Cruze Sport6 agrada, mas é muito caro

Novo hatch da Chevrolet é o modelo mais equipado da categoria, só que tem preço de importado

Thiago Vinholes | 10/4/2012 11:40

Chevrolet Cruze hatch 2012 LTZ 1.8 16V flex 4p automático seq.

Dados técnicos
Preço
no disponvel
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
197 km/h
0 a 100 km/h
11,7 s
Consumo urbano
0 km/l
Potência
140 cv
Torque
17,8 kgfm
Porta-malas
402 litros
Veja ficha técnica completa

E a General Motors do Brasil, enfim, conta com um hatch médio realmente moderno no mercado. Adeus Astra e bye bye Vectra GT, o modelo da vez é o Cruze Sport6 (se fala “Sport Seis”), a versão dois volumes do sedã Cruze, que vem reconquistando os velhos fãs da Chevrolet, algo que o novo modelo também pode conseguir, desde que seus clientes estejam dispostos a gastar um caminhão de dinheiro.

Indo direto ao ponto, o Cruze hatch é o carro mais caro de sua categoria e a montadora não tem vergonha de assumir isso e tampouco faz questão de voltar a liderar o segmento, como fez durante anos com o Astra. E claro, há uma desculpa para isso. “O Cruze Sport6 é o carro mais equipado de sua classe desde a versão de entrada. Buscamos clientes que desejam um veículo de ponta”, apontou o confiante Gustavo Colossi, diretor de marketing da GM no Brasil, durante a apresentação do produto. Ele não exagerou.

O preço do Cruze Sport6 na versão LT, de entrada, começa em R$ 64.900 na opção com câmbio manual e R$ 69.900 com transmissão automática. Caríssimo. Agora para chutar o balde de vez, os valores da opção LTZ: R$ 77.400 para o modelo mecânico e R$ 79.400 para o automático. No entanto, a quantidade de itens presente do veículo manda a concorrência de volta para o passado.

Tome o fôlego e vamos à lista de equipamentos do Cruze Sport6 LT. Ele traz de série computador de bordo, sistema Isofix para prender cadeirinhas, direção elétrica, faróis de neblina, airbags frontais e laterais, freios ABS com EBD, controles eletrônicos de estabilidade (ESP) e tração, volante multifuncional, central multimídia com leitor de CD, MP3, plug USB, entrada auxiliar e Bluetooth e (ufa!), rodas de alumínio aro 17”. A versão automática ainda ganha bancos revestidos em couro e sensor de chuva.

O LTZ tem isso tudo e muito mais. Os features extras são espelhos retrovisores com rebatimento elétrico, airbags laterais do tipo cortina, maçanetas cromadas, sensor de estacionamento e de aproximação nas portas dianteiras (para abertura sem chave), navegador GPS integrado a central multimídia, sistema Start-Stop para acionamento do motor (keyless), teto solar e sistema de som “Premium”, segundo a GM.

Como se vê, é uma quantidade invejável de equipamentos, especialmente no campo de recursos para segurança que podem salvar vidas em acidentes. Mas eles não são nada baratos.

Impressões ao dirigir

O Cruze hatch mantém a boa dirigibilidade, mas a esportividade, como bem aponta o nome do carro, é mais psicológica do que de fato concreta. Aliás, o Cruze sedã, que não tem “Sport” na alcunha, acelera praticamente no mesmo ritmo do dois volumes (com uma desvantagem de poucos milésimos) e ambos atingem a mesma velocidade máxima: 204 km/h (com etanol). Mas Colossi tranquiliza: “Esportividade é diferente de esportivo”. Que assim seja.

O motor 1.8 16V Ecotec de 144 cv e 18,4 kgfm de torque máximo do sedã não teve um único parafuso alterado na passagem para o hatch, assim como o câmbio automático de 6 velocidades, que manteve inclusive as mesmas relações de marcha.

O comportamento dinâmico do veículo, embora tenha potencial devido a boa suspensão e freios, acaba contido pela eletrônica. Por exemplo, ao entrar forte em uma curva os controles de segurança cortam a força do motor e os freios (a disco nas quatro rodas) atuam de forma a recolocar o carro na trajetória correta e de forma mais civilizada. Já ao rodar na estrada, as sobremarchas mantêm o giro do propulsor abaixo de 3.000 rpm, reduzindo o consumo – a marca não divulgou os números de consumo.

É um carro, por assim dizer, pacato. O motor é silencioso e a transmissão mostra seu vigor somente nas quatro primeiras marchas. As duas restantes são as engrenagens chamadas overdrives, para conforto e redução de consumo de combustível. Logo, não “puxam”. Trata-se de um carro que não foi feito para arrancar suspiros de seus motoristas, mas isso não o torna ruim para o ir e vir, especialmente na cidade, onde se comporta de forma bastante suave. Quem quiser andar rápido a bordo de um Chevrolet terá de comprar um Camaro.

Levo ou não levo?

O Cruze hatch é gostoso de dirigir e também é muito bonito com seu desenho traseiro aerodinâmico, o que deve atrair muitos olhares. Para marcar ainda sua presença, a marca oferece o carro com 10 opções de cores, algo raro em seu segmento e no Brasil. Todavia, o preço, desde a versão de entrada, realmente é uma dura barreira a ser superada. Quem conseguir, não vai se arrepender.

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