O sedã japonês pode não ser o sonho dos “gearheads”, mas quando fugiu da normalidade, virou um mito

Conhecido no Japão pelo seu código de chassis AE86, o Toyota Corolla GT-S virou um mito entre os gearheads no mundo todo.
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Conhecido no Japão pelo seu código de chassis AE86, o Toyota Corolla GT-S virou um mito entre os gearheads no mundo todo.

Em 20 de outubro de 1966, a Toyota apresentava o Corolla ao mundo. Cinquenta anos depois, aquele tímido carro japonês – que começou a carreira com um motor de 60 cv e pinta de Ford Corcel 1 – chegou a 11 gerações e acumulou mais de 44 milhões de exemplares vendidos, sendo portanto o carro mais procriado do planeta.

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Aqueles 3,64 m de comprimento, algo próximo de um Uno, esticaram e já na segunda geração ele encontrou sua vocação de carro médio. Hoje, é a escolha de motoristas que não correm riscos, detestam surpresas de aniversário, jamais experimentariam conhecer a Croácia nas férias, pedem Coca-Cola sem gelo na balada e preferem se vestir de bege. Precisam de segurança e previsibilidade para viver, e encontram no Corolla um carro que garante isso e a certeza de que, de todos os problemas da vida, praticamente nenhum virá do sedã. É a zona de conforto com rodas.

Todavia, se as últimas gerações estão longe da cabeça dos chamados “gearheads”, aqueles indivíduos apaixonados por automóveis, há capítulos da vida do Corolla que fogem da sua essência. O mais subversivo deles é o GT-S. São muitos elementos reunidos num carro improvável, e que justamente por isso é cobiçado atualmente.

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Foi o último Corolla de tração traseira. Os carros baratos dos anos 1980 estavam migrando para a tração dianteira, por ser mais barata. Mas, em nome do prazer ao volante, a Toyota manteve a tração traseira nessa versão. Veja quanto antagonismo numa única frase: Corolla, prazer ao volante, tração traseira.

O GT-S trazia de fábrica tecnologias que somente uma década adiante se tornariam mais populares: injeção de combustível, motor de 16 válvulas (no caso, um 1.6 de 112 cv), freio a disco nas quatro rodas e câmbio automático de quatro marchas. Era divertido ao volante e ao mesmo tempo econômico, graças ao baixo peso.

Sem contar o estilo quadrado, raro e icônico. O GT-S existiu nas versões Levin e Sprinter Trueno, esta com faróis escamoteáveis. Sim, faróis escamoteáveis em um Corolla.

Produzido somente entre 1984 e 1987, tem ainda o carimbo da raridade, essencial a quem pretende ser clássico. O que é um tanto peculiar, tratando-se do carro mais vendido do mundo.

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