Sedã ganha novo design e mais equipamentos. E quer conquistar pela relação entre custo e benefício na briga com rivais da Audi, BMW e Mercedes-Benz

A Ford encontrou um bom nicho com o Fusion. Tem tamanho de sedã grande, mas com um valor de venda mais em conta do que seus concorrentes do segmento premium, como Audi A4 , BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C . Essa estratégia segue com a versão renovada, que chega às concessionárias em outubro, a partir de R$ 121.500, com motor 2.5 Duratec Flex, de 175 cv, ou com o 2.0 turbo de 248 cv, a partir de R$ 125.500.

 Uma das novidades da linha 2017 do Ford Fusion é a configuração 2.0 EcoBoost SEL, que tem um objetivo simples: chamar atenção de quem está considerando um Honda Civic 1.5 Touring , vendido por R$ 124.900 . O argumento é bom: pelo mesmo preço, você leva um sedã maior em comprimento e espaço interno, mais potente e com bom nível de equipamentos, embora não tenha tudo o que é oferecido no Civic na configuração topo de linha.

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Entretanto, apesar do sedã da Ford ter recebido retoques no desenho, as mudanças foram bem pontuais. Na frente, tem que prestar atenção para notar que a grade está um pouco alongada e com o contorno cromado. Os faróis também cresceram um pouco, agora com assinatura em LED e, na configuração mais cara, com lâmpadas Full LED. A traseira será o alvo de polêmicas, graças ao novo friso cromado que atravessa a tampa do porta-malas e as lanternas.

O interior segue o mesmo, com alterações pontuais causadas pela adição de novos equipamentos. A central multimídia, por exemplo, usa uma tela de 8 polegadas sensível ao toque e está configurada para utilizar o novo sistema SYNC 3. Não há uma alavanca de câmbio no console central. No seu lugar, encontramos um botão giratório que serve como seletor de marcha, da mesma forma que os carros da Jaguar Land Rover. O volante é o mesmo de diversos modelos da fabricante, como o crossover Edge e a picape Ranger .

Esportivo? Nem tanto...

Ford Fusion 2017
Divulgação
Ford Fusion 2017

Ok  o Fusion tem bom fôlego. O motor 2.5 Duratec gera 175 cv e nada desprezíveis 21,4 kgfm de torque a 4.500 rpm, com etanol, enquanto o 2.0 EcoBoost conta com 248 cv e consideráveis 38 kgfm de torque a 3.000 rpm, apenas com gasolina. Na prática, embora tenha boa relação peso-potência (8,9 kg/cv no 2.5 e 7,3 kg/cv no 2.0 turbo), o que favorece as acelerações e retomadas, a suspensão é mais voltada para o conforto, fazendo a carroceria inclinar nas curvas e balançar acima de 100 km/h. Portanto, nesse aspecto faltou um ajuste mais voltado à esportividade.

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Apesar disso, o Fusion esbanja tecnologia. Um dos novos recursos é a grade ativa do motor, que fecha a entrada de ar para melhorar a aerodinâmica. As alterações na mecância foram o suficiente para melhorar o rendimento, porém em uma pequena margem de 7%. O motor 2.5 flex faz 6 km/l na cidade e 8,5 km/l na estrada, com etanol. Se usar gasolina, sobe para 8,5 km/l e 12,3 km/l, respectivamente, de acordo com os números do Inmetro. Para o motor 2.0 EcoBoost, os números mudam para 8,6 km/l na cidade e 11,7 km/l, ainda de acordo com o Inmetro. No curto teste-drive que fizemos, o computador de bordo marcava 7 km/l na combinação cidade/estrada, embora seja normal já que, em muitos momentos, dirigimos com uma pegada mais forte.

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Na cidade, o Fusion se comporta bem. Roda macio e consegue mitigar a maioria dos buracos da via. Uma boa notícia é que aumentaram a altura em relação ao solo em 15 milímetros, o suficiente para que não raspe mais em lombadas mais altas. Para quem quer desfilar por aí, o Fusion oferece muito conforto, como bancos com resfriamento e aquecimento.

Central multimídia Sync 3 está no Fusion 2017
Divulgação
Central multimídia Sync 3 está no Fusion 2017

A central multimídia SYNC 3 é bem mais rápida e intuitiva do que a anterior (traga logo para os outros carros, Ford!). Assim como Edge e Ranger, o Fusion tem piloto automático adaptativo. Coloque a velocidade no limite da via, escolha a distância em relação ao carro da frente e o sedã irá cuidar da aceleração e frenagem, seguindo o trânsito.

 Outro bom argumento da Ford é o quesito segurança. Vem de série com 8 airbags, controle eletrônico de estabilidade e tração e com os novos cintos traseiros infláveis – tecnologia que a Ford deixou disponível para outras fabricantes sem custo, mas que ninguém abraçou. Possui detector de pedestres e assistente de frenagem de emergência, parando o veículo completamente se o motorista não reagir em uma situação com risco de colisão. Recebeu nota máxima nos testes de colisão nos Estados Unidos.

Quem está de olho em um sedã executivo, pode encontrar um bom negócio no novo Fusion . A versão topo de linha, por R$ 154.500, pode ser um pouco demais, mas o modelo SEL por R$ 125.500 é capaz de surprir qualquer necessidade. Até mesmo a Ford sabe que a versão 2.5 Flex irá vender pouco, de olho em vendas diretas.  

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