A versão R da esportiva clássica moderna inglesa é muito mais do que apenas uma motocicleta retrô. Veja a avaliação completa

Com a Triumph Thruxton R é difícil resistir aos 50 km/h das grandes cidades
Guilherme Marazzi
Com a Triumph Thruxton R é difícil resistir aos 50 km/h das grandes cidades

A origem do nome do estilo de motocicleta mais na moda atualmente todos já conhecem, mas não custa recontar. Na Inglaterra do início dos anos 60, os motociclistas costumavam se reunir em pubs e cafés, apostando corridas pela redondeza e devendo retornar antes do término de uma determinada música. Eram os “corredores do café”, ou os café racers. Para melhorar o rendimento, eles personalizavam suas motos, geralmente com guidões de competição, mais baixos, e bancos individuais, com a famosa “rabeta”.

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Hoje, décadas depois, o estilo volta mais forte do que nunca, provavelmente até mais do que naquela época. Mesmo sem saber o motivo, muitos motociclistas começaram a personalizar suas motocicletas dessa forma, até que a principal marca inglesa de motocicletas, a Triumph, lançou um modelo Café Racer original de fábrica.

 A Triumph Thruxton foi lançada há dois anos e virou febre. Baseada na Bonneville, a Thruxton chegou com um guidão mais baixo, banco no estilo rabeta, retrovisores nas pontas do guidão e uma pequena carenagem envolvendo o farol redondo. Se com apenas essas poucas diferenças em relação ao modelo em que se baseou, a Thruxton conquistou muitos adeptos das motocicletas retrô, a nova versão da Café Racer, no entanto, deverá levá-los à loucura. Agora, sim, uma motocicleta fascinante.

 A magia começa no próprio visual: o tanque e a rabeta vermelha contrastam com o garfo dourado da suspensão dianteira invertida, da marca Showa – uma das inovações da nova Thruxton R . A pequena carenagem sumiu, melhorando o visual, e o enorme guidão deu lugar a um par de semi-guidões com novos retrovisores redondos nas extremidades. A mesa superior de direção, agora cromada, juntamente com a faixa metálica no centro do tanque, formam o ponto alto do visual da motocicleta. Essa tira de aço, que tem uma alça na extremidade, simula o sistema de reabastecimento em competições, quando era mais rápido trocar o tanque do que reenchê-lo. No tanque, mais um detalhe primoroso: uma tampa de aço esconde a tampa verdadeira, que pode ser trancada com chave.

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 A Nova Triumph Thruxton R é uma motocicleta individual. Na parte “sentável” do banco só cabe o piloto. Para levar a namorada, é necessário comprar um kit que inclui um banco normal e um par de pedaleiras para o garupa. Melhor não. A posição de pilotagem é esportiva, mas sem exagero, o que significa bastante conforto para o piloto. Com exceção dos espelhos retrovisores, estilosos porém pouco práticos: além de dificultarem muito a agilidade em meio ao trânsito urbano, sua posição muito baixa resulta em uma péssima visibilidade para trás. Seria minha única mudança na Thruxton R , o resto é perfeito.

 Os bons predicados da Thruxton R vão muito além da estética. A suspensão dianteira invertida Showa tem regulagem, o par de amortecedores traseiros Öhlins tem reservatórios de gás e também são reguláveis, os dois discos de freio dianteiros são da marca italiana Brembo e o disco traseiro é da marca Nissin. A moto tem controle de tração, sistema ABS nos freios (ambos os sistemas podem ser desligados pelo condutor), acelerador eletrônico e trêsmodos de pilotagem, “road", “sport"; e “rain”.

 Mesmo com tantos detalhes interessantes, o melhor mesmo da nova Triumph Thruxton R é pilotá-la. O motor bicilíndrico passou de 865 cm 3 para 1.177 cm 3 de cilindrada, o que elevou a potência de 69 cv para 97 cv. O torque passou de 7 para 11,4 kgfm. E o ronco? Ah, o ronco! Os dois escapamentos de aço fornecem um som comparável apenas a, – vamos ver se alguém dos anos 60 vai lembrar –, ao ronco do Brasinca Uirapuru de competição. Grave,compassado e maravilhoso!

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 A Triumph Thruxton R é uma obra de arte. Não a chamaria de “moto de macho”, justamente porque, mesmo com todas essas características, ela é extremamente dócil e fácil de ser pilotada, com o acionamento da embreagem super suave. Mas é uma motocicleta máscula. É possível, mas muito difícil pilotá-la devagar, uma vez que ela incita à condução mais esportiva. Se conseguir apenas desfilar com ela por aí tanto melhor, assim dá mais tempo ser o centro das atenções de quem passa ao seu lado.

 Há dois anos, a Thruxton chegou custando R$ 31.900. A Thruxton R atual custa um pouquinho mais: R$ 55.000.