Celer não é pelado, mas vem mal vestido

Compacto da Chery vem importado da China com uma vasta lista de itens, mas a qualidade...

Thiago Vinholes | 28/3/2013 11:20

Chery Celer 2013 1.5 16V flex 4p manual

Dados técnicos
Preço
R$ 35.990
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
160 km/h
0 a 100 km/h
0 s
Consumo urbano
0 km/l
Potência
108 cv
Torque
14 kgfm
Porta-malas
380 litros
Veja ficha técnica completa

A Chery Automobile, uma das maiores fabricantes de automóveis da China, tem uma nova carta para apostar no mercado brasileiro e desta vez com mais cacife. O compacto Celer, que será fabricado no País em 2014, é o carro que pode representar a virada da marca no Brasil, uma das empresas que mais sofreu com as novas regulamentações para carros importados, com queda superior a 50% em 2012. “Esse carro foi totalmente adaptado para o mercado brasileiro. Efetuamos mais de 150 mudanças para ele ficar como os brasileiros preferem”, contou Luis Cury, vice-presidente da montadora chinesa no mercado nacional. Será que desta vez embala?

Concorrente da JAC Motors na China, a Chery trouxe a rivalidade para o Brasil desta vez com um produto mirando bem no “joelho” do principal carro de seu concorrente conterrâneo, o J3. O Celer segue a mesma proposta do carro da JAC, o “inesperado”, com uma extensa lista de equipamentos de série por um preço competitivo. O que é muda é o slogan da propaganda: a Chery branda “completamente completo” e o “fim do carro pelado”.

E o Celer tem muita coisa em comum com o J3, além do vasto conteúdo. Ambos são apenas razoáveis, quando não ruins em determinados pontos. O visual, assinado pelo estúdio italiano Torino Design, é até interessante no começo, mas com o tempo soa desproporcional. A traseira é estreita, a frente bicuda e a distância entre-eixos de 2,52 metros, embora seja boa para proporcionar maior espaço interno, deixa o carro desajeitado. Gostando ou não, o carro mudou na China, embora a marca não tenha dito durante o evento quando isso ocorrerá aqui.

O lançamento da Chery custa quase o mesmo que o J3 na versão hatch – R$ 35.990 contra R$ 34.990 (o novo J3 com motor 1.5 custa R$ 37.490) – e empata na versão sedã – R$ 37.990 -, o que mostra a clara intenção da Chery em incomodar a JAC, que não deve ficar parada.

O acerto chinês que nunca acerta

Nenhum carro chinês à venda no Brasil possui um acerto de suspensão, freios, direção, motor e câmbio digno de tornar a condução do veículo plenamente confortável e segura. O Celer, que é fabricado em Wuhu, no leste da China, não foge à regra.

O ajuste de suspensão do Celer é daqueles que fazem a traseira do carro balançar constantemente, não importa a velocidade. Nas curvas e freadas esse efeito é ainda mais forte e pode até assustar na necessidade de uma manobra mais rápida. O acionamento do pedal também é totalmente fora do comum, com curso longuíssimo. A ação de frenagem só é realmente sentida com o pé totalmente fincado no assoalho.

Já o motor 1.5 16V, com sistema bicombustível, rende até 108 cv com etanol, mas ainda não é o suficiente para acelerar o carro, de 1.200 kg, com vigor ou certa desenvoltura. Na estrada o carro deixa a desejar em retomadas e demora para ganhar velocidade. Segundo a Chery, a velocidade máxima é de 160 km/h.

O acerto do câmbio também não é dos melhores, com marchas ou muito curtas ou muito longas, fora o manejo “molenga” da alavanca manual com 5 velocidades. No final do test-drive, de cerca de 80 km, o computador de bordo apontou consumo rodoviário de 13 km/l, um bom número com etanol.

Interior com cheiro de plástico

A cabine do Celer é espaçosa, graças a longa distância entre-eixos, e leva tranquilamente quatro pessoas em uma longa viagem – um quinto ocupante já causa certo aperto. O porta-malas tem capacidade mediana, de 390 litros no hatch e 450 l no sedã, e vem todo revestido, sem deixar qualquer vestígio de lataria exposto. O desenho do painel é interessante, apesar do cluster misturar relógios com desenhos “jurássicos” a uma moderna tela digital para o computador de bordo, e o conjunto geral agrada pela ergonomia, com bom espaço para se mexer no interior, uma boa quantidade de porta-objetos e bancos confortáveis. Mas a qualidade...

O painel pode ser bonito, mas o plástico que a Chery escolheu para construí-lo não é nada bom. A aparência é estranha. Ele brilha como se estivesse banhado em óleo, mas não está, e o cheiro da química do material é muito forte e incomoda. Pelos assentos, linhas soltas no tecido dão pistas de que o acabamento pode se desfazer com o tempo.

A lista de itens

Resta ao Celer agradar com seus itens e equipamentos, que não são poucos. Já antecipando a legislação de 2014, o modelo vem com freios ABS e airbags frontais. A lista continua com ar condicionado, direção hidráulica, faróis de neblina, rodas de liga leve aro 15”, trio elétrico, computador de bordo e outros mimos como chave canivete e até acendedor de cigarro.

O plano da Chery é vender até 7.000 unidades do veículo (hatch e sedan) neste ano, ainda na fase com o modelo importado da China apostando forte em publicidade, principalmente com comerciais provocando a concorrência. Em 2014, o produto entra em uma nova etapa, desta vez com produção nacional em Jacareí (SP), na qual a marca promete manter o bom conteúdo e os preços competitivos. Que a mudança traga melhorias na qualidade do Celer, que neste formato não é bom nem aqui nem na China.

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