Versão 2017 SUV muda da água para o vinho com mais desempenho. Confira nossa avaliação do carro com o motor 1.8 flex atualizado

Jeep Renegade 2017
Divulgação/Fiat-Chrysler
Jeep Renegade 2017

O título resume bem a experiência com a linha 2017 do Jeep Renegade . Não acredita?  Ao contrário do que normalmente acontece com mudanças de ano-modelo, a Jeep teve que se mexer um pouco mais para resolver as várias críticas sobre o fraco desempenho do motor 1.8 e.TorQ flex das versões de entrada. Aplicaram mudanças importantes, que aumentaram o rendimento energético e deixaram o SUV muito mais agradável de dirigir.

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Antes de entrar na parte técnica e falar do motor, vamos comentar sobre os novos preços. Agora partindo de R$ 72.990, na versão 1.8 básica, o Renegade ganhou uma nova configuração topo de linha para a motorização diesel, chamada Limited, que será vendida por R$ 97.990. Adiciona faróis de xenônio, banco de couro, tela TFT de 7 polegadas no painel, sensor de chuva e crepuscular e chave presencial. As demais configurações tiveram aumento pode chega chefar a R$ 2.000.

Os novos preços são justificados com os equipamentos a mais e as mudanças no motor 1.8 e.TorQ. Não é nenhum segredo que, até o modelo 2016, o Renegade com essa motorização era decepcionante. Capaz de gerar 132 cv e 19,1 kgfm de torque, com etanol, sofria para tirar os 1.393 kg do SUV do lugar. Quando embalava, não era ruim, desde que o motorista soubesse trabalhar para manter o motor em alta rotação.

Não é mais assim. O 1.8 e.TorQ EVO foi revisado e agora gera 139 cv e 19,3 kgfm, com etanol. Não é muito, é verdade, mas não é nos números que encontramos a diferença. O motor foi equipado com um coletor de admissão variável que funciona como se tivesse dois coletores. Em baixa rotação, o ar vai até os cilindros por um caminho mais longo, para favorecer o torque. Após os 4.000 giros, uma aleta muda o caminho do ar, fazendo um trajeto mais curto para fornecer potência.

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Essa solução faz toda a diferença. Com uma curva de torque mais linear e que aparece mais cedo, o Renegade 1.8 flex não tem mais medo de encarar subidas ingrimes. Em algumas ladeiras em São Paulo, tinha que usar a primeira marcha. No teste drive em Florianópolis (SC), dei uma escapada do roteiro para ir até o Mirante da Lagoa, na região de Lagoa da Conceição, onde há muitas vias subindo e descendo montanhas. Com exceção dos trechos mais inclinados, o carro não só escalava com facilidade como ainda me deixava trocar de marcha no meio da subida sem perder o pique.

Há um segredo para isso. No painel há um novo botão chamado Sport. Ao ativar essa opção, a injeção eletrônica é recalibrada para priorizar o desempenho. As respostas do acelerador são mais rápidas e, se equipado com o câmbio automático de seis marchas, as trocas acontecem mais tarde. Depois da escalada, basta desativar o Sport para voltar a economizar combustível. É o botãozinho mágico que, se não fosse pelas metas de rendimento do programa Inovar-Auto, estaria ativo 100% do tempo.

Faz até 11,2 km/l, diz a fabricante

Temos regras para melhorar o rendimento energético. Todas as fabricantes devem reduzir o consumo de seus veículos e, no caso do Jeep Renegade, havia muito espaço para melhora. De acordo com os dados do Inmetro, fazia 9,5 km/l no ciclo urbano e 10,9 km/l no rodoviário, e ganhou nota B no Conpet. Passou para nota A, capaz de render 10,6 km/l e 11,2 km/l, respectivamente, com câmbio manual de cinco marchas. Quando equipado com a caixa automática de seis marchas, tem um consumo de 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada.

Jeep Renegade 2017 recebeu melhorias no motor 1.8, que agora  tem sistema start-stop
Divulgação/Fiat-Chrysler
Jeep Renegade 2017 recebeu melhorias no motor 1.8, que agora tem sistema start-stop

Essa mudança é consequência das melhorias no motor. Com o novo coletor de admissão, a Jeep pode mudar o relação de marchas. Além disso, equiparam o carro com pneus superverdes, de menor resistência ao atrito e que reduzem o consumo em até 2%. Tanto o motor quanto a transmissão usam novo óleo, também de baixa resistência ao atrito, o que diminui a perda de energia. E ainda ganhou o sistema start-stop, que desliga o motor quando o carro está parado – o testo do Inmetro não contabiliza a redução de consumo causada pelo uso dessa tecnologia. Para quem usa etanol, boa notícia: não tem mais tanquinho para partida a frio. 

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Na prática, vi que esse consumo está bem perto do real. Quando guiei o Renegade com câmbio manual de cinco marchas, já encontrei uma bela diferença. Nos momentos em que exigi mais do motor, o computador de bordo acusava um consumo médio de 8,8 km/l. Bastou relaxar um pouco e conduzir de forma mais moderada para que o rendimento saltasse para 10,5 km/l pelo computador de bordo. Se tentasse economizar, tenho certeza que passaria dos 11 km/l.

Vale a compra?

Com certeza, agora dá para recomendar um Jeep Renegade 1.8. O motor deixou de ser uma decepção para trabalhar muito bem com o SUV, com um nível de consumo muito melhor – mas lembre-se de que o carro vai  beber mais do que um hatchback de entrada, apenas não obriga a passar no posto de gasolina com frequência. Tornou-se um negócio tão bom que os rivais terão que se mexer para responder de forma satisfatória. 

* Viagem feita a convite da Jeep do Brasil

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