Evoque ignora tradição e chá das 5

Crossover da Land Rover, o único da marca, tem comportamento de hatch, coragem de jipe e beleza de top model

Rodrigo Mora, de Liverpool, Inglaterra | 19/8/2011 12:29:00

Land Rover Range Rover Evoque 2012 Dynamic 2.0 16V gasolina 4p automático seq. integral

Dados técnicos
Preço
-
Capacidade
4 passageiros
Velocidade máxima
217 km/h
0 a 100 km/h
7,6 s
Consumo urbano
11,5 km/l
Potência
240 cv
Torque
34,6 kgfm
Porta-malas
575 litros
Veja ficha técnica completa

Guarde esta data: outubro de 2011. Trata-se do mês e ano em que a Land Rover começará de fato a vender o Evoque, carro que mudará drasticamente o rumo da empresa e que inicia um novo capítulo na sua história. Além de primeiro produto da marca a não ser um utilitário esportivo, o crossover também influenciará esteticamente os próximos lançamentos da montadora inglesa. Mais: atrairá novos clientes, sobretudo jovens. Com o Evoque, em vários sentidos, a Land Rover saiu do armário.

Estamos em Londres, onde belezas naturais e “automobilísticas” são frequentes. Facilmente encontramos Porsches, Mercedes e Jaguares azuis, vermelhos ou amarelos. Ainda assim, o Evoque se destaca. Seja qual for o ângulo, o crossover é incansavelmente belo. Não há uma cor, um conjunto de rodas ou quiçá um detalhe que nos tenha parecido morno, desproporcional ou desajeitado. Essa percepção vale para ambas versões, de duas e quatro portas, sendo a primeira a de mais personalidade. O único porém é a visibilidade traseira, bem limitada. É, inevitavelmente, uma concessão em favor do estilo.

Internamente, não há tanta ousadia quando do lado de fora. O que não significa tratar-se de um ambiente inóspito. Muito pelo contrário: luxo e conforto são merecedores da estirpe Range Rover, enquanto a ergonomia é quase irretocável. O seletor de marchas é uma solução estilosa e até prática, mas sem graça – um manche como o dos novos BMW seria mais instigante. Questão de gosto. Há espaço de sobra para quatro ocupantes, e se não houver ninguém na fileira de trás, pode-se afastar os bancos da frente até que as pernas fiquem totalmente esticadas, possibilidade um tanto rara. Quanto ao acabamento, nem Sherlock Holmes, com sua poderosa lupa, encontraria alguma rebarba ou falha em encaixes e costuras. Materiais de altíssima qualidade não foram economizados.

Embora o espaço interno não seja problema, os 575 litros do porta-malas (até o teto, provavelmente) talvez não atendam famílias de dois ou três filhos plenamente, especialmente nas viagens de longa duração (que demandam muitas bagagens).

Como anda e rasteja o Evoque

O visual do Evoque sugere uma dirigibilidade mais equilibrada – e ao mesmo tempo emocionante do que a de um SUV. E a expectativa é logo confirmada. Direção direta, firmeza nas curvas e arrancadas vigorosas são dignas de um esportivo compacto, mas surpreendentemente encontradas no crossover inglês. O motor 2.0 turbo de injeção direta, de 240 cavalos de potência e 34,6 kgfm de torque (única opção para o Brasil, a princípio), vive em harmonia com o câmbio automático de seis velocidades, quase tão rápido e preciso quanto um automatizado de dupla embreagem, atualmente a transmissão a ser superada.

Dinamicamente, o Evoque é tudo o que os demais Land Rover não puderam ser a vida toda. É o carro do espevitado príncipe Harry, não do bom moço William; o chá das cinco trocado por uma dose de vodka com energético.

Confesso que, antes de conhecer o Evoque pessoalmente, desconfiava de sua capacidade off-road. Não achava, por exemplo, que o crossover teria a mesma coragem do Freelander 2, que há poucos meses superou com fôlego de sobra uma expedição pelo Rio Grande do Norte. Felizmente, eu estava errado: nos cerca de 200 km de test-drive – que contemplou trechos urbanos e fora de estrada por Londres, Liverpool e País de Gales –, enfrentamos situações que muitos coreanos metidos a SUV jamais encarariam. Barrancos encharcados de lama, pirambeiras de quase 45º e trechos com água invadindo o capô foram vencidos com tranquilidade, graças aos inúmeros recursos já habituais nos Land Rover. Destaque para as câmeras laterais, que nos permitiam visualizar onde exatamente as rodas pisavam.

E no Brasil?

Não é presunção ou arrogância da Land Rover dizer que o Evoque não tem concorrentes. Afinal, ele é – salvo engano – o único modelo atualmente a abolir a hierarquia entre as versões. Não há configurações de entrada ou topo de linha. A diferença entre um e outro modelo está nos temas: Dynamic, o mais esportivo; Prestige, a proposta mais voltada para requinte; e Pure, o mais “cool e contemporâneo”.

Os rivais serão definidos quando os preços para o mercado brasileiro forem determinados. Segundo Flávio Padovan, presidente da Land Rover do Brasil, a novidade terá preços começando “abaixo de R$ 180.000”.

Só mesmo com os valores definidos e uma tabela completa com todos os modelos disponíveis para visualizar com mais clareza quem serão seus concorrentes. Mas a tarefa será fácil: esportivos não sobem e descem barrancos ou atravessam rios e SUVs não fazem curvas em alta velocidade com tanta segurança, enquanto o Evoque faz tudo isso, e ainda por cima com beleza e estilo suficientes para os próximos 20 anos.

Deixar a tradição de lado e sair do armário nunca foram decisões tão bem resolvidas.

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