Participamos do II Rallye Caminho do Mar e contamos como foi a nossa experiência ao volante de um raríssimo Ford Corcel Bino 1969

Descendo a Estrada Velha de Santos, fechada para automóveis há décadas, fizemos uma memorável volta ao passado
Marcos Rozen
Descendo a Estrada Velha de Santos, fechada para automóveis há décadas, fizemos uma memorável volta ao passado

Foi apenas na véspera do II Rallye Caminho do Mar , organizado pelo MG Club do Brasil no último sábado, que notei a ausência de um elemento fundamental a qualquer prova de rali: o navegador. Eu simplesmente não tinha alguém para me cantar o caminho, dizer onde virar, quando ir mais devagar, quando acelerar. Nada a ver com autossuficiência ou desprezo pela prova. É que o vislumbre de descer a Estrada Velha de Santos guiando um carro antigo me entorpeceu, e acabei esquecendo dele.

Meia hora antes da largada, outro certificado da minha intimidade com esse tipo de prova: não tínhamos cronômetro, indispensável para calcular as médias horárias a serem cumpridas durante a prova. Largamos, portanto, sem a pretensão de chegar ao pódio.

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Nada de cronômetro, apenas curtimos o passeio

A partir daquele momento, o que deveria ser uma competição automobilística com champanhe, prêmios e egos inflados se resumiu a dois amigos passeando de carro. O que poderia ter acontecido em qualquer carro e em qualquer estrada.

Ford Corcel Bino 1969 com faróis auxiliares e falsa entrada de ar no capô
Marcos Rozen
Ford Corcel Bino 1969 com faróis auxiliares e falsa entrada de ar no capô

Só que não era qualquer carro, nem qualquer estrada. Guiávamos, eu e o navegador – o presidente de um ilustre museu que se constrói em São Paulo –, um Ford Corcel Bino 1969 , raríssimo. Rumo a uma estrada que está fechada para automóveis há décadas.

Quanto ao Corcel Bino (gentilmente emprestado pela Universo Marx), o mais importante era que os freios funcionavam bem. Chequei isso antes mesmo de me ajeitar ao volante, tarefa sem muitas possibilidades, já que o único ajuste disponível era mover o assento para frente ou para trás. O que me tomou certo tempo foi entender o painel de instrumentos e os comandos, como o do limpador do para-brisa – um botão do lado direito, já próximo ao rádio, que deveria ser puxado para acionar as palhetas.

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Primeira marcha espetada, me surpreendo com os engates até que precisos. O problema é que havia apenas quatro marchas, o que nos obrigou manter os 90 km/h como velocidade de cruzeiro. Além disso teríamos que gritar para conversar.

O raro sedã ainda no alto da serra. A faixa branca na lateral, um toque de esportividade
Marcos Rozen
O raro sedã ainda no alto da serra. A faixa branca na lateral, um toque de esportividade

Na Estrada Velha, desconfio que perdemos mais tempo que os demais, todos preocupados em manter o ritmo do rali e cumprir os horários. Nós não. Apenas ajeitávamos o Corcel para as fotos nas poucas áreas de escape daquela estreita estrada, conversávamos sobre como aquele projeto Willys-Overland/Renault se tornara um Ford e, quem sabe, até teríamos um.

Voltando para casa, outra heresia para o mundo do rali. Pela primeira vez na história do automóvel, o navegador assumiu o volante. Concordamos com tudo a respeito daquela versão esportiva do Corcel : aquele motorzinho 1.4 de 90 cv dava conta do recado, mas faltava a quinta marcha; ele fora um dos carros mais injustiçados da indústria nacional, havia poucos reparos a fazer para deixa-lo impecável e sim, seria uma boa hora para compra-lo, antes do seu preço inflar. 

Já sonho com o próximo. Quando, onde, com qual carro? Vamos leva-lo a sério? Não prometo. 


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