Em apenas 10 meses, o Chevrolet chega ao tricampeonato de vendas e o Toyota confirma que é um fenômeno.

Chevrolet Onix: tricampeão antecipado de vendas no Brasil, com mais de 152 mil veículos emplacados em 10 meses
Divulgação/General Motors
Chevrolet Onix: tricampeão antecipado de vendas no Brasil, com mais de 152 mil veículos emplacados em 10 meses

Enquanto todo mundo fica de olho nos novos SUVs que chegam ao mercado, dois velhos conhecidos dos brasileiros dão um verdadeiro banho na concorrência. Para muitos, 2017 será lembrado como o ano do início da recuperação do mercado de automóveis. Mas a General Motors e a Toyota têm um motivo a mais para comemorar: o Chevrolet Onix precisou de apenas 10 meses para confirmar seu tricampeonato de vendas no Brasil e o Corolla simplesmente esmagou a concorrência, apesar de ser o único que não mudou de geração.

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Com 152.538 unidades emplacadas até outubro, o Onix não pode mais ser alcançado pelo Hyundai HB20, seu mais próximo seguidor nas últimas três temporadas, que soma 88.242. Na verdade, seria mais fácil o Chevrolet terminar com o dobro das vendas do que o Hyundai reduzir a distância. Minhas projeções indicam 187 mil Onix vendidos contra 106 mil HB20 no final do ano. A conferir.

Toyota Corolla: mesmo sem mudar de geração, o tradicional sedã japonês passou de 54 mil vendas no acumulado do ano
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Toyota Corolla: mesmo sem mudar de geração, o tradicional sedã japonês passou de 54 mil vendas no acumulado do ano

O desempenho do Onix é brilhante também quando comparado com o do novíssimo Argo. Nos últimos dois meses, o Chevrolet vem mantendo uma venda média de 17,8 mil carros /mês, contra apenas 4,1 mil carros/mês do Fiat. Será que o Volkswagen Polo vai mudar esse cenário? Essa é a grande questão para 2018, pois este ano o Argo não conseguiu, embora seja um belo carro – não apenas bonito, mas também  gostoso de dirigir.

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Por seu lado, o Toyota Corolla tem o mérito de figurar entre os sete carros mais vendidos do Brasil. Não é pouco para um país com renda per capita de apenas R$ 1.226, pois o Corolla mais barato custa 75 vezes esse valor e ainda faltam alguns trocados. O Corolla já acumulou 54.085 vendas, enquanto a soma de seus dois maiores rivais (Honda Civic e Chevrolet Cruze) é de apenas 38.116. O mais incrível no desempenho do Corolla é que ele é o único dos três que não ganhou uma nova geração recentemente – sem contar que o Civic e o Cruze ficaram impecáveis em conforto, dinâmica e design. A confiança da Toyota em seu carro é tão grande que se deu ao luxo de aumentar o preço do Corolla quando viu que a Honda jogou o valor do Civic nas alturas.

Dois carros e R$ 14,1 bilhões na economia

O Onix ganhou um aprimoramento visual e teve melhoramentos também no motor e no sistema multimídia, ficando mais competitivo
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O Onix ganhou um aprimoramento visual e teve melhoramentos também no motor e no sistema multimídia, ficando mais competitivo

Por falar em dinheiro, se considerarmos os valores médios de todas as versões do Onix e do Corolla, somente esses dois carros sozinhos movimentaram R$ 14,1 bilhões na economia, considerando só o dinheiro das vendas diretas dos fabricantes e de suas redes de concessionárias.

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O Chevrolet Onix tem nove versões que vão de R$ 41.990 a R$ 65.290. Seu valor médio é de R$ 55.030. O Toyota Corolla é vendido em quatro configurações, de R$ 92.690 a R$ 117.900. Seu preço médio é de R$ 106.458. Evidentemente, esses números não são científicos, pois para isso teríamos de saber o valor exato de cada versão vendida, com os opcionais, descontos etc. Mas, pela média, o Onix movimentou R$ 8,378 bilhões, um valor maior que o do Corolla devido ao seu grande volume de vendas. O tradicional sedã da Toyota movimentou R$ 5,757 bilhões.

O Corolla não precisa abrir mão de seu design conservador para continuar agradando, pois tem vários outros atributos valorizados
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O Corolla não precisa abrir mão de seu design conservador para continuar agradando, pois tem vários outros atributos valorizados

Portanto, em apenas dez meses, Onix e Corolla movimentaram um total de R$ 14,136 bilhões. É muito dinheiro, o que mostra a força desses carros. Quanto desse valor sobra nos cofres da GM e da Toyota é um grande mistério. Fontes da indústria automobilística afirmam que um carro pode render até 5% para o fabricante, mas esse valor pode ser bem menor ou até negativo. Sem contar que as montadoras estão sempre investindo no aprimoramento de seus produtos. Recentemente, a GM fez uma boa atualização no Onix, dotando-o de novos motores 1.0 e 1.4, muito mais eficientes, que melhoraram o consumo do carro tricampeão.

A versão Joy é uma bela carta na manga da GM: com ela, mais modesta visualmente e menos equipada, o Onix parte de R$ 41.990
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A versão Joy é uma bela carta na manga da GM: com ela, mais modesta visualmente e menos equipada, o Onix parte de R$ 41.990

O sucesso comercial do Chevrolet Onix e do Toyota Corolla também deixa uma lição para toda a concorrência. De seu lado, a GM não dormiu nos louros da vitória (como é comum acontecer com várias empresas) e investiu nas melhorias técnicas e visuais de seu carro mais vendido, aprimorando três fatores importantíssimos para a decisão de compra do consumidor: design, consumo e conectividade. O Onix, assim, ficou mais forte do que já era. Do lado da Toyota, a lição que temos é a disciplina japonesa: durante anos, sem pressa, a empresa formou na opinião pública a fama de que o Corolla é um carro extremamente confiável. Hoje, mesmo estando defasado perante os concorrentes em alguns aspectos, o Corolla entrega para a Toyota o resultado de sua enorme credibilidade.

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