Ausência de clássicos no evento não se justifica até mesmo pela sobra de espaço no novo local em que acontece a mostra, a cada dois anos

O Mitsubishi PX-33 foi o primeiro carro 4x4 da marca. Ficou escondido no fundo do estande no Salão do Automóvel.
Nicolas Tavares/iG Carros
O Mitsubishi PX-33 foi o primeiro carro 4x4 da marca. Ficou escondido no fundo do estande no Salão do Automóvel.

Quando atravessa a catraca de entrada do pavilhão do São Paulo Expo, o visitante do Salão do Automóvel de São Paulo vai direto para o estande da Fiat . Além de ser o primeiro, no meio do da Chevrolet e do da Kia, há ali uma força magnética branca e sem capota. É o 124 , que a marca italiana trouxe para “testar” a receptividade do público e, após considerar também outros elementos financeiros e comerciais, decidir por importa-lo ou não. 

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 O 124 atual resgata a fama do antigo, produzido nos anos 1960 e 1970, que fora sucesso até mesmo nos EUA, onde carros nacionais e enormes eram endeusados. Aquele pequeno Fiat era uma espécie de imigrante que tentava a sorte grande na América. 

Bom, se o 124 novo está no Salão, é natural supor que o antigo também esteja para relembrar a história desses três números e mostrar que aquele conversível de dois lugares não é só mais um carro bacana – ele tem um passado, tão importante que justifica uma reedição. Mas cadê o 124 antigo? 

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Quem quiser ver carro clássico ali terá poucas chances. A Suzuki tem um Jimny 1976 ao lado do modelo atual, enquanto a Mitsubishi trouxe seu primeiro 4x4 , o PX-33 , de 1937. É bom lembrar que as duas marcas japonesas têm pouquíssima tradição em carros antigos, mas ainda assim se importaram em mostrar uma pequena parte de suas histórias. 

E quando você acha que já viu tudo, que já rodou por toda parte, descobre que lá no fundo, escondido, tem um cercadinho com um DKW Fissore 1965, um Chevrolet Opala Luxo 1969, um Fiat 147 L 1978 e uma VW Kombi 1960. Não fosse os esforços da Federação Brasileira de Veículos Antigos e a gentileza da Anfavea em ceder o local, nem isso veríamos. 

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Lá fora não é assim. No Salão de Pequim deste ano, a Chevrolet tinha um Malibu antigo ao lado do novo; a Citröen reservou um belo espaço para o revolucionário CX , e a Peugeot atravessou o mundo para levar seu 201 aos chineses. Me digam: qual a tradição da China em cultuar automóveis clássicos? 

Portanto, carro antigo no Salão de São Paulo não existiria se dependesse da boa vontade das grandes marcas, que vendem milhões por ano e cujos automóveis antigos são cobiçados e valorizam a cada mês. Eles estão lá pela determinação e paixão de quem, de certa forma, tem e pode menos. 

E ainda assim sem o devido espaço: atrás de um estande gigantesco, onde quase ninguém vê, uma Romi-Isetta azul e branca assiste o espetáculo de longe, como se não fizesse parte dele, como se não fosse convidada para a grande festa que ela mesma inaugurou, 60 anos atrás.

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