GM quer voltar aos bons tempos com o Cruze
Sedã possui mecânica atual e visual páreo ao da concorrência. Será o suficiente para a Chevrolet retomar seu espaço no segmento?
Chevrolet Cruze 2011 LT 1.8 16V flex 4p manual |
|---|
| Dados técnicos |
| Preço |
| R$ 67.900 |
| Capacidade |
| 5 passageiros |
| Velocidade máxima |
| 203 km/h |
| 0 a 100 km/h |
| 10,8 s |
| Consumo urbano |
| 0 km/l |
| Potência |
| 140 cv |
| Torque |
| 17,8 kgfm |
| Porta-malas |
| 450 litros |
| Veja ficha técnica completa |
Faz tempo que a GM não conta com um sedã médio campeão de vendas no Brasil, como foi no passado com modelos como Opala, Monza e até o Vectra, já em processo de descontinuação. A chegada de concorrentes estrangeiros, principalmente os japoneses, tirou a marca do topo do segmento e a relegou ao posto de mera coadjuvante em um nicho fervilhante. Para voltar ao páreo, a marca decidiu, finalmente, trazer o Cruze para o mercado nacional.
O foco do modelo é claro: concorrer com Toyota Corolla e Honda Civic de igual para igual. A GM também considera o Hyundai Elantra, que chega em outubro, outro sério rival. Para atrair a clientela, o Cruze tem preços praticamente compatíveis com o dos principais concorrentes - a versão LT com câmbio manual custa R$ 67.900 e o LTZ, com transmissão automática, sai da loja por R$ 78.900.
Caro? Quem dirá isso é o consumidor. A expectativa da montadora é emplacar 3.000 unidades do sedã por mês, volume suficiente para deixar a Chevrolet na segunda colocação do ramo, atrás apenas do Corolla. Como comparação, atualmente a Chevrolet aparece apenas na 6º posição com a derradeira geração do Vectra.
A bordo do Cruze LTZ
Em termos de porte de cabine, o Cruze está mais para o Kia Cerato do que para a dupla Civic e Corolla. O Chevrolet é notavelmente mais estreito que os modelos de Toyota e Honda, porém, mais largo que o Vectra. Mas não chega a ser apertado, exceto aos que viajam no banco traseiro, que dependem de um ajuste “generoso” dos ocupantes da frente. O porta-malas também está longe de ser um dos maiores da categoria com sua capacidade para 450 litros.
Apesar disso, trata-se de um interior de última geração para um carro da Chevrolet. Não há mais tanto plástico barato no painel, como era no Vectra. Em vez disso, algumas superfícies ganharam acabamento laqueado e emborrachado. Fica mais bonito. Além disso, o Cruze LTZ vem com bancos de couro e uma tela de LCD de 7” no alto do console, onde o motorista acessa funções de áudio, climatização e GPS.
Quem gosta de dirigir vai curtir das respostas diretas da direção do Cruze, mas vai se desapontar um pouco com o rendimento do conjunto mecânico. O motor 1.8 Ecotec flex rende até 144 cv (com etanol) a 6.300 rpm (uma faixa muito alta) e 18,9 kgfm de torque a partir de 3.800 rpm. Os números não são ruins. O que desanima é o modo como o câmbio automático de 6 velocidades opera.
Com relações de marcha muito longas (as trocas automáticas acontecem em 3.500 rpm), o motor tende a ser barulhento quando mais potência é necessária. Mas todo esse ruído não se traduz em uma performance de tirar o fôlego. Segundo números da marca, o Cruze AT acelera do 0 aos 100 km/h em 11,4 segundos e atinge no máximo 197 km/h.
Coreano?
Por mais que o pessoal da GM evite falar nesse assunto, a influência coreana no Cruze é evidente. O modelo, aliás, foi desenvolvido em parceria com a Daewoo, que por sinal é sul-coreana. Mas qual o problema em ter os olhos puxados? Os sedãs que vêm daquele país estão se tornando referência, principalmente na parte visual. Os bem-sucedidos modelos de Kia e Hyundai que o digam.
A GM também não fala muito sobre o fato do Brasil ser apenas o 71° mercado do mundo a receber o Cruze, mesmo ele sendo um “carro global”. Embora o sedã tenha desembarcado nos Estados Unidos no ano passado, nosso mercado ainda tem um descompassado com outros países importantes para a montadora. Espera-se que agora, com o ambicioso plano de renovação da linha, a marca consiga manter o consumidor brasileiro abastecido com seus últimos produtos.
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