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A expansão do HB20, do Creta e do Tucson na América Latina pesa mais do que o casamento Caoa-Chery

Hyundai Creta: SUV mais vendido da marca na América Latina ocupa a 27ª posição no ranking geral, bem atrás do Kicks
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Hyundai Creta: SUV mais vendido da marca na América Latina ocupa a 27ª posição no ranking geral, bem atrás do Kicks

Durou pouco mais de cinco anos o casamento entre a Hyundai e a Caoa depois que o fabricante coreano começou a produzir a família HB20 em Piracicaba. Apesar de a Caoa ter salvado a imagem da Hyundai no Brasil (que era péssima devido aos maus tratos que sofreu do Grupo Garavelo, nos anos 1990) e de ter uma fábrica própria em Anápolis (GO), os coreanos não querem renovar o contrato.

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Comenta-se nos bastidores da indústria automobilística que uma das razões desse divórcio litigioso foi a decisão da Caoa de adquirir 51% das operações da Chery no Brasil, inclusive a fábrica de Jacareí (SP). Provavelmente foi mesmo. E se deu esse passo, é quase certo que o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade (cujas iniciais formam a sigla Caoa) já previa que a convivência com a Hyundai não fácil.

Com a chegada do New Tucson ao mercado, a Caoa passou a fabricar e vender três gerações do mesmo carro juntas
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Com a chegada do New Tucson ao mercado, a Caoa passou a fabricar e vender três gerações do mesmo carro juntas

Atualmente, a Hyundai Motor Brasil produz a família HB20 e o Creta em Piracicaba (SP), enquanto a Hyundai Caoa fabrica os SUVs ix35 e New Tucson em Anápolis, além do caminhãozinho HD 80. O velho Tucson que fez a fama do carro no Brasil ainda é vendido nas concessionárias, mas a produção já foi encerrada.

Já a Caoa Chery faz o pequenino QQ e o SUV Tiggo 2 em Jacareí. Com 51% da operação, a Caoa Chery pretende ser a única montadora “genuinamente nacional”. Se o casamento com a Hyundai terminar – o que parece certo –, a Caoa pode produzir em Anápolis o Tiggo 7, que é um SUV maior.

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Para além disso, a Caoa também é responsável pela distribuição exclusiva de toda a linha de importados da Hyundai, como o SUV Santa Fe e os sedãs Elantra e Azera. Esses carros passariam também para as mãos da Hyundai Motor Brasil.

Mercado latino-americano

Ele é um sucesso no Brasil desde o início de sua fabricação, em 2012, mas ainda pode crescer muito na América Latina
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Ele é um sucesso no Brasil desde o início de sua fabricação, em 2012, mas ainda pode crescer muito na América Latina

É bem verdade que alguns executivos coreanos acharam muito estranho o fato de a Hyundai Caoa produzir e comercializar três gerações do Tucson ao mesmo tempo no Brasil. Afinal, o ix35 nada mais é do que a segunda geração do Tucson, porém com um nome diferente. E o New Tucson nada mais é do que uma nova geração do ix35, porém com o nome original. Mas não foi esse o motivo do divórcio no casamento Hyundai-Caoa.

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O verdadeiro motivo é o mercado latino-americano. Trata-se de uma região com vendas acima de 5 milhões de unidades/ano e que volta a receber atenção das matrizes devido aos altos preços das commodities, do crescimento global sólido e das condições financeiras acomodadas, razões suficientes para sustentar o crescimento verificado nas vendas de veículos leves na América Latina nos últimos meses. Os números do primeiro trimestre de 2018 confirmam a tendência de alta.

Desde que começou a fabricar oficialmente no Brasil, em 2012, a Hyundai já previa que o país seria sua porta de entrada para a América do Sul. A empresa tem uma fábrica também no México, onde produz o ix35, o Grand i10 (um hatch menor que o HB20), o Elantra e o sedã de luxo Sonata.

Com fabricação no Brasil e no México, o Kicks é o SUV mais vendido na América Latina, posto que poderia ser da Hyundai
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Com fabricação no Brasil e no México, o Kicks é o SUV mais vendido na América Latina, posto que poderia ser da Hyundai

E nesse jogo de gigantes não há espaço para uma parceria que, se foi boa durante muito tempo, poderia atrapalhar os planos de expansão da marca na América Latina. Afinal, carros que hoje estão sob a responsabilidade da Hyundai Caoa podem interessar muito em alguns dos 20 países da região. Pior ainda quando a associação Caoa Chery pode levar para essa nova empresa know how e tecnologia que os chineses ainda não dominam.

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O próprio HB20 tem muito espaço para crescer. Para se ter uma ideia, o HB20 segue de perto o Chevrolet Onix no Brasil, mas toma um banho quando se fala nas vendas da América Latina. Enquanto o Onix ocupa a liderança do mercado, com 54,8 mil emplacamentos no primeiro trimestre deste ano, o HB20 é apenas o oitavo colocado, com 24,2 mil.

Quando vamos para o atraente segmento de SUVs, o problema da Hyundai para a ser a Nissan. Enquanto o Kicks (produzido no Brasil e no México) é o SUV mais vendido da América Latina, em 12º lugar no ranking geral, com 21,3 mil emplacamentos, o primeiro SUV da Hyundai é o Creta e está na discreta 27ª posição, com 13,1 mil vendas.

Finalmente, verdade seja dita, mais do que brigar com a Caoa, a Hyundai deveria erguer uma estátua para Carlos Alberto de Oliveira Andrade. Se não fosse sua ousadia financeira, seu tino comercial e sua capacidade de vender carros, a marca Hyundai nem sequer existiria no Brasil. Todos que tentaram antes falharam.

Quando a Caoa assumiu a marca, finalmente os brasileiros passaram a conhecer os carros da Hyundai e a reconhecê-los como produtos de alta confiabilidade, como vieram comprovar com o Hyundai Tucson, o ix35 e depois com o HB20.

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