Renault Twizy: adeus ao trânsito e à poluição

Veículo elétrico de dois lugares é solução ecológica para as grandes cidades

Ricardo Meier | 22/6/2012 12:21

Foto: Oswaldo Palermo Veja mais fotos

Renault Twizy: solução prática para o trânsito e poluição

Ele não pode ser chamado de um automóvel nem se encaixa perfeitamente na definição de um quadriciclo. O Twizy, veículo elétrico que a Renault começou a vender na Europa, está no Brasil. Trazido como vedete da marca na conferência ambiental Rio+20, o modelo representa a solução dos franceses para o trânsito e a poluição das grandes cidades.

A foto ao lado já dá idéia da dificuldade em explicá-lo. Parece um carrinho saído de filmes de ficção científica, mas é bem real. E simples. Ao planejar o que faria a respeito da tecnologia de veículos elétricos, a Renault optou por lançar quatro modelos. O primeiro é o Fluence Z.E (a sigla significa emissão zero), uma versão 100% elétrica do sedã vendido no Brasil e que o iG avaliou recentemente. Além dele, existe outro modelo adaptado, o Kangoo europeu, na versão de trabalho. E também dois veículos inéditos, criados para esse fim, o hatch compacto Zoe, uma espécie de Clio elétrico, o Twizy.

Foi esse último que o iG conheceu nesta quarta-feira, 20, no Rio de Janeiro, em meio a Rio+20. A ideia, como dissemos, foi usar a tecnologia elétrica num veículo pequeno capaz de ser usado na cidade em trajetos mais curtos – embora ele tenha autonomia de cerca de 100 km e velocidade máxima de 80 km/h.

Para chegar a esse resultado, a Renault despiu o Twizy de itens supérfluos como rádio, direção assistida e até portas! O modelo leva duas pessoas que viajam de maneira semelhante a de uma motocicleta, porém, com um pouco mais de conforto já que são assentos com encosto. O volante é idêntico ao de um carro e o câmbio é automático com opção apenas para frente e para trás. O painel, digital, traz apenas o indispensável: velocímetro, carga da bateria, autonomia e hora. O freio de estacionamento fica escondido embaixo do painel e o motorista pode apenas ajustar o banco de forma longitudinal.

O cinto de segurança, de três pontos, conta com a ajuda de outro cinto vertical, que segura o motorista em caso de colisão lateral, afinal as laterais do Twizy são abertas. “Mas e a chuva?”, alguém pode perguntar. Para isso, a Renault oferece portas removíveis no estilo “tesoura” (abrem para cima), mas que não possuem vidros. O recurso deixa o carrinho mais confortável, mas não evita um banho provocado pelo carro da faixa ao lado.

Surpreendentemente no chão

O test-drive do Twizy foi rápido, mas suficiente para entender seu funcionamento. A primeira sensação é de dúvida: vamos dirigir um carro ou uma “moto com quatro rodas”? Resposta: é um automóvel no modo de dirigir, duro, é verdade, mas estável de uma forma surpreendente.

O acesso ao modelo é um pouco incômodo, assim como seu assento sem nenhum traço de conforto. O passageiro está à mercê do tamanho do motorista. Se ele for baixinho, ótimo. Agora se resolver posicionar o banco na posição mais recuada azar o seu. Como as pernas ficam em volta do motorista quanto mais para trás pior.

Dirigir o Twizy, no entanto, é extremamente fácil. Gira-se a chave não sem antes conferir se o câmbio está na posição neutra. Soltamos o freio de mão, clicamos no botão “D” (Drive) e o carrinho demora a se mexer. O acelerador, pouco sensível, só vai dar vida ao modelo lá pela metade do curso. Nada de trancos, apenas uma aceleração suave.

A direção, sem assistência, é ágil nos primeiros 45º de movimento, depois custa a ajudar o Twizy a fazer curvas. Sem espaço para andar, optamos por não chegar a uma velocidade muito alta. Soubemos depois que o Renault consegue atingir 80 km/h – há uma versão na França limitada a 45 km/h que dispensa carteira de habilitação.

Pouco depois, quisemos viajar no banco do passageiro e aí o motorista foi um funcionário da Renault, tarimbado para uma tocada mais agressiva. Com quase 1,5 metro de altura, o Twizy dá a impressão que tombará em qualquer curva mais fechada, mas sua estabilidade é impressionante. Nosso “piloto” abusou na direção e nada do carro inclinar sua carroceria.

Não é para menos. O centro de gravidade do Twizy é muito baixo, isso porque motor, bateria e outros itens mais pesados ficam na altura dos eixos. Com tração traseira, o Renault conta com pneus de 13 polegadas calibrados com muita pressão. O resultado é um pouco incômodo no dia a dia, mas nada insuportável.

Mundo ideal

A solução encontrada pela Renault parece perfeita. O Twizy consegue atrair a atenção de motoristas de automóveis sem coragem de ter uma moto e também pode agradar os motociclistas que querem um pouco mais de conforto e proteção – o modelo traz até airbag frontal de série.

E ainda conquista pela propulsão elétrica. O consumo é desprezível e a recarga demora apenas 3 horas – elétricos maiores costumam precisar de meio dia para fazer o mesmo.

Com apenas 2,76 m², o Twizy ocupa apenas um terço do espaço de um Fluence. Avenidas, ruas e estacionamentos não seriam problema para uma frota deles, mas o governo brasileiro, sim. Sem nenhum tipo de incentivo, o carrinho francês poderia custar aqui tanto quanto um sedã médio como o próprio Fluence, da Renault. Na Europa, o modelo de dois lugares sai por 7,4 mil euros, algo como R$ 18 mil mais uma taxa mensal pelo aluguel da bateria de íon de lítio.

Questionada sobre a possibilidade de o Twizy ou algum de seus irmãos serem vendidos no Brasil, a Renault negou: “na estratégia da aliança (que inclui a marca Nissan), o Leaf é a bola da vez”, nos disse o assessor da marca. Uma pena. Com ruas cada vez mais congestionadas e o transporte público insuficiente por aqui, o Twizy seria uma grande, ou melhor, uma “pequena” sacada.

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