Mini One é porta de entrada, não de serviço

Versão mais barata do compacto inglês chega ao Brasil por R$ 69.950, perdendo equipamentos e potência. Só não perdeu o charme

Rodrigo Mora | 15/7/2011 11:00:00

Mini Cooper 2011 One 1.6 16V gasolina 2p manual

Dados técnicos
Preço
R$ 70
Capacidade
4 passageiros
Velocidade máxima
186 km/h
0 a 100 km/h
10,5 s
Consumo urbano
13,8 km/l
Potência
184 cv
Torque
24 kgfm
Porta-malas
125 litros
Veja ficha técnica completa

Vá até alguma concessionária Volks, Chevrolet, Fiat ou Ford e procure por uma butique, com jaquetas, bonés, tênis e afins. Dificilmente encontrará. Entre as marcas luxuosas, a prática é mais comum – frequentemente encontramos alguém com uma camiseta da Jeep ou um tênis da Ferrari. Ainda assim, nenhuma oferece tantos acessórios – e de tanto bom gosto – quanto a Mini.

A vasta oferta, que vai de óculos, tênis da moda, bolsa feminina e guarda chuva, à carteira, garrafa térmica e cinto, é invariavelmente exibida por homens e mulheres bonitos, felizes e jovens. É para eles que a marca quer vender carros. Mas se montar um guarda roupa da Mini sai caro – um tênis custa R$ 876, enquanto uma camiseta tem etiqueta de R$ 199 e um guarda-chuva, R$ 246 –, ao menos o carro-chefe da montadora inglesa começa a ficar mais acessível. Antes previsto para estrear em maio, o Mini Cooper One, finalmente, chega às concessionárias da marca, por R$ 69.950.

Para chegar ao tentador preço – distante R$ 10.800 do Cooper mais próximo, o Salt –, a versão One perde o sistema de entretenimento, o rádio é mais simples, o ar-condicionado é analógico e de apenas uma zona de atuação e os bancos são de tecido, não de couro. Externamente, o Mini Cooper One traz rodas aro 15 (e não 16), retrovisores em preto (e não na cor do veículo), grade frontal em preto (e não cromada) e faróis simples (e não de xenon). A lista de opções de cores externas deixa de ser tão diversificada, ficando apenas no Chocolate Hot, Laranja Spice, Verde British Racing, Preto Noite, Prata Velvet (metálicas), Azul Ice, Branco Pepper e Vemelho Chili (sólidas). Ficam de fora, em relação ao Salt, a Amarelo Interchange, Azul Horizonte, Cinza Sparkling, Prata Claro e Prata Pure. Segundo a Mini, algumas personalizações, como faixas, teto e retrovisores com bandeira do Reino Unido, também estão disponíveis.  

Econômico em mimos, o Cooper One não abre mão de oferecer segurança. ABS de oitava geração, controle de estabilidade, airbags frontais, laterais dianteiros e de cabeça dianteiros e traseiros estão lá, intactos.

Potência x Prazer

Se visualmente e em relação aos equipamentos o Mini Cooper One sofre prejuízos apenas superficiais (mantendo o básico que um carro de R$ 70.000 deveria entregar), a redução de potência poderia causar decepção. De fato, a queda dos originais 121 cv do Salt para os atuais 98 cv do One não é superficial. A pacificação do bloco 1.6 16V fornecido pela BMW foi conseguida, basicamente, com alterações na taxa de compressão e no remapeamento da injeção.

Mas os números de desempenho são bons (0 a 100 km/h em 10,5 segundos e velocidade máxima de 186 km/h, segundo a marca) e na prática o carrinho continua agradando.  Num curtíssimo test-drive oferecido pela concessionária Caltabiano, o Mini Cooper One eliminou nossas angústias e dúvidas sobre se manteve ou não a essência de ser um Mini. Manteve, para nosso alívio. Ter a potência reduzida em nada alterou seu comportamento arisco e sua dirigibilidade única. Claro que ter sob o capô 121 cv ou 184 cv (caso do Cooper S, turbinado) tornaria a vida mais emocionante, e pneus mais largos (os do One são 175/65) chiariam menos em curvas feitas com abuso, mas mesmo mais pacato o One te conquista.

Palmas também para o excelente câmbio manual de seis marchas, com engates curtíssimos e bem precisos. A transmissão automática, também com seis velocidades, deve chegar em breve, segundo um dos vendedores da loja. Só o volante de dois raios não é muito animador, mas é possível trocá-lo pelo outro, mais esportivo. 

Popularizar um Mini pode ser uma ideia arriscada. O público-alvo do One não é mais o playboy que tem o compacto inglês apenas como segundo (terceiro, quarto...) carro, reservado para os momentos de diversão, como frequentemente ocorre com as demais versões. O One quer donos de Ford Focus Titanium (R$ 71.660), Fiat Bravo T-Jet (R$ 68.000) e demais hatches médios topo de linha, que sempre quiseram um Cooper, mas não tinham como bancar. Mas, pelo que vimos, um Mini a R$ 69.950 não é demérito ou descaracterização de uma imagem,  mas sim a alegria de muita gente.


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