Hyundai HB20S quer ser mini-Sonata

Visual do sedã ficou sofisticado por fora, mas espaço interno é apenas bom

Ricardo Meier, de Foz do Iguaçu, PR | 4/3/2013 17:01

Hyundai HB20S 2014 Comfort Plus 1.6 16V flex 4p manual

Dados técnicos
Preço
R$ 44.995
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
184 km/h
0 a 100 km/h
9,7 s
Consumo urbano
11,1 km/l
Potência
122 cv
Torque
16 kgfm
Caçamba
0 litros
Veja ficha técnica completa

Os departamentos de marketing de empresas adoram traçar o perfil do consumidor de seus produtos e no segmento automobilístico não é diferente. Sai ano, entra ano e lá estão as apresentações nos lançamentos tentando explicar quem é o comprador do veículo “x” ou “y”. Em comum nos últimos tempos a busca pelo público emergente. Nessas pesquisas, ele é homem, de 30 a 45 anos, casado e com filhos, e cuja mulher sempre ajuda na decisão de compra.

Mas o que geralmente essas pesquisas ignoram é o que o comprador deseja ser. Ninguém se mata para pagar um BMW desses mais baratos se não para mostrar que se diferencia dos demais por ter um veículo dessa marca na garagem, não importa que para isso ele ande de carro pelado.

O sedã HB20S é integrante dessa “categoria” de carros de status. Se houvesse apenas compradores racionais muita gente acabaria indo para casa de Classic ou de Logan, carros sem apelo visual, mas com custo-benefício bom.

Já quem compra um Grand Siena, um New Fiesta ou o novo Prisma quer mesmo é andar num carro mais espaçoso e com pinta de médio mesmo que pague por eles pouco a menos que esses modelos superiores. Com o HB20S, a percepção é até mais ambiciosa. O sedã nacional da Hyundai quer ser Sonata. Ou melhor, um mini-Sonata.

Parte do clube

A Hyundai está hoje colhendo o resultado de uma ousada estratégia lançada na época em que o Santa Fe surgiu e que se intensificou com a introdução do estilo “escultura fluida”. Com essas armas, a marca sul-coreana, que antes era patinho feio no mercado mundial, virou referência de carros confiáveis, relativamente acessíveis e, sobretudo, bonitos.

Ou seja, andar de HB20 ou de HB20S significa fazer parte do clube onde estão não só o citado Sonata como também o Azera, ix35, i30, entre outros.

A vantagem de quem topou ser cliente dos modelos nacionais é que a Hyundai foi inteligente em projetar um carro exclusivamente para os brasileiros, que valoriza a beleza. Não precisamos ir muito longe para provar esse argumento. É só ver o tiro n´água que a Toyota deu com o Etios, um compacto ótimo de dirigir, porém, sem nenhuma gota de beleza e que vende bem abaixo da sua capacidade de produção.

No caso do sedã HB20, a impressão de classe superior é ainda maior que no hatch, embora os dois sejam extremamente parecidos na parte mecânica, equipamentos e comportamento dinâmico. É que o design do HB20S valorizou a elegância e casou como uma luva com o resto do carro. A ideia aqui confundir as pessoas ao mostrar um modelo que lembra o mais caro Elantra e até modelos mais caros da marca.

Então comprar um HB20S é apenas um impulso emocional? Não exatamente. Assim como no HB20, o sedã satisfaz e até supera expectativas, sensação que é o “santo gral” de qualquer estratégia de marketing.

Bom na média

O sucesso do modelo é até simples: ele não possui um ponto negativo tão claro. Pode até não ser o melhor em alguns aspectos isolados, mas é muito bom na média. O desempenho é satisfatório, o consumo, baixo, o prazer de dirigir está presente e o acabamento continua sendo o ponto alto do modelo – não se veem rebarbas ou materiais pobres dentro ou fora do carro.

Sim, a lista de equipamentos tem alguns pecados como não oferecer ABS desde o modelo de entrada  - o que acontecerá em 2014 forçadamente por causa da legislação. Também não se veem bancos bipartidos atrás e o sistema Bluetooth só serve para usar o telefone e não para tocar músicas, hoje um recurso indispensável.

Talvez o ponto mais crítico do HB20S seja o espaço um pouco mais restrito atrás, sobretudo na altura já que a linha de carroceria é mais caída que no hatch. O porta-malas oferece 450 litros, que é 50 litros menor que o do novo Prisma, seu rival mais forte, porém, o HB20S traz estepe com pneu normal enquanto o Chevrolet apelou para o pneu de emergência, mais estreito.

Comfort Plus 1.6

Como dissemos, o HB20S não é um sedã absurdamente caro e sim “elitista”. A Hyundai preferiu restringir o potencial de vendas do modelo ao riscar do portfólio a versão Comfort, a mais barata do hatch. Diz ela que os compradores desse tipo de modelo não dispensam itens como ar condicionado que no HB20 de entrada é opcional.

Mas, claro que a diferença, acima de R$ 4 mil entre o sedã e o hatch o deixou mais salgado. A questão mais importante é que a Hyundai praticamente “direcionou” os clientes para duas versões entre os cinco padrões disponíveis. O modelo 1.0, por exemplo, certamente será ignorado por grande parte do público afinal custa apenas R$ 4 mil a menos para ter um motor mais fraco e que consome praticamente a mesma coisa que o 1.6.

A versão Comfort Plus 1.6 é, assim, a indicada para quem tem um certo limite orçamentário. Custa R$ 44.995 e deve apenas o ar condicionado. Caso o cliente não dispense esse item vale mais a pena pular o Comfort Style e ir direto para o Premium, que custa R$ 50.795 na versão manual e traz rodas de liga leve e acabamento mais caprichado, sensores e, claro, mais cara de mini-Sonata, a razão de ser do HB20S.

O repórter viajou a convite da Hyundai.

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