Num momento em que a maioria das pessoas quer um SUV, os hatches Polo e Argo têm uma missão especial

Volkswagen Polo: segundo entre os hatches mais vendidos na Europa e boas chances de ser líder no Brasil
Renato Maia/Falando de Carros
Volkswagen Polo: segundo entre os hatches mais vendidos na Europa e boas chances de ser líder no Brasil

Todo mundo sabe que a Renault fez uma jogada de mestre ao lançar o pequeno Kwid com perfil de SUV. Mas pouca gente sabe por que a Volks e a Fiat estão investindo em hatches como o Polo e o Argo. Afinal, todo mundo também sabe que o brasileiro abandonou os hatches e só compra SUV, certo? Errado! O mercado de hatches que está indo à míngua é o de médios, que reúne carros como o Ford Focus, o VW Golf e o Chevrolet Cruze. Tanto que a Fiat não quis saber de fazer um substituto exclusivo para o Bravo. Simplesmente pulou fora.

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Na verdade, a Fiat e a Volkswagen estão certíssimas em apostar no Polo e no Argo, pois o segmento de hatches pequenos ainda é o que mais vende do Brasil. Ele representa 26,8% do mercado total e tem a dupla Chevrolet Onix/Hyundai HB20 na liderança há mais de dois anos. Somados aos hatches de entrada, formam um grande segmento de hatches compactos que representa 47,8% do mercado brasileiro.

Portanto, a pergunta que devemos fazer não é por que a Volks e a Fiat (e também a Renault, de forma um pouco disfarçada) estão investindo nos hatches compactos. A pergunta correta é: o Polo e o Argo podem ser líderes do mercado brasileiro? Antes de responder a essa questão, vamos a algumas análises.

Fiat Argo: média superior a 4.000 carros vendidos nos dois últimos meses, mas terá de rever o conteúdo de série
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Fiat Argo: média superior a 4.000 carros vendidos nos dois últimos meses, mas terá de rever o conteúdo de série

Na Europa, o segmento de hatches compactos (lá chamado de subcompactos, pois compactos para eles são Golf, Focus & cia) tem o Renault Clio na liderança. No ranking do primeiro semestre deste ano o Clio aparece na liderança com 178.801 vendas. Ele é perseguido muito de perto pelo VW Polo, que vendeu 169.921 unidades. É uma diferença pequena, que segue no mesmo ritmo até o nono colocado, nessa ordem: Ford Fiesta (156.590), Opel Corsa (137.565), Peugeot 208 (130.314), Citroën C3 (114.663), Dacia Sandero (105.206), Toyota Yaris (101.579) e Skoda Fabia (95.427).

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Só depois disso a diferença aumenta, com alguns gaps maiores entre os concorrentes, pela ordem: Seat Ibiza (63.579), Hyundai i20 (53.784), Nissan Micra (43.970), Kia Rio (38.909), Fiat Punto (29.417) e Ford Ka (27.096). O mercado europeu é interessante para ser tomado como base porque quase todos esses carros estão presentes no mercado brasileiro, com algumas diferenças: Renault Kwid no lugar do Clio, Chevrolet Onix no lugar do Opel Corsa, Renault Sandero e não Dacia Sandero, Nissan March ao invés do Micra, Hyundai HB20 fazendo as vezes do i20 e Fiat Argo em substituição ao Punto.

Agora, analisando os números do mercado brasileiro, notamos uma distância enorme entre os competidores. Vejamos os números de janeiro a setembro, pela ordem: Chevrolet Onix (134.217), Hyundai HB20 (79.365), Renault Sandero (55.560), VW Fox (34.653), Ford Fiesta (14.141), Fiat Argo (13.163 com apenas dois meses cheios), Nissan March (10.820), Peugeot 208 (8.324) e Citroën C3 (6.174). Poderíamos incluir ainda pelo menos dois carros do ranking de hatches de entrada: Ford Ka (68.256) e Toyota Etios (31.053). O panorama não muda e a conclusão é uma só: vivemos um deserto de carros.

Renault Clio: o mais vendido no mercado europeu de carros compactos, mas no Brasil a marca preferiu o Kwid
Divulgação
Renault Clio: o mais vendido no mercado europeu de carros compactos, mas no Brasil a marca preferiu o Kwid

Por isso, a Volks aposta tudo no novo Polo e a Fiat está certíssima ao investir no Argo. A Toyota já avisou que lançará o Yaris. Tudo isso nos leva a acreditar que a boa vida do Onix e do HB20 pode acabar em breve. Afinal, o Polo chegou com qualidade europeia e preços muito competitivos, em comparação aos rivais do mercado. Por sua vez, o Argo deu à Fiat uma qualidade e bom gosto que não vimos no Mobi, mas talvez alguns ajustes de conteúdo tenham que ser feitos para deixar o carro em pé de igualdade com o Polo. Por exemplo: incluir airbags laterais na lista dos itens de série, pois eles são opcionais até no Argo HGT, topo de linha.

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Portanto, além de novos hatches, de alguns SUVs que faltam no mercado e de poucos sedãs pequenos ou médios, não dá para esperar muita coisa do mercado brasileiro. Ora, só cinco categorias de carros dominam quase 93% do mercado, nesse ritmo: 26,8% com hatches pequenos, 47,8% acrescentando os hatches de entrada, 69,4% somando os SUVs, 84,3% incluindo os sedãs pequenos e 92,3% contando também os sedãs médios.

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