Novo SUV compacto da Hyundai mostra atributos para brigar pela liderança. Veja nossas primeiras impressões do carro que chega a partir der R$ 72.990

Hyundai Creta
Nicolas Tavares/iG
Hyundai Creta

Quando digo que o Hyundai Creta é um dos lançamentos mais importantes do ano, não é nenhum exagero. O SUV é aguardado no Brasil desde 2012, quando o HB20 chegou ao País e já havia uma conversa de bastidores sobre uma versão SUV do hatchback. Quatro anos depois e um pouco mais afastado do compacto, o crossover finalmente está no País e com atributos o suficiente para gerar muita preocupação para a Honda e seu HR-V.

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Com preços partindo de R$ 72.990, o Creta aposta em uma estratégia oposta ao HB20 , que chegou mais caro do que os concorrentes e oferecendo mais equipamentos. Esse valor é exatamente o mesmo da versão mais em conta do Jeep Renegade e R$ 7.090 mais em conta que os R$ 79.900 do Honda HR-V na a configuração LX. As possibilidades vão subindo com o preço até os R$ 99.490 da versão topo de linha Prestige com motor 2.0 – perigosamente próxima do Jeep Compass de entrada, por R$ 99.990.

Traz alguns itens interessantes, como o sistema start-stop desde a versão entrada, para manter o rendimento em um valor aceitável.  Há alguns problemas nas configurações, como o controle de estabilidade e tração só aparecer na configuração vendida por R$ 78.290, ou o fato da central multimídia só estar disponível na versão topo de linha – não é nem opcional para as outras. Faltou também um teto solar.

Quem quiser o Creta na versão mais completa, com motor 1.6, terá direção elétrica, ar-condicionado, volante multifuncional com ajuste de altura e profundidade, bancos de couro com ajuste de altura para o motorista, sensor de estacionamento, controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis de neblina, piloto automático, vidros e travas elétricas, espelhos laterais com ajuste elétrico e seta integrada, assistente de partida em rampa, computador de bordo, monitoramento de pressão dos pneus e rádio com conexão Bluetooth e entrada USB. Custa R$ 85.240.

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Alguns itens ficam restritos para o modelo com motor 2.0, como as luzes de iluminação diurna em LED e saída de ar traseira, por R$ 92.490. Central multimídia com GPS, seis airbags, ar-condicionado digital, câmera de ré e acendimento automático dos faróis, só na versão topo de linha Prestige 2.0, por R$ 99.490. Em tempos que o Jeep Renegade oferece uma configuração completa para as duas motorizações, a Hyundai não seguir o mesmo caminho é ruim.

Mais ágil do que parece

No teste drive feito pela Hyundai em Florianópolis (SC), pude andar nas duas versões mais completas com os motores 1.6 e 2.0 – infelizmente, nenhum contato com o modelo com câmbio manual, disponível apenas nas duas configurações mais simples, com motor 1.6. O trajeto foi bem curto, de cerca de 50 km, dividido em três trechos para que cada jornalista do carro tivesse a chance de guiar um pouco. Não tiveram medo de incluir algumas subidas e vias mais acidentadas no trajeto.

Começo pela versão Prestige 2.0. Enquanto espero a liberação, observo o interior. O acabamento está muito mais para o Honda HR-V do que o para o Jeep Renegade , com muito plástico pelo painel. Nessa configuração, o interior combina as cores marrom e preto, algo que vai muito por gosto. Mesmo quem gosta da combinação achou estranho a enorme área na parte direita do painel, que ainda causa um problema: O porta-luvas fica baixo demais, batendo nos joelhos do passageiro caso esteja com o banco para frente.

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Logo nos primeiros momentos do teste drive consigo sentir que o motor 2.0 do Elantra casa muito bem com o Creta. Gera 166 cv  e 20,5 kgfm de torque a 4.700 rpm, quando abastecido com etanol. São bons números e muito bem controlados pelo câmbio automático de seis marchas. A transmissão não bobeava com as trocas e hesitou subir uma velocidade apenas em uma situação muito específica, em que comecei a acelerar mas tive que alivar um segundo depois.

Hyundai Creta
Divulgação/Hyundai Motor Brasil
Hyundai Creta

Guiando com calma no dia-a-dia, o Creta surpreende muito pelo conforto. O isolamento acústico é bom, sem que o som do motor invada a cabine em acelerações mais brandas. Com o pé embaixo, o ronco fica um pouco alto, mas nada comparado com os concorrentes com transmissão CVT. A suspensão bem acertada não transmite as irregularidades para os passageiros e não deixa a carroceria balançar demais em curvas de alta velocidade. Me atrevo a dizer que deu a sensação de ser ainda mais estável do que o HB20 , algo impressionante considerando o tamanho, peso e porte do SUV.

Antes de trocar para o modelo 1.6, parei um tempo para olhar bem para o design do utilitário. Mais quadrado do que o formato arredondado do HR-V, o Creta lembra muito o Tucson , principalmente pela grade maior e os faróis espichados. Não faz uma revolução como foi o HB20, mas também não deixa de ser agradável. Passa a impressão de ser bem maior do que realmente é, com 4,27 metros de comprimento e 2,59 m de entre-eixos. O espaço interno é um dos melhores atributos, com folga o suficiente para quem viaja nos bancos traseiros. Ponto positivo para o porta-malas, com capacidade para 431 litros, apenas 6 litros a menos do que o HR-V mas bem acima dos 260 litros do Renegade .

Confesso que fiquei preocupado em guiar o Creta 1.6 depois de andar no 2.0, temendo uma queda brusca na dinâmica. Mas o carro se mostrou muito bem ajustado, já que com  duplo comando variável de válvulas para admissão e escape, faz com que o SUV tenha um torque muito linear. Com 130 cv a 6.300 rotações e 16,5 kgfm de torque a 4.850 rpm, fica um pouco abaixo dos 139 cv e 19,3 kgfm do Renegade , mas com a vantagem de pesar menos: São 1.296 kg na versão manual e 1.359 kg na automática, contra os 1.393 kg do Jeep. 

O Creta 1,.6 não ficou devendo em nenhum momento, acelerando com valentia nas subidas e nas retomadas, mesmo com o carro relativamente cheio (com três jornalistas e um representante da Hyundai) . Para quem vai andar na cidade com muita calma, o 1.6 é mais do que suficiente e torna o 2.0 um pouco desnecessário – exceto por ter equipamentos exclusivos. Faltou apenas testar a versão com câmbio manual, indisponível no teste drive e que teremos que avaliar futuramente. 

Hyundai Creta
Divulgação/Hyundai Motor Brasil
Hyundai Creta

Por melhor que esteja no geral, há alguns problemas. O GPS integrado da central multimídia não funcionou bem, fazendo mais sentido usar a integração com celulares para espelhar um navegador melhor. Os freios traseiros são a tambor, o que atrapalha um pouco nas frenagens e piora pelo fato de alguns concorrentes usarem discos nas quatro rodas. Poderia melhorar os freios pelo menos nas versões mais caras.

Outro defeito é o consumo. Mesmo com start-stop, o Creta 1.6 manual faz 7,6 km/l na cidade e 8,2 km/l na estrada, com etanol. Com gasolina, sobe para 10,4 km/l e 11,7 km/l, respectivamente. É muito próximo dos 11,2 km/l do Renegade , que é bem mais pesado e tem apenas cinco marchas, e fica bem atrás dos 12,5 km/l do HR-V . O automático faz 10,1 km/l na cidade e 11,3 km/l na estrada. Por outro lado, o 2.0 faz mais bonito, alcançando os 10 km/l no ciclo urbano e 11,4 km/l no rodoviário. 

No geral, o Hyundai Creta tem um ótimo pacote. O preço está compatível com os rivais e tem um desempenho exemplar tanto com o motor 1.6 quanto com o 2.0. O design, aliado ao gosto que o brasileiro pegou pela marca coreana vai ajudar o SUV a ganhar as ruas com velocidade, esquentando a briga pelos utilitários compactos. Resta saber se a fábrica em Piracicaba (SP) terá capacidade para atender a demanda e se a Hyundai vai ouvir as críticas e resolver os defeitos que podem afastar o consumidor do Creta .

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