De cara nova, o Chevrolet Onix ficou mais equipado e o motor 1.4 faz até 14,9 km/l na estrada. Só que parte de R$ 44.890

Atualizar o carro mais vendido do país é sempre um desafio. O que a General Motors poderia fazer para manter o Chevrolet Onix  na liderança? Apostaram em mais equipamentos, melhorias nos motores atuais e um novo design, mais próximo da segunda geração do Cruze. Como nem tudo são flores, também ficou mais caro, e agora custa R$ 44.890 em sua configuração mais básica.

Mas há um motivo para encarecer: abrir distância em relação à versão mais barata do Chevrolet Onix , que não receberá as mudancas no visual do resto da linha e virá o mais simples possível. Esse modelo será apresentado apenas na semana que vem, então a General Motors preferiu focar no Onix mais completo e com motor 1.4 – nem ao menos divulgaram qual é o rendimento do hatch com o motor 1.0 de entrada.

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O test-drive foi feito pelas serras gaúchas na região de Gramado (RS), com uma chuva que ia e vinha o suficiente para manter as pistas sempre molhadas e, em alguns momentos, até atrapalhar na visibilidade. O percurso foi todo feito pelas estradas. E o carro da vez foi o Chevrolet Onix LTZ 1.4, sua versão mais completa, mas equipado com o novo câmbio manual de seis marchas, com preço sugerido de R$ 54.490.

Nesta configuração, o Chevrolet Onix vem com tudo que tem direito. Ar-condicionado, computador de bordo, faróis de neblina, vidros e retrovisores elétricos, sensor de estacionamento (câmera de ré só no Prisma ), rodas 15” de alumínio com pneus verdes 185/65, e central multimídia MyLink de segunda geração, com tela de 7 polegadas sensível ao toque e com espelhamento de celular via Android Auto e Apple CarPlay.

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A única mudança no design desta versão para a LT é que os faróis contam com uma linha de LED – que, por ser bem fraco, não vale como iluminação diurna em estradas, então é necessário usar o farol baixo do mesmo jeito. Fica mais para dar um charme para o hatchback do que para ser útil no dia a dia. Tirando isso, todo o visual é o mesmo. Algo bom, já que o Chevrolet Onix está bem melhor com essa cara.

Manual ou automático? Manual!

Quem gosta de mais esportividade precisa comprar essa versão. Não que o Chevrolet Onix seja realmente um esportivo, mas o câmbio de seis marchas casa muito melhor com o motor 1.4 de 106 cv a 6.000 rpm e 13,9 kgfm a 4.800 rpm. A transmissão automática GF6, de seis marchas, é muito anestesiada e continua lenta nas trocas de marchas (mas falarei melhor sobre isso em outra oportunidade, na avaliação do Prisma automático).

A sexta marcha do novo câmbio serve para manter o consumo mais baixo nas estradas. Passou de 90 km/h, engate a sexta e vá com calma. Dependendo de como estiver o trânsito, a média de consumo pode ser muito boa. O Inmetro diz que o Chevrolet Onix faz 14,9 km/l na estrada e 12,5 km/l na cidade, com gasolina. Na viagem, o computador de bordo registrou 15,5 km/l, sem usar a sexta marcha (como chovia, preferi manter o motor em uma boa faixa de torque).

A direção elétrica progressiva e a recalibração da suspensão deixou o Chevrolet Onix muito mais esperto e divertido. Novamente, o bom desempenho do motor 1.4 com o câmbio manual de seis marchas tem grande parte nisso. É fácil manobrar e fazer ultrapassagens, pois o volante ganha peso na medida certa e não há pontos mortos ao virar para um dos lados. É uma das melhores mudanças do Onix.

No entanto, embora a General Motors tenha corrigindo algumas reclamações, ainda pecam muito na ergonomia. O puxador da porta, antes em uma péssima posição, foi alterado. Mas só nas portas dianteiras, as traseiras continuam com um puxador baixo e com comandos dos vidros lá embaixo – duas posições bem ruins para quem viaja nos bancos traseiros. Faltou cuidado com isso.

A central multimídia MyLink casa bem com qualquer celular inteligente, mas revela outro grande problema: se não estiver conectado a algum aparelho, não tem nada de mais. Para usar um sistema de navegação por GPS, ou temos que conectar um celular para usar o Google Maps ou, no caso das versões LTZ, usar o OnStar para dar instruções de voz. Nenhuma das duas opções é o ideal para o dia a dia. O OnStar fala pouco e dá apenas uma pequena indicação na tela antes da curva, enquanto a conexão com o Maps pode cair junto com o sinal do celular.

Alguns erros foram herdados. O banco traseiro é inteiriço, o que complica na hora de rebater para ter mais espaço de carga. Ou carrega alguma coisa grande, ou carrega pessoas, nunca um ou outro. O assento do meio continua sem cinto de três pontos ou encosto de cabeça. A tela do sistema multimídia fica muito baixa, em uma posição que o braço do motorista tampa toda a visão. Para ver alguma coisa, tem que tirar o braço do volante e olhar mais para baixo.

Para quem já estava de olho no Chevrolet Onix e vai aproveitar um dos feirões de fábrica que a GM faz, o carro ainda é uma boa pedida. Ficou mais econômico e mais gostoso de dirigir. O preço vai assustar muita gente. Afinal, um carro que custava R$ 39 mil agora parte de R$ 44.890. Se quer uma pechincha, melhor esperar mais alguns dias até o lançamento da versão de entrada.

*Viagem a convite da General Motors

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