Chevrolet Cobalt: nascido para a classe C

Sedã mira em público cansado dos populares básicos e tem bons argumentos para vender bem

Ricardo Meier | 8/11/2011 14:17

Chevrolet Cobalt 2012 LTZ 1.4 8V flex 4p manual

Dados técnicos
Preço
R$ 45.980
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
170 km/h
0 a 100 km/h
11,9 s
Consumo urbano
km/l
Potência
97 cv
Torque
12,8 kgfm
Porta-malas
563 litros
Veja ficha técnica completa

Quando um automóvel não agrada, a culpa geralmente recai sobre um indivíduo em especial, o designer-chefe da montadora. É dele o ônus por um acabamento ruim, por um motor fraco e gastão e, claro, por um estilo sem graça.

A constatação simplista está longe da verdade, afinal uma indústria desse gênero emprega milhares de pessoas e a concepção de um veículo passa por uma maratona de testes, avaliações e cálculos que influenciam diretamente no resultado final. E, geralmente, o criador do carro é o mais prejudicado nesse processo, que vê sua cria desfigurada com o tempo.

Vejamos o caso da Chevrolet. Quando a marca lançou o Agile há dois anos não faltaram críticas ao visual desproporcional do hatch nem ao acabamento pobre, mesmo que o modelo tivesse um custo-benefício muito bom e itens de série que quase nenhum rival oferecia na época. De fato, o modelo trazia algumas heranças indesejadas como o eixo de direção deslocado para o centro e algumas peças de modelos como Astra e Classic.

Foi um período duro para a GM, que quase a levou à falência nos Estados Unidos e que transformou a filial brasileira em credora da matriz. Sem dinheiro para projetos mais sofisticados, não restou alternativa a não ser lançar o Agile com o que se tinha pronto na engenharia da empresa.

Agora, a montadora vive uma fase completamente diferente. Saiu fortalecida da crise e voltou a ter dinheiro para investir, tanto assim que nunca em sua história preparou tantas novidades em seu portfólio. É o caso do Cobalt, sedã compacto pelo preço, mas médio pelo porte.

Contemporâneo do Agile

Acreditem, apesar ter chegado no final de 2011, o Cobalt já tem quatro anos de vida. Foi o que revelou Carlos Barba, designer-chefe do braço sul-americano da GM. O sedã teve o desenho definido em 2007, ou seja, na mesma época do Agile e não seria exagero dizer que ambos nasceram sob uma mesma filosofia. Mas, enquanto o hatch foi vítima de um orçamento modesto, o Cobalt se beneficiou de matéria-prima mais selecionada.

Em vez da surrada plataforma do Corsa de 1994, a GSV, Global Small Vehicle, que dará origem também à sucessora das minivans Meriva e Zafira; no lugar das linhas e do para-brisa reto, uma carroceria com Cx (coeficiente aerodinâmico) de 0,32, muito bom para o segmento; e, diferentemente do apagado painel de instrumentos, a “dupla” velocímetro digital e conta-giros analógico emprestada do compacto Sonic.

E não foi só isso. O Cobalt tem interior de proporções equilibradas, materiais agradáveis ao toque e ergonomia superior. Mesmo sem ajuste de profundidade no volante, a posição de dirigir é facilmente encontrada. A GM, no entanto, destaca o espaço interno do carro, que seria maior que o do Vectra em volume. A impressão a bordo não é tão generosa, mas um bom sinal é o fato de o console central alojar dois porta-objetos bastante largos ao lado do freio de estacionamento.

No banco traseiro vão três pessoas com certo conforto, mas nada parecido com o que oferece o rival Logan. Em compensação, a Chevrolet fez mágica em relação ao porta-malas. Por fora não se imagina que existam 562 litros de volume, cerca de 10% a mais que alguns modelos grandes como o Siena e o Fiesta Sedan.

Fôlego em dúvida

As boas surpresas do Cobalt continuam a surgir quando andamos com o sedã. Engatamos a 1ª marcha e logo percebemos que a alavanca desliza com mais facilidade pelas engrenagens, resultado de uma modernização no sistema – trata-se do mesmo câmbio de outros pequenos da Chevrolet.

Não exibe a mesma precisão do câmbio MQ-200 da Volkswagen, referência no meio, mas é bastante confortável e deixa a direção prazerosa, sensação reforçada pela direção hidráulica leve e com respostas diretas. O motor é o mesmo 1.4 Econo.Flex do Agile, com 102 cv de potência utilizando etanol e com algumas melhorias na admissão e escape para se tornar mais silencioso.

Com duas pessoas a bordo, o Cobalt mostrou certa desenvoltura, porém, não se pode acreditar nesse fôlego todo com cinco pessoas mais bagagens, situação para a qual o modelo foi projetado. Talvez a vinda do motor 1.8 Econo.Flex sirva como referência de performance. Enquanto isso, o Chevrolet pode penar frente aos demais modelos da categoria, que usam propulsores 1.6 litro, como o Logan, Voyage, Siena e Versa.

Cansados de Prismas e Classics

A GM fez questão de explicar que o Cobalt nasceu para a classe C emergente. São famílias que estrearam entre os carros novos com modelos como o Prisma e o Classic, compactos populares, baratos, mas desprovidos de qualquer conforto ou equipamentos. Segundo a montadora, essa parcela do consumidor deseja carros com acabamento mais refinado, mais espaço interno, itens como direção assistida, vidros elétricos, ar-condicionado e um pós-venda decente.

Daí o Cobalt sair de fábrica com parte desses equipamentos desde a versão mais simples, LS (veja todos os preços), oferecer conforto, visual mais sofisticado e garantia de três anos. Não por acaso, quase todas as bandeiras do Logan, sedã que desde 2006 buscou mudar os valores desse segmento. A vantagem é que o Chevrolet faz isso com uma boa dose de estilo, aí sim, por mérito do designer, façamos justiça.

PESQUISE CARROS

RANKING

Veículos mais vendidos - maio de 2013

Pos. Modelo Vendas
Volkswagen Gol 19.955
Fiat Uno 18.352
Fiat Palio 15.474
Ford Fiesta 11.395
Fiat Strada 11.083
Fiat Siena 10.748
Chevrolet Onix 10.184
Hyundai HB20 9.620
Volkswagen Fox 9.025
10º Volkswagen Voyage 8.349
Veja ranking completo