Nissan Versa traz bom pacote por R$ 35.490
Sedã compacto compartilha plataforma com o hatch March e quer brigar com modelos como o Logan, Fiesta e JAC J3 Turin
Nissan Versa 2012 S 1.6 16V flex 4p manual |
|---|
| Dados técnicos |
| Preço |
| R$ 35.490 |
| Capacidade |
| 5 passageiros |
| Velocidade máxima |
| 189 km/h |
| 0 a 100 km/h |
| 11,1 s |
| Consumo urbano |
| 13,6 km/l |
| Potência |
| 111 cv |
| Torque |
| 15,1 kgfm |
| Porta-malas |
| 460 litros |
| Veja ficha técnica completa |
Parece papo de marqueteiro, mas não é. O slogan “Nova Nissan”, alicerce da atual campanha de publicidade da marca japonesa, deve ser levado a sério. Afinal, lançar dois produtos em cerca de dois meses e esperar vender 7.000 exemplares deles a cada 30 dias é meta ambiciosa até para as líderes de mercado. Foi o que a Nissan fez ao apresentar o hatch popular March, com o qual espera conquistar 5.000 novos clientes/mês, e agora o Versa, com expectativa de vendas ao redor de 2.000 unidades – ambos são importados do México e não sofreram com a elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Equipado exclusivamente com motor 1.6 16V flex de 111 cv de potência (com etanol) a 5.600 rpm e 15,1 kgfm de torque a 4.000 rpm, o Versa não lembra em nada o March no visual – aliás, chamá-lo de “March sedã” para um funcionário da Nissan é quase uma provocação. As linhas da carroceria são visivelmente mais trabalhadas e o porte não é nem comparável ao do hatch.
Por fora, é possível notar o esforço dos designers para diferenciá-lo: a dianteira é completamente diferente, com faróis que avançam no sentido do para-brisa, à la Peugeot, e grade maior com moldura cromada. A traseira era o maior ponto de discussão entre quem via o carro pela primeira vez: alguns gostaram da retaguarda mais avantajada e das lanternas que também invadem os para-lamas, mas outros acharam as linhas “poluídas” demais. Mas, como sempre quando o assunto é design, trata-se de um ponto mais que subjetivo.
Tenha você gostado ou não do visual do Versa, não terá como criticar o espaço interno longitudinal quando entrar no carro. Com um entre-eixos de 2,60 m (o March tem 2,45 m, ou seja, a plataforma foi esticada em 15 cm), mesma medida de um Toyota Corolla, o Versa é praticamente o “Maybach” dos sedãs compactos para quem senta atrás. O espaço é tanto que mesmo com o banco dianteiro no último dente é possível acomodar as pernas longe do encosto de quem vai à frente. É um prato cheio para quem tem filhos que crescem em progressão geométrica ou precisa acomodar cadeirinhas de bebê.
Mas se do para-choque dianteiro ao traseiro cada centímetro é aproveitado da melhor forma possível, não dá para dizer o mesmo do espaço compreendido entre uma porta e outra. Neste caso, a Nissan não consegue esconder a herança do March e aperta três pessoas no banco de trás. Motorista e passageiro também ficam bem próximos, o que se explica ao compararmos, novamente, as fichas de March e Versa: enquanto ele cresceu 15 cm em comprimento, foi alargado em apenas 3 cm. Mesmo assim, não é algo que desabone o sedã compacto com maior espaço interno do mercado.
Airbag duplo de série
Um dos maiores apelos do Versa é trazer airbag duplo de série desde a versão de entrada, a 1.6 S, que custa R$ 35.490. Nessa opção, ele ainda traz trava elétrica com abertura na chave, alarme, direção com assistência elétrica, ajuste de altura do banco, computador de bordo, rodas de aço de 15 polegadas e três anos de garantia. De acordo com a Nissan, o Versa mais barato deve ser responsável por 30% das vendas. Com ar-condicionado, o preço vai a R$ 37.990
A versão intermediária SV, na qual a Nissan aposta mais fichas (ela deve responder por 40% do mix de vendas), sai por R$ 39.990 e acrescenta ar-condicionado, vidros e retrovisores com acionamento elétrico, maçanetas cromadas, sistema Isofix de fixação de cadeiras infantis, abertura interna do porta-malas e cintos traseiros com três pontos.
Já a SL, de R$ 42.990, agrega ABS com distribuidor da força de frenagem e assistência à frenagem de emergência (o sistema coloca pressão extra no pedal quando percebe uma freada brusca), rodas de liga leve de 15 polegadas, faróis de neblina e painel “Fine Vision”. O ponto negativo fica para a disponibilidade do ABS apenas na versão top de linha – ele não pode ser comprado nem como opcional nas mais baratas.
São pacotes interessantes se observarmos os preços de Fiesta, Siena e Voyage com motores 1.6. O sedãzinho da Ford começa em R$ 37.900 sem ar-condicionado ou direção hidráulica; o Fiat parte de R$ 40.430 com direção hidráulica e o VW “pelado” sai por R$ 36.430.
Bom motor, ruídos incômodos
Dirigir o Versa é provar um pouco da tecnologia japonesa em carros de entrada. O comando variável de abertura das válvulas (CVVTCS, ou Continuosly Variable Valve Timing Control System), por exemplo, é um item que só costuma estar presente em modelos como o Honda Civic.
A função dele é simples: alterar o tempo de abertura das válvulas para que o carro possa render melhor em altas ou baixas rotações – comandos de válvulas convencionais são “fixos” e buscam um compromisso intermediário.
Isso faz com que o Versa seja esperto ao sair de uma lombada ou encarar uma subida com três pessoas a bordo e não negue fogo quando você quiser esticar as marchas. O problema é que aí você escutará mais ruídos do motor do que deveria, uma das poucas deficiências do sedã.
No test-drive de pouco mais de 20 km que o iG Carros pôde fazer, suspensão e direção pareceram bem acertadas. O acabamento também merece elogios: apesar dos “clássicos” plásticos, presentes em todos os carros nesta faixa de preço, o material usado no interior é de bom gosto.
Ainda apelando aos amantes do custo/benefício, a Nissan oferece o que diz ser o melhor pacote de peças do mercado, com amortecedores dianteiros a R$ 149 o par, pastilhas de freio por R$ 82,04 e filtro de combustível por R$ 10,98.
O Versa e a Nissan ainda não tem força para balançar um segmento dominado por Fiat e Volkswagen, mas tem tudo para se dar bem dentro da meta realista estabelecida pela marca.
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