Chevrolet Cobalt: nascido para a classe C
Sedã mira em público cansado dos populares básicos e tem bons argumentos para vender bem
Chevrolet Cobalt 2012 LTZ 1.4 8V flex 4p manual |
|---|
| Dados técnicos |
| Preço |
| R$ 45.980 |
| Capacidade |
| 5 passageiros |
| Velocidade máxima |
| 170 km/h |
| 0 a 100 km/h |
| 11,9 s |
| Consumo urbano |
| km/l |
| Potência |
| 97 cv |
| Torque |
| 12,8 kgfm |
| Porta-malas |
| 563 litros |
| Veja ficha técnica completa |
Quando um automóvel não agrada, a culpa geralmente recai sobre um indivíduo em especial, o designer-chefe da montadora. É dele o ônus por um acabamento ruim, por um motor fraco e gastão e, claro, por um estilo sem graça.
A constatação simplista está longe da verdade, afinal uma indústria desse gênero emprega milhares de pessoas e a concepção de um veículo passa por uma maratona de testes, avaliações e cálculos que influenciam diretamente no resultado final. E, geralmente, o criador do carro é o mais prejudicado nesse processo, que vê sua cria desfigurada com o tempo.
Vejamos o caso da Chevrolet. Quando a marca lançou o Agile há dois anos não faltaram críticas ao visual desproporcional do hatch nem ao acabamento pobre, mesmo que o modelo tivesse um custo-benefício muito bom e itens de série que quase nenhum rival oferecia na época. De fato, o modelo trazia algumas heranças indesejadas como o eixo de direção deslocado para o centro e algumas peças de modelos como Astra e Classic.
Foi um período duro para a GM, que quase a levou à falência nos Estados Unidos e que transformou a filial brasileira em credora da matriz. Sem dinheiro para projetos mais sofisticados, não restou alternativa a não ser lançar o Agile com o que se tinha pronto na engenharia da empresa.
Agora, a montadora vive uma fase completamente diferente. Saiu fortalecida da crise e voltou a ter dinheiro para investir, tanto assim que nunca em sua história preparou tantas novidades em seu portfólio. É o caso do Cobalt, sedã compacto pelo preço, mas médio pelo porte.
Contemporâneo do Agile
Acreditem, apesar ter chegado no final de 2011, o Cobalt já tem quatro anos de vida. Foi o que revelou Carlos Barba, designer-chefe do braço sul-americano da GM. O sedã teve o desenho definido em 2007, ou seja, na mesma época do Agile e não seria exagero dizer que ambos nasceram sob uma mesma filosofia. Mas, enquanto o hatch foi vítima de um orçamento modesto, o Cobalt se beneficiou de matéria-prima mais selecionada.
Em vez da surrada plataforma do Corsa de 1994, a GSV, Global Small Vehicle, que dará origem também à sucessora das minivans Meriva e Zafira; no lugar das linhas e do para-brisa reto, uma carroceria com Cx (coeficiente aerodinâmico) de 0,32, muito bom para o segmento; e, diferentemente do apagado painel de instrumentos, a “dupla” velocímetro digital e conta-giros analógico emprestada do compacto Sonic.
E não foi só isso. O Cobalt tem interior de proporções equilibradas, materiais agradáveis ao toque e ergonomia superior. Mesmo sem ajuste de profundidade no volante, a posição de dirigir é facilmente encontrada. A GM, no entanto, destaca o espaço interno do carro, que seria maior que o do Vectra em volume. A impressão a bordo não é tão generosa, mas um bom sinal é o fato de o console central alojar dois porta-objetos bastante largos ao lado do freio de estacionamento.
No banco traseiro vão três pessoas com certo conforto, mas nada parecido com o que oferece o rival Logan. Em compensação, a Chevrolet fez mágica em relação ao porta-malas. Por fora não se imagina que existam 562 litros de volume, cerca de 10% a mais que alguns modelos grandes como o Siena e o Fiesta Sedan.
Fôlego em dúvida
As boas surpresas do Cobalt continuam a surgir quando andamos com o sedã. Engatamos a 1ª marcha e logo percebemos que a alavanca desliza com mais facilidade pelas engrenagens, resultado de uma modernização no sistema – trata-se do mesmo câmbio de outros pequenos da Chevrolet.
Não exibe a mesma precisão do câmbio MQ-200 da Volkswagen, referência no meio, mas é bastante confortável e deixa a direção prazerosa, sensação reforçada pela direção hidráulica leve e com respostas diretas. O motor é o mesmo 1.4 Econo.Flex do Agile, com 102 cv de potência utilizando etanol e com algumas melhorias na admissão e escape para se tornar mais silencioso.
Com duas pessoas a bordo, o Cobalt mostrou certa desenvoltura, porém, não se pode acreditar nesse fôlego todo com cinco pessoas mais bagagens, situação para a qual o modelo foi projetado. Talvez a vinda do motor 1.8 Econo.Flex sirva como referência de performance. Enquanto isso, o Chevrolet pode penar frente aos demais modelos da categoria, que usam propulsores 1.6 litro, como o Logan, Voyage, Siena e Versa.
Cansados de Prismas e Classics
A GM fez questão de explicar que o Cobalt nasceu para a classe C emergente. São famílias que estrearam entre os carros novos com modelos como o Prisma e o Classic, compactos populares, baratos, mas desprovidos de qualquer conforto ou equipamentos. Segundo a montadora, essa parcela do consumidor deseja carros com acabamento mais refinado, mais espaço interno, itens como direção assistida, vidros elétricos, ar-condicionado e um pós-venda decente.
Daí o Cobalt sair de fábrica com parte desses equipamentos desde a versão mais simples, LS (veja todos os preços), oferecer conforto, visual mais sofisticado e garantia de três anos. Não por acaso, quase todas as bandeiras do Logan, sedã que desde 2006 buscou mudar os valores desse segmento. A vantagem é que o Chevrolet faz isso com uma boa dose de estilo, aí sim, por mérito do designer, façamos justiça.
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