O novo scooter da Honda, que veio para brigar com o Dafra Citycom 300, é mais caro porém tem alguns argumentos que justificam o maior valor

A visão através do para-brisa do scooter SH 300i é boa, quando o tempo está seco
Guilherme Marazzi
A visão através do para-brisa do scooter SH 300i é boa, quando o tempo está seco

Sabe aquela virada de tempo que te pega desprevenido, com uma fina garoa na temperatura que beira a do congelamento? Hoje ela me pegou. Apesar das grossas luvas de couro, as mãos doem com a fria umidade. E o anteparo frontal não é suficiente para que as pernas também não sofram de frio. O mais crítico, no entanto, pelo menos para mim, são o pescoço e os ouvidos.

 Santo cachecol! Esqueci desse detalhe e achei que iria pegar uma gripe daquelas. Mas não. Aquele estranho para-brisa do scooter Honda SH 300i , que me chocou à primeira olhada mais pela altura do que por sua existência, foi a salvação. Tudo bem, eu estava gelado, rodando a 40 km/h, mas nada de vento frio nos ouvidos. A frase “eu só tiraria esse enorme para-brisa” já não tem mais sentido. Que fique!

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 O novo SH 300i da Honda , que foi lançado no início deste ano, complementa a família de scooteres da marca, que já tem o Lead 110 e o PCX 150 . O novo integrante, que tem motor monocilíndrico quatro tempos refrigerado a água de exatos 279 cm 3 de cilindrada, veio para tirar o sossego do scooter Dafra Citycom 300i , sendo que, para isso, a Honda conta muitíssimo com a força da sua marca. É que, com preço de R$ 23.590, o SH 300i custa cerca de R$ 5.000 a mais que o concorrente, com praticamente as mesmas características do atual líder, que está em nosso mercado desde 2010.

 Além da novidade, o scooter da Honda tem alguns diferenciais que poderiam ajudar a justificar tal discrepância nos valores. Um deles é o sistema ABS de freios de série, um item muito desejado atualmente mesmo em veículos de duas rodas de pequeno porte. O outro é o sistema “keyless” de ignição, que dispensa o uso da chave para ligar o veículo e sair rodando. Esse sistema utiliza um ”smart key” eletrônico que precisa apenas estar na posse do piloto. Ao se afastar do veículo, sua ignição desliga e trava.

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 O enorme para-brisa do SH 300i também é de série e é bem maior que o do rival Citycom . Apesar da estranheza visual – e também de pilotagem, pelo menos nos primeiros minutos –, depois de enfrentar intempéries pode-se até agradecer a sua existência. Para ficar ideal, um sistema de limpeza desse para-brisa seria bem-vindo, já que as gotas de garoa que se acumulam à frente dos olhos do piloto podem levá-lo a um certo desconforto visual.

 O melhor do Honda SH 300i , no entanto, é a praticidade. Tem espaço para guardar um capacete fechado embaixo do banco (e nada mais) e leva garupa com facilidade. Diferentemente da maioria dos scooteres existentes, o SH é um tanto alto, mesmo para um piloto de altura mediana. Mesmo assim conta com boa maneabilidade em manobras de baixas velocidades e uma estabilidade razoável em velocidades maiores, principalmente devido àsrodas de 16 polegadas de diâmetro. Peca apenas pelas suspensões excessivamente firmes, que resultam em fortes trancos em pilotagem urbana, quando o piso é irregular. É o veículo ideal para grandes centros urbanos.

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