Parece, mas não é: conheça as réplicas do Brasil

Fabricantes revivem modelos clássicos com mecânica moderna; tem até Porsche flex

Thiago Vinholes | 25/5/2012 10:50

Americar Classic
Americar

A réplica brasileira do Ford GT40 usa motor V8 da Ford Racing. Ele pode ser ajustado para gerar mais 500 cv

Um automóvel clássico original é um objeto de consumo de valor imensurável. Quanto mais autêntico nos detalhes, mais caro e exclusivo ele será. Esse tipo de carro também exige extrema dedicação do proprietário e cuidados mecânicos especiais com mão-de-obra específica e peças de reposição que deixaram de ser produzidas há décadas. Definitivamente, é muito difícil ter uma joia deste quilate na garagem.

Muito mais fácil é ter uma réplica, em especial no Brasil. O país é considerado um dos expoentes no ramo de recriar carros dos sonhos de uma forma mais em conta e, sobretudo, prática. O que dizer de um Porsche 550 – o carro eternizado pelo acidente de James Dean – com motor flex? Pois é isto que a Chamonix, especialista em reproduzir clássicos da marca alemã, faz e muito bem em seu galpão em São Paulo (SP).

“Antes da crise econômica mundial vendíamos mais carros para o exterior do que no mercado brasileiro. Hoje o quadro está virando”, revela Carlos Machado, um dos proprietários da Chamonix. “Por aqui o povo ainda faz vista grossa para esse tipo de veículo. Eles preferem os originais, que são mais caros e só dão trabalho”. A réplica brasileira do 550 tem motor 1.8 VW (o famoso AP da VW) e a carroceria é moldada em fibra de vidro. “Com essa configuração o carro pode ser consertado em qualquer oficina. Se bater, um especialista em fibra dá conta do recado”, explica Machado. Outros carros da empresa, por sua vez, usam o motor do Fusca – pequenos fabricantes no Brasil ainda produzem os motores boxer do antigo Volkswagen, assim como os AP que eram usados no Gol e Passat (nos anos 1980 e 1990).

Chamonix
Chamonix

A réplica do Porsche 550 possui chassi tubular e carroceria de fibra. Já o motor pode ser até flex

O motor do Chamonix 550 pode ter até um módulo flex para assim ser abastecido com gasolina ou etanol. “Isso é um dos tantos detalhes que o cliente pode escolher”, conta o dono da marca, cujos produtos custam entre R$ 78.500 e R$ 82.400, na tabela mais recente.

Sonho americano

Outra empresa de destaque no ramo é a Americar Classic, que monta em Santo André (SP) réplicas de clássicos da Ford, Jaguar, Chevrolet e até do mítico Shelby Cobra, um dos carros esportivos mais famosos da indústria norte-americana. “Todos os nossos carros são construídos em chassis tubulares de forma artesanal e podem ser personalizados de acordo com as opções do cliente”, conta Cleber Lopes, dono da fábrica e também membro ativo na linha de montagem. “Faço de tudo um pouco. Mecânica, suspensão, tapeçaria..”, conta.

Diferente dos Chamonix, os carros da Americar tem uma “pegada” mais bruta, a ponto de alguns serem indicados somente para uso em pista. Todos os produtos da empresa podem receber um variado leque de motores, a maioria com potência acima dos 100 cv. A reprodução do Chevrolet Coupé dos anos 1950, por exemplo, poder ser equipado com o motor 2.0 de Astra ou então o bloco 4.1 do antigo Omega. Já a replica do Jaguar XK tem a mesma mecânica do Vectra. “O bom é que qualquer mecânico sabe arrumar um motor GM”, aposta Lopes.

Shelby Cobra
Americar

Seu sonho é ter um Cobra? A réplica é infinitamente mais acessível que o modelo original, dos anos 1960

O modelo da Americar que mais chama atenção é a réplica do lendário Ford GT40, o carro que desbancou o domínio da Ferrari nas 24 Horas de Le Mans no final dos anos 1960 e estabeleceu uma nova hegemonia nos anos seguintes da categoria. “Esse carro é lindo demais com a pintura da Gulf (azul e laranja) e o motor pode ter mais de 500 cv”, salienta o dono da marca, que equipa o GT com propulsores importados dos Estados Unidos. “Esses motores são da Ford Racing”, completa.

Para excêntricos

No Brasil existe até uma fabricante que reproduz a peculiar Romi-Isetta, que foi o primeiro automóvel fabricado no Brasil em 1956. “Você nem imagina a quantidade de problemas que uma Isetta original pode ter. A réplica é muito melhor que o modelo antigo, ao menos em questão de praticidade”, exalta Américo Salomão, diretor da Romisettaria, que atende somente pedidos por encomenda.

A reprodução do Romi-Isetta, segundo Salomão, segue as especificações do modelo que foi produzido no Brasil – o carrinho teve diversas versões pelo mundo – e a construção da carroceria, como de praxe no segmento, é feita com fibra. Já o motor de 400 cc de 30 cv é de quadriciclo e fornecido pela chinesa Lifan Motors. “Escolhi esse motor pois possibilita acoplar um câmbio com marcha ré. Nas versões anteriores, com motor de moto, a ré era elétrica, o que depois causou alguns problemas”, explica o fabricante.

Romi-Isetta
Romisettaria

Assim fica fácil: a reprodução da Romi-Isetta custa R$ 31.000 e tem 6 meses de garantia

Enquanto um Isetta original pode chegar a custar mais de R$ 90.000, a réplica do clássico carrinho custa R$ 31.000 e tem garantia de 6 meses.

Como identificar uma réplica?

Nem mesmo a mais perfeita das réplicas de um determinado carro consegue se passar por 100% original. O visual raramente é diferente, mas pode acontecer alguma mudança estética por conta de soluções estruturais encontradas pela fabricante. Por isso, pode acontecer da reprodução ter medidas diferentes na comparação com o modelo autêntico. Para perceber isso é preciso conhecer bem o modelo original e ter olhos atentos.

O material utilizado na construção da carroceria raramente é um composto de liga metálica – todas as réplicas desta reportagem são de fibra de vidro -, por isso bater de leve no material é uma boa forma de descobrir sua procedência. Outra forma de identificação está nas especificações dos vidros. Nenhum Porsche ou Cobra originais, por exemplo, possui um para-brisa “made in Brazil”, como acontece nas cópias.

Há alguma restrição?

Réplicas construídas no Brasil, após inspeção, são emplacadas na categoria de “veículos artesanais” do Detran. Pagam IPVA e para guiá-las é preciso ter habilitação. Tudo normal. A única exceção são os possíveis defeitos de fabricação, principalmente de acabamento, que esse tipo de veículo pode apresentar com o tempo, uma vez que não são submetidos aos rigorosos testes de qualidade de grandes montadoras.

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