em terrenos complicados, com lama e buracos por todos os lados. Mas há um limite. Os pneus muitas vezes não são adequados para esses obstáculos e o design da carroceria na maioria dos casos é mais agradável do ponto de vista estético do que realmente funcional no off-road. Quando o caminho é realmente “casca grossa”, o mais indicado é um jipe “puro”. Os principais exemplos, nesse caso, são o Jeep Wrangler, Land Rover Defender e o Mercedes-Benz Classe G.

Estes três veículos têm muito em comum: foram feitos para sofrer (muito), “sobem paredes”, são extremamente robustos e, infelizmente, são caríssimos. Custam mais de R$ 100.000 (o Classe G à venda no Brasil custa meio milhão). Mas não desista, você ainda pode chegar ao topo da montanha gastando bem menos.

Já ouviu falar do Suzuki Jimny? Figura discreta no mercado brasileiro, o jipinho japonês é tão capaz quanto o trio citado e ainda é um tanto “cult”. Lançado em 1970 (ele é o antigo Samurai), o modelo é um jipe tradicional, montado sobre um rígido chassi e devidamente equipado com tração 4x4 com caixa de redução, artigo indispensável para quem quer ir até o fim do mundo, voltar com segurança e, de preferência, inteiro e mais de uma vez.

Menor que um MINI Cooper, o Jimny mede meros 3,64 metros de comprimento e tem apenas 1,60 m de largura. Ele é minúsculo, por isso é indicado para transportar apenas duas pessoas, apesar de contar com mais dois assentos na parte traseira. Já o porta-malas está mais para “porta-mochilas”: comporta 330 litros, segundo a Suzuki. Mas o que interessa aqui é desempenho, especialmente no modo off-road.

Para a terra e avante!

O Jimny pode ser configurado de diferentes formas. Seus para-choques convencionais podem ser trocados por outros mais “parrudos”, aumentando os ângulos de ataque e saída (o que determina se o carro vai ou não raspar no chão) e os pneus podem ser do tipo misto ou “mud”, daqueles com gomos de borracha feitos para “cavoucar” a terra, além disso, há opção de equipá-lo com guincho e as relações de marchas podem ser alteradas, o que torna o carro ainda mais valente. Tudo isso pode ser feito nas lojas da Suzuki.

Quem lê a ficha técnica do motor antes de dirigir o “Suzukinho” torce o nariz. A versão disponível no Brasil tem o motor 1.3 16V a gasolina de 85 cv e 11,2 kgfm de torque máximo. Pouco? É e não é. No asfalto o Jimny realmente é um carro fraco. Aquela viagem até a praia que você fazia em 3 horas, com o jipinho será feita em 4 horas (ou mais, dependendo do pneu escolhido da loja). Por outro lado, na terra ele é um gigante.

O torque máximo aparece somente a 4.000 rpm, mas boa parte dele já está disponível antes dessa faixa. Parece até que o motor é um turbodiesel, tamanho a força do “pulo”. Além disso, o Jimny é leve: pesa (vazio) 1.090 kg. Por isso ele é tão bom na terra. O câmbio manual de 5 marchas também é crucial para essa função, permitindo ter maior controle sobre a máquina no barro.

O acionamento da tração integral, diferente do (caro) LR Defender, dispensa alavancas. No Jimny essa parte é toda eletrônica. Para acionar os diferentes modos do veículo basta apertar os botões no painel, que variam entre o 4x2 (com tração apenas na traseira), 4x4 e 4x4 L (reduzida), que permite ao motor trabalhar com folga em terrenos hostis.

Prático, mas desconfortável

Como em todo jipe, o acabamento do Jimny é simples, mas durável. Os plásticos que cobrem o painel são bastante sólidos e parte da cabine ainda é a prova d’água, caso você atravesse um rio. Não só isso, tanto a carroceria quanto o conjunto mecânico do modelo é montado em módulos, o que facilita a manutenção, mesmo em lugares remotos.

A Suzuki vende o jipinho já prontamente equipado com ar-condicionado (um tanto barulhento), freios ABS e bancos revestidos em couro, pois são mais fáceis de limpar. Entretanto, o Jimny não é um carro para o dia-a-dia. Sua suspensão é dura como uma pedra e ele não transmite muita segurança em curvas contornadas em velocidade. Em suma, ele foi feito para respeitar os limites de velocidade e da física.

Carro pequeno, preço alto

Claro que o Jimny não é tão caro quanto um jipão, mas os brasileiros ainda não curtem muito a ideia de pagar R$ 57.990 (valor de entrada) em um veículo com pouco mais de 3 metros de comprimento, mesmo ele sendo fera no off-road. A Suzuki ainda tenta justificar o valor dizendo que o veículo é o mais barato do Brasil equipado com caixa de redução e com tal capacidade off-road. A faixa dos R$ 40.000 seria mais apropriada.

Até o final de 2012, o jipinho começa a ser fabricado no Brasil, mas o pessoal da Suzuki já adiantou que isso pouco deve influenciar no preço do carro. Uma pena.

  • Veredicto

    6,4

    O Jimny é fraco no asfalto, mas um gigante na terra. Seu preço, porém, ainda é exagerado para um carro tão pequeno.

  • Prazer ao dirigir

    7

    Encarar trechos enlameado com o Jimny é um tanto divertido. Porém, no asfalto ele é muito duro e balança demais. Jipe é assim, fazer o que?

  • Ergonomia

    5

    Por ser um projeto antigo, a ergonomia do Jimny é antiquada. Sem falar que o carro leva apenas duas pessoas com certo conforto.

  • Conforto para o motorista

    6

    A direção hidráulica até ajuda, mas o balanço da carroceria na cidade não agrada. O ar-condicionado também é um tanto barulhento.

  • Conforto para os passageiros

    4

    O Jimny é indicado para apenas dois adultos. A parte traseira é muito apertada para levar mais duas pessoas.

  • Praticidade

    7

    Dependendo do pneu escolhido, o Jimny é até prático na cidade. Seu porta-malas pequeno, porém, não fazem dele o carro mais indicado para ir ao supermercado, por exemplo.

  • Versatilidade

    6

    O jipinho da Suzuki se saí melhor na terra e em terrenos hostis do que em vias civilizadas. Ele também é bastante lento na estrada.

  • Diversão

    8

    Somente um Land Rover (ou similares) ou um Jimny é capaz de levá-lo a lugares de difícil acesso. É a opção mais acessível no Brasil para encarar o off-road pesado.

  • Visual

    7

    A cara do Jimny é o que se pode chamar de "cult". O modelo pouco mudou desde que foi lançado em 1970, quando ainda se chamava Samurai.

  • Tecnologia

    7

    A mecânica deste Suzuki é simplificada justamente para facilitar a manutenção. O acionamento da tração, ao menos, é elétrico.

  • Status

    7

    Quem tem um Jimny gosta de aventuras, de prefência em lugares de difícil acesso. Essa é a imagem que o carro passa.

Leia tudo sobre: Suzuki Jimny avaliação jipe off-road

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