Monster é agora uma motocicleta nacionalizada, produzida em Manaus(AM). Confira as nossas impressões ao pilotar o modelo da marca italiana

A Ducati Monster 1200S na pista do Haras Tuiuti: agressiva, esportiva e também muito versátil
Divulgação
A Ducati Monster 1200S na pista do Haras Tuiuti: agressiva, esportiva e também muito versátil

O que tem de novo na Ducati Monster 1200S? Muita coisa, mas o principal é o menor preço. A nova Monster 1200S é agora montada em Manaus (AM) com componentes importados, e assim passa a ser considerado um modelo nacional que tem menor carga de impostos. A naked Monster, que chegou a custar R$ 75.000,  agora sai por R$ 59.900.

LEIA MAIS: A Honda CBR 650F no Circuíto dos Cristais

Quanto à motocicleta em si, ela também tem muitas novidades, algumas difíceis de serem percebidas, já que a motocicleta manteve seu agressivo estilo streetfighter que consagrou todos os modelos dessa família, desde 1993. O tanque de combustível da Ducati Monster 1200S é um desses detalhes, uma vez que ficou um pouco menor e mais leve, com um litro a menos de capacidade. E voltou a ter a fixação aparente com um grampo, como era a primeira Monster. Outros detalhes desse tipo são a fixação das pedaleiras, o para-lama traseiro e o novo farol, agora com lâmpada de led e luz diurna DRL.

O motor de 1.198 cm3 de cilindrada é Testastretta 11º, um V2 a 90º (L-Twin) de 8 válvulas de acionamento desmodrômico e refrigerado a água. Esse motor, cuja potência é agora de 150 cv, com torque de 12,9 kgfm, ficou muito mais amigável do que os motores anteriores, com uma calibração do acelerador eletrônico que o torna bastante progressivo. Dessa forma, a Monster 1200S ficou muito mais fácil de ser domada, principalmente em saídas de curvas, apesar da maior potência.

O grande apelo da Ducati Monster 1200S é o seu visual musculoso, com o quadro de treliça de aço aparente se destacando, principalmente na cor vermelha. Os componentes mecânicos são de primeira linha, como as suspensões Öhlins totalmente ajustáveis e os freios Brembo, mas são os sistemas eletrônicos que realmente fazem a diferença na pilotagem.

Os freios têm ABS Bosch integrado com o sistema IMU – Inertial Measurement Unit –, que permitem frear em curvas, mesmo com a motocicleta bastante inclinada, e com três níveis de intervenção, o primeiro muito esportivo, permite destracionamento da roda traseira e desativa o DWC (Ducati Wheelie Control), a detecção de levantamento da dianteira, o segundo aplica controle de tração na roda traseira e o terceiro atua completamente, inclusive ativando o sistema que impede de a frente levantar em acelerações. É o modo mais seguro de pilotagem, apesar de bastante esportivo.

LEIA MAIS: Ducati Multistrada 950: emoção pouca coisa mais branda

Já o DTC, Ducati Traction Control (controle de tração), tem 8 níveis, desde praticamente sem intervenção eletrônica até o controle total, ideal para pista molhada. Além de tudo isso, os três modos de pilotagem Esportivo, Turismo e Urbano, que podem ser selecionados durante a pilotagem, fazem uma combinação dos sistemas ABS, DTC e DWC e ainda atuam na potência do motor. No modo Urban, a potência não passa dos 100 cv. Esse modo é o mais indicado para uso normal, pois a motocicleta fica dócil e ainda com bastante potência.

Boa de guiar

Ainda na eletrônica, o sistema DQS, Ducati Quick Shift, proporciona muito prazer na pilotagem. Esse sistema permite que se faça trocas de marchas ascendentes sem precisar acionar a embreagem ou mesmo soltar o acelerador, garantindo trocas extremamente rápidas e precisas. Para marchas descendentes (redução), também não é preciso usar a embreagem, mas convém fechar o acelerador na troca.

Por fim, o painel de instrumentos com tela TFT. É como se fosse um tablet , ou uma tela de smartfone, colorida e de alta resolução. Nem precisa dizer que a leitura das informações é extremamente fácil e precisa em uma tela TFT, além do fato de que o piloto pode escolher a melhor forma de exibição das informações na tela. Todas as motocicletas deveria ter esse tipo de painel, alguns automóveis nacionais já vêm com tela TFT.

Muito bom descrever as virtudes técnicas de uma motocicleta, mas o melhor mesmo é usá-la. A Ducati Monster 1200S foi apresentada à imprensa no Autódromo de Interlagos e, posteriormente, na pista de teste do Haras Tuiuti, dois ambientes controlados onde foi possível comprovar que a nova Monster está realmente mais forte e muito mais amigável. Mas o teste definitivo eu fiz em passeios urbanos, em um fim de semana. Uma motocicleta como essa geralmente não combina com passeios a dois aqui e ali, parando para tomar um sorvete ou passear no parque. Mas a Monster surpreendeu nesse ponto, mais do que simplesmente rodar suave por São Paulo.

Par ou ímpar?

O garupa não fica assim tão à vontade, mas ainda tem um certo conforto. Para tirar a capa da cor da moto que cobre o banco do garupa (imitando uma rabeta de competição) são apenas dois parafusos, com uma chave de sextavado interno presente nas ferramentas da própria moto. Embaixo do banco existem alças escondidas para, colocando-as para fora do banco, prender aranhas elásticas para transportar pequenos objetos sobre o banco. Muitas motocicletas urbanas não têm nem como prender elásticos.

LEIA MAIS: Honda NXR 160 Bros: modelo on/off agora tem freios ABS

Existem também alças internas para prender dois capacetes na moto, utilizando-se cabos de aço específicos que vêm junto com as ferramentas. Assim não é necessário o casal ficar passeando pelo shopping, ou no cinema, cada um carregando seu capacete. Muitos pontos positivos para a Monster nesse aspecto.

A única dúvida na hora da compra da Ducati Monster 1200S seria quanto à cor. É claro que, como em toda boa marca italiana, a vermelha é padrão e demonstra forte presença e esportividade. A cor cinza, no entanto, tem um tom diferente e deu à motocicleta um caráter muito sóbrio. Par ou ímpar?

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.