Saiba um pouco sobre a história de Og Pozzoli, o corajoso colecionador que recebeu inúmeros prêmios e se tornou referência no mundo dos clássicos

O colecionador Og Pozzoli no espaço onde guarda suas relíquias sobre rodas
Miguel Barros Costa
O colecionador Og Pozzoli no espaço onde guarda suas relíquias sobre rodas

Na página da Federação Brasileira de Veículos Antigos, o calendário de eventos contabiliza 130 reuniões de pessoas que se juntam em torno de autos clássicos. Ocorrem em todo lugar. Vão desde o 5º Encontro de Veículos Antigos de Taió, em Santa Catarina, ao 8º Guararema Classic Cars, em São Paulo. Incluindo na conta os informais, organizados no boca a boca, devem chegar aos 200, talvez 300, por ano.

Muito desse movimento se deve a Og Pozzoli. Se os dicionários do futuro vierem com uma imagem ao lado da palavra, a dele corresponderá a “antigomobilismo”, que é o culto aos carros clássicos.

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Natural do Rio de Janeiro, foi criado em Natal e se mudou para São Paulo em 1956, aos 26 anos. Em 1958, um Lincoln Continental 1948 inaugurou a coleção, que até a última contagem reunia 170 veículos. Seu acervo é considerado um dos 10 melhores do mundo graças a raridades como as duas Fiat Jardineira , uma de 1912 e outra de 1914. Esta última, única no mundo, despertou a cobiça de Gianni Agnelli (1921- 2013) quando, então presidente da Fiat, visitava o Brasil para a instalação da fabricante italiana por aqui. A fortuna oferecida pela Jardineira não convenceu Og, cujo amor pelos seus carros o impede de comercializá-los.

Na vida de antigomobilista, Og já viveu momentos importantes, como dirigir o Chrysler Imperial 1920 que conduziu o papa João Paulo II em sua primeira visita ao Brasil. Na comemoração dos 70 anos da imigração japonesa, o imperador Akihito e a imperatriz Michiko vieram para cá. Enquanto acenavam nas ruas, quem dirigia era Og. Nas quase seis décadas de antigomobilismo, colecionou inúmeros prêmios.

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Um dos mais singelos reconhecimentos veio na semana passada. Rafael Barros, 4, recebeu como lição de casa entregar um “certificado” à pessoa mais corajosa que ele conhecia. Não teve dúvidas: elegeu Og, que naquele distante ano de 1956 foi de Natal a São Paulo dirigindo um Opel P4 1937, numa viagem de 17 dias. Sem freio e com um mecânico que deveria ajuda-lo, mas bebia de noite e dormia de dia.

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