A redenção do Volkswagen Jetta

Sedã médio abandona o defasado motor 2.0 flex e se prepara para enfrentar as novas gerações de Honda Civic e Chevrolet Cruze

César Tizo | 29/1/2016 16:21

Volkswagen Jetta Comfortline 1.4 TSI

Dados técnicos
Preço
R$ 89.750
Velocidade máxima
203 km/h
0-100 km/h
8,6 s
Consumo urbano
10,4 km/l (gasolina)
Comprimento
4659 mm
Entre-eixos
2651 mm
Rodas
liga leve, aro 16"
Potência
150 cv (gasolina)
Tanque de combustível
55 litros
Porta-malas
510 litros

Entre 2005 e 2010 a Volkswagen ficou devendo um bom representante na categoria dos sedãs médios. Apesar de honesto, o Bora, um três volumes derivado da quarta geração do Golf, não era páreo para os bem mais avançados Honda Civic e Toyota Corolla, tanto que nem chegava a incomodar a dupla japonesa e os rivais.

Na mesma época, em 2006 para ser exato, a montadora começou a importar o Jetta do México. Um sedã bem mais moderno, logo de cara ele cativou pelo ótimo desempenho de seu 2.5 de 5 cilindros com 150 cv, que, apesar do ruído cativante, gostava de beber boas doses de gasolina para emitir sua bela sinfonia. O Jetta de dez anos atrás, contudo, era mais caro e brigava na época com Ford Fusion e companhia.

Já em 2011, finalmente, chegou a hora que todos esperavam: o Bora saia de cena para dar lugar à segunda geração do modelo. Mas toda aquela ansiedade foi freada com um belo balde de água fria. Apesar o ótimo conjunto, com bom espaço interno, dirigibilidade correta e design sóbrio, porém muito elegante, o Jetta resolveu herdar do Bora seu já defasado conjunto mecânico para as versões mais acessíveis. A sensação era que convivíamos com dois produtos, um apagado Jetta 2.0 flex e um excelente Jetta com o 2.0 TSI e seus mais de 200 cv de potência.

O turbo da virada

Só que agora, em 2016, a Volkswagen resolveu corrigir essa carência do Jetta. A partir de fevereiro o Jetta passa a contar com o eficiente 1.4 TSI (turbo com injeção direta) nas versões Trendline e Comfortline. O propulsor é o mesmo que equipa o Golf fabricado no Brasil, também terá 150 cv, porém, ao contrário do hatch médio, só vai aceitar gasolina. “O 1.4 TSI do Jetta será importado e, por uma questão de aplicação do motor nós optamos por deixá-lo somente a gasolina”, explica José Loureiro, da área de engenharia da marca.

Oferecido com câmbio manual ou automático (o mesmo do Golf nacional), ambos com 6 marchas, o fato do Jetta aceitar apenas o combustível derivado do petróleo o ajuda a obter boas parciais de consumo. Segundo dados da VW, o Jetta 1.4 TSI manual é capaz de percorrer 11,3 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada, números que caem para 10,4 e 13,8 km/l, respectivamente, no caso do automático. O Jetta não dispõe de start-stop em nenhuma de suas versões porque o recurso não é previsto em sua plataforma (PQ35).

Já na hora de acelerar a diferença do Jetta 1.4 TSI em relação ao 2.0 flex é cabal. Com o novo motor turbo, o sedã precisa de 8,6 segundos para alcançar 100 km/h e segue até 203 km/h de velocidade máxima, números válidos para os dois tipos de transmissão. Para quem está ao volante, o carro parece muito mais desenvolto nas respostas, além de oferecer retomadas bem mais agressivas em relação ao 2.0 flex, como era de se esperar. Só na potência houve um ganho de 30 cv, enquanto o torque foi ampliado em expressivos 7,1 kgfm.

Agora é possível explorar bem mais o ótimo acerto dinâmico do sedã médio da Volkswagen, que também passa a contar com direção elétrica progressiva de série. Vale destacar que, a partir de 2013, mesmo o Jetta de entrada também conta com suspensão traseira independe multibraço, o que ajuda em uma tocada mais esportiva e também no conforto para os passageiros. No campo da segurança, um avanço importante do Jetta 2016 é que todas as versões passam a contar com o controle de estabilidade e o bloqueio eletrônico de diferencial de série. 

Motor melhor, preço maior

Mas claro que, como já nos ensina a vida, não existe almoço de graça e os preços também acompanharam a evolução do Jetta. O sedã na versão de entrada Trendline 1.4 TSI manual, que segue importada do México, parte de R$ 78.230. Já com o câmbio automático de 6 marchas, o valor sobe para R$ 83.630. Essa mesma configuração, ainda com o 2.0 flex, custava R$ 75.290.

De série o Jetta Trendline até que é bem equipado, saindo de fábrica com ar-condicionado, rodas de liga leve aro 16”, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, alarme, volante com regulagem de altura e distância e central multimídia Composition Touch, que já conta com os sistemas Android Auto e CarPlay, da Apple.

Já a opção intermediária Comfortline, que só é oferecida com câmbio automático e fabricada no Brasil, chegará às lojas por R$ 89.750, um aumento considerável frente aos R$ 80.790 que custava anteriormente. Entre os itens de série ela acrescenta revestimento de couro (preto ou bege), borboletas para troca de marcha no volante e cruise control. Há uma boa oferta de opcionais para a versão, com destaque para o pacote Exclusive, que acrescenta a central multimídia Discover Media com navegador e comandos por voz, sistema de abertura e partida do carro keyless, ar-condicionado digital de duas zonas, sensor de chuva e rodas de liga leve aro 17".  

Por fim, o Jetta Highline, que segue com o 2.0 TSI de 211 cv e importado do México, sofreu um pequeno reajuste na linha 2016 e agora é tabelado em R$ 103.990 (R$ 102.990 até a linha 2015). Versão que responde atualmente por 40% do mix de vendas, o Jetta topo de linha acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos e alcança 241 km/h de velocidade máxima.

A Volkswagen, com isso, já se prepara para enfrentar um ano quente na categoria do Jetta, uma vez que as novas gerações do Honda Civic e do Chevrolet Cruze chegarão em breve ao mercado. Assim como o VW, o Cruze também terá como destaque um novo motor 1.4 turbo, enquanto o Civic vai apostar em seu 1.5 turbo com potência na casa de 170 cv. A disputa promete ser bonita!

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