A Kawasaki Z300 é um bom caso para usar a frase “tamanho não é documento”

A Kawasaki Z300 é uma boa alternativa para pilotos mais robustos que não “cabem” na Ninjinha.
Guilherme Marazzi
A Kawasaki Z300 é uma boa alternativa para pilotos mais robustos que não “cabem” na Ninjinha.

Motocicletas também são uma questão de gosto. Se praticamente todos tiram o chapéu para as supermotocicletas, que se destacam ou pelo desempenho absurdo, pelo conforto ou apenas pelo tamanho, há casos em que a receita é perfeita para um determinado segmento de motos ou de pilotos. Assim é a Kawasaki Z300, naked esportiva que mais parece uma “mil” em escala.

LEIA MAIS: A vingança da Kawasaki Versys 1000

Se o gosto pessoal foi citado aqui, é porque a Kawasaki Z300 toca fundo quando o assunto são as preferências de cada um. Já declarei aqui que gosto das motocicletas grandes e de estilo retrô, aquelas que têm um pezinho lá nos anos 70, porém a Z300 acabou me surpreendendo.

Compartilhando muito da pequena esportiva Ninja 300, a “Ninjinha”, como o motor bicilíndrico refrigerado a água, as suspensões e o quadro, a Z300 oferece aos pilotos que não “cabem” na esportiva uma boa dose adicional de espaço e conforto, principalmente devido ao guidão mais alto. Sem exageros, é claro: o banco esportivo é tão duro quanto deve ser o banco de uma esportiva e um eventual garupa tem tudo para reclamar da falta de conforto.

Pequena Ninja de respeito

A minha surpresa, no entanto, foi causada pelo desempenho geral da pequena esportiva naked. Os primeiros metros com ela podem decepcioná-lo, caso você esqueça que o valente motorzinho tem sua faixa vermelha no contagiros começando às 13.000 rpm. Nem tente sair mansinho soltando a embreagem antes das 4.000 rpm e trocando as seis marchas nessa faixa, a menos que você queira dar um gostoso passeio, o que é perfeitamente possível.

LEIA MAIS: Yamaha NMax desafia Honda PCX

Para aproveitar a potência desse motor, cujo ápice de 39 cv chega às 11.000 rpm, não economize acelerador. O torque máximo de 2,8 kgfm, um bom valor para a cilindrada, só aparece às 10.000 rpm. Em um ambiente seguro, como uma estrada vazia preferencialmente cheia de curvas, ou mesmo em uma pista fechada, qualquer coisa entre 9.000 e 13.000 rpm lhe dará o máximo dessa motocicleta. Bem rápida nessa faixa, acelera bem, freia bem e faz muita curva.

É claro que a Ninjinha também tem esses atributos, porém a proposta naked da Z300 a torna um pouco mais versátil. A suspensão dianteira da Z, por exemplo, difere levemente da esportiva na geometria de direção, com um ângulo de cáster um pouco menos acentuado (26o contra 27o, ou seja, a naked tem o garfo um pouco mais “de pé”). Consequentemente, o trail da Z é de apenas 82 mm, contra 93 mm da Ninja (trail é a distância entre a projeção da linha da cabeça de direção do quadro e o ponto central em que o pneu toca o solo). Traduzindo o excesso de tequiniquês: a Ninjinha é mais estável em retas e a Z300 é mais rápida em mudanças de trajetória.

Essa diferença ajuda bastante a Z300 em uso urbano, pois a motocicleta é mais fácil de ser pilotada em locais estreito e de baixa velocidade, como no meio dos carros, mesmo considerando que seu ângulo de esterço é bastante limitado.

LEIA MAIS: Honda CG 125 completa 40 anos no Brasil

Todas essas constatações me fizeram ver a pequena Z300 com mais respeito pois, como já havia mencionado, o tamanho é relativo. Aparência também: nos padrões atuais das naked modernas, a Kawasaki Z300 é linda. O conjunto frontal igual à naked maior Z800 realmente as confunde a uma relativa distância. Combinando com esse belo farol trapezoidal, o painel de instrumentos é bonito e eficiente, com um grande contagiros analógico e um velocímetro digital de “letras grandes”. Belíssimo conjunto, mesmo que eu ainda prefira um farol redondo e os velhos relógios circulares ligados à motocicleta por cabos de aço giratórios.

A Kawasaki Z300 custa, em sua versão mais simples, R$ 18.890. Com freios ABS a mais, o preço passa a ser de R$ 20.890.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.