Chevrolet Trailblazer agrada, mas preço assusta

Sucessor da veterana Blazer, novo SUV da GM finalmente alcança os rivais na categoria

Thiago Vinholes | 16/11/2012 14:25

Chevrolet TrailBlazer 2012 LTZ 3.6 24V gasolina 4p automático seq. 4x4

Dados técnicos
Preço
R$ 145.540
Capacidade
7 passageiros
Velocidade máxima
180 km/h
0 a 100 km/h
9,1 s
Consumo urbano
km/l
Potência
239 cv
Torque
33,4 kgfm
Porta-malas
235 litros
Veja ficha técnica completa

Há pelo menos sete anos a Blazer carrega o título de “carro ultrapassado” no Brasil. Em 2005, a Toyota mostrou o suprasumo do segmento dos SUVs derivados de picapes, a Hilux SW4, e então virou referência de qualidade na categoria no País, embora o modelo da GM tivesse a vantagem dos preços mais baixos, algo que a marca definitivamente não conseguiu manter na nova linha do utilitário-esportivo, agora rebatizado como Trailblazer.

A geração passada, descontinuada em dezembro de 2011, tinha preços na casa dos R$ 69.000 a R$ 76.000, de acordo com a mecânica, que é sempre mais cara com motor a diesel. A Trailblazer, que deriva da nova picape S10, custa incríveis R$ 145.450 na versão a gasolina e surpreendentes R$ 175.450 na versão turbodiesel. Assustado? Pois então entre em pânico! O novo modelo da GM é o veículo mais caro produzido no Brasil e, apesar do preço, está alinhado a realidade do segmento - a SW4 começa em R$ 146.642.

O Trailblazer é oferecido somente na opção de acabamento LTZ, que sempre designa as versões top de linha da GM no Brasil. A marca ainda descarta o lançamento de modelos mais simples, mas isso em breve deve ocorrer. É normal no mercado aparecerem primeiro as séries mais caras, que ficam mais bonitas nas capas das revistas e assim marcam presença. Depois que o produto já está com sua imagem consolidada vêm as versões “pé-de-boi” do carro.

E o jipão da GM, de fato, enche os olhos. O visual do veículo é interessante, como há muito tempo a Chevrolet não acertava, e chama muita atenção por onde passa. Durante o test-drive, que cobriu desde o tumultuado trânsito da zona sul de São Paulo até as estradas de terra de Mairinque, distante cerca de 250 km, a Trailblazer conduzida pelo iG Carros atraiu olhares de todos os cantos e fez muitos motoristas reduzir a velocidade para admirar o enorme SUV com quase 5 metros de comprimento e 2 m de largura. A Trailblazer também fez todo um comboio policial reduzir o ritmo na Rodovia Castelo Branco para uma espiadinha. Parece ter agradado.

No comando da “barca”

O iG foi a bordo da versão 3.6 V6 a gasolina, que é a opção para quem deseja um veículo enorme para viajar e com alguma aptidão off-road, mas que não abre mão do conforto pleno. Diferente do modelo diesel, esse é mais agradável de conduzir devido aos menores índices de ruído e vibração, além de ter respostas mais fortes de aceleração, afinal é um “seis canecos” com 239 cv e 33,5 kgfm de torque. Ainda em nome da comodidade, a Trailblazer é oferecida apenas com câmbio automático sequencial de seis marchas com tração 4x4 e reduzida.

A Trailblazer é uma “barca”. É um SUV com carroceria montado sobre chassis, uma concepção que vem desde o Ford T (SUVs modernos já feitos no formato monobloco), e por isso é muito pesado e um tanto desengonçado. O veículo, na versão V6, pesa 2.087 kg, mais que o dobro de um popular.

Ao pisar fundo no acelerador, o motor fala alto e leva um algum tempo para embalar toda a massa metálica do veículo, mas quando a velocidade de cruzeiro é alcançada o giro do V6 em média rotação (abaixo dos 3.000 rpm) é o suficiente para manter um regime razoável de consumo - o computador de bordo chegou a apontar médias de 10 km/l na estrada - e com pouco barulho. Quem dirigir atento ao funcionamento da transmissão também vai notar que o sistema opera de forma muito suave, com trocas sem trancos ou oscilações em qualquer ritmo.

Segundo a Chevrolet, o Trailblazer V6 acelera do 0 aos 100 km/h em 9,1 segundos e a velocidade máxima é limitada em 180 km/h - o modelo 2.8 turbodiesel de 180 cv acelera em 10,8 segundos e também alcança 180 km/h. Ao frear, no entanto, é preciso sempre se antecipar, pois o veículo é pesado e a distância de frenagem consequentemente aumenta. A suspensão do SUV também se mostrou um tanto “mole” para andar na cidade, mas a configuração, como se mostrou mais adiante no teste, é adequada para o uso no off-road.

Para aumentar a segurança, o Trailblazer vai além do trivial kit ABS-airbags e traz controle eletrônico de estabilidade e bolsas infláveis laterais.

Com tração 4x4, o veículo ganha instantaneamente mais estabilidade, reduzindo o risco de escapadas de traseira. Já para encarar “quebradeiras” o melhor a fazer é engatar a caixa de redução, o que também aciona o sistema de auxílio em descidas íngremes, tornando a operação praticamente automática. Mesmo com o motor a gasolina, o Trailblazer é um tanto capaz nesse tipo prova, embora o meio do assoalho seja um pouco vulnerável a arranhões em obstáculos mais complicados - é o chamado efeito “gangorra”.

Precisa mesmo ser tão caro?

O que deixa o Trailblazer caro são os motores e câmbios importados, a quantidade de equipamentos, o abuso dos impostos brasileiros e, talvez, uma pitada de exagero na margem de lucro da montadora. O problema é que o lançamento da GM não deixa uma impressão assim tão “premium” a ponto de seu preço beirar os R$ 180 mil.

A arquitetura da cabine é até interessante, pelo espaço e o conforto, mas o acabamento, com muitas superfícies de plástico, deixa a desejar. Outro ponto que desagrada é a central multimídia que parece um kit comprado na internet e instalado posteriormente. O equipamento parece deslocado no painel e não integrado ao conjunto. Além disso, a interface do sistema do sistema escolhido pela GM é complicada e as entradas auxiliares são todos no próprio aparelho, o que obriga a estender fios pelo console e o câmbio. Não é legal.

O plano da GM é vender entre 350 a 400 Trailblazers por mês no mercado brasileiro, sendo 80% no mix de modelos diesel e o restante para o V6, seguindo a mesma toada de seus concorrentes. Quem se arriscar a pagar esse bolo de dinheiro pode até encontrar um bom veículo, mas é bom saber que existem modelos importados (melhores) com o mesmo preço no mercado.

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