Novo Audi Q7: o Titanic sobre rodas

Andamos na nova geração do SUV, que custa R$ 400 mil e tem previsão de vendas de 150 unidades este ano

Leonardo Fortunatti | 30/1/2016 07:46

Audi Q7 Ambition 3.0 V6 TFSI

Dados técnicos
Preço
R$ 399.990
Velocidade máxima
250 km/h
0-100 km/h
6,1 s
Consumo urbano
n/d
Comprimento
5052 mm
Entre-eixos
2994 mm
Rodas
liga leve, aro 20"
Potência
333 cv (gasolina)
Tanque de combustível
85 litros
Porta-malas
770 litros

Com quase meio milhão de Reais na conta, qual seria sua primeira compra? Há quem escolha um bom apartamento para morar e quem coloque esta grana alta sobre 4 rodas. E para este público, que não está nem aí para crise, a Audi lançou a segunda geração do seu maior SUV, o Q7.

Do antigo, só sobraram as 4 argolas e o logotipo do modelo. Em versão única no Brasil, a Ambition de R$ 399.990, o Q7 mostra que você pode sim se sentir em um navio sobre rodas quando o orçamento permite. Sobre a plataforma MLBEvo, o SUV recebeu o que há de melhor em engenharia e construção disponível na indústria, com amplo uso de alumínio e aço forjados leves que ao mesmo torna o gigante 325 kg mais leve que o anterior, o deixa seguro e forte o suficiente para suportar torções.

Para levar o navio, força!

A primeira impressão é seu novo desenho. Como aconteceu com o Q3, o Q7 assume a identidade frontal de toda a linha Q da alemã, com a grade em destaque com bordas em prata e, no resto do carro, formato que o fazem parecer maior que realmente é (e mais imponente). Como quase equipamento básico nesta categoria, faróis de xenon com luzes diurnas em LEDs com a assinatura Audi e lanternas também em LEDs estão sempre presentes.

Para levar o Q7 e seus 1.970 kg (na versão básica), não poderiam usar algo com pouca potência ou torque. Ali está um motor V6 3.0 de 333 cv e uma força de 44,9 kgfm entre os 2.900 e 5.300 rpm, com turbo e injeção direta de gasolina. Pode parecer o mesmo que já equipava o Audi por aqui, mas ele passou por algumas mudanças. Tudo vai ao chão com a clássica tração quattro, integral, que distribui a força conforme a necessidade, do piso ou situação e com o câmbio automático, com conversor de torque tradicional, de oito marchas.

Como é a sensação por dentro?

Sentar para dirigir o Q7 é um choque de realidade. Com bancos e coluna de direção elétrica, achar uma posição é fácil e ainda pode memoriza-la para quando alguem ser muito sacana e mudar a configuração quando for conhecer o transatlântico. Como todo Audi, o interior tem classe, bons materiais, mas nenhum exagero “ostentação”. Tudo no lugar certo, de fácil acesso e operação, inclusive o multimídia MMI, agora com uma placa touch á frente da manopla do câmbio para facilitar o uso, e espelhamento de smartphones.

O painel de instrumentos tradicional foi substituído por uma tela de 12,3” configurável, como no esportivo TT, o Virtual Cockpit. Pelo volante, você escolhe se quer ver o velocímetro e conta-giros maior ou prefere as informações de navegação, computador de bordo e multimídia. Na linha dos olhos, o Head-Up Display também coloca a velocidade e informações no vidro para não ter desvio de atenção.
Hora de colocar as rodas na estrada. De cara já preferi a função do Drive Select na função Efficiency, que foca na economia de combustível. Mesmo com acelerador mais indireto e trocas de marcas em rotações mais baixas, é possível ver a ação do torque logo cedo e uma condução mais calma e suave, perfeita para acostumar com o Q7. Já na estrada, usar a Comfort, com foco no conforto, e a Dynamic, que provoca todos os cavalos com marchas com trocas em rotações mais altas, a direção elétrica mais pesada e o acelerador –bem- mais direto.

A suspensão dianteira e traseira foi modificada para 5 braços, o que deixa o conjunto equilibrado. Lógico que ainda é um SUV alto e pesado, mas tem seu poder de fazer curva, com a ajuda da tração quattro. Em conjunto com o isolamento acústico, que realmente te isola do mundo exterior e até mesmo do barulho do motor, é possível dormir tranquilamente, obvio que enquanto for o passageiro.
Na terra, lugar que eu acho que nenhum Q7 irá conhecer com seus donos, a função off road muda o comportamento dos controles de tração e estabilidade, acelerador, direção e tração. Enfrenta uma estrada leve e até algo a mais, mas muito além disso vai dar uma dó danada de ver aquele corpo em alumínio sujo de lama. Vai muito bem, mas entenda o lado urbano mais que tudo neste grandão.

Tecnologia e seu super preço

Os maiores destaques do Q7 estão na lista de opcionais. Lógico que ele vem muito bem equipado de série, com ar-condicionado de quatro zonas, acabamento em alumínio e couro – com 4 opções de cores para ornar com as 7 opções de cores externas -, partida e abertura de portas sem chave, incluso porta-malas por “chute” quando você estiver com as mãos ocupadas (basta passar o pé logo abaixo do para-choque traseiro), som Bose com efeito 3D, start-stop de segunda geração, que pode desligar o carro logo abaixo dos 7 km/h se perceber uma real parada, teto-solar panorâmico, sensores de estacionamento e câmera de ré dianteiros e traseiros, auto hold, que mantém o carro parado em congestionamentos, além de tudo que falei acima, mas o que você pode colocar para chegar aos super R$ 489.450 (sem acessórios) é além da vida.

O primeiro pacote é o Tecnológico, pela bagatela de R$ 32 mil, que vem com o eixo traseiro dinâmico, que pode esterçar para o lado contrário das rodas dianteiras abaixo dos 60 km/h para facilitar manobras e conversões, ou na mesma direção em altas velocidas para maior segurança em, por exemplo, mudanças de faixas ou curvas. Além disso, sistema de visão noturna e faróis em LEDs.
Depois vem o pacote Side Assist, de lindos R$ 7.500, com aviso de ponto cego nos retrovisores, sensor de batida traseiro, que coloca os ocupantes em posição de segurança em possibilidade de choque por trás, o Exit Warning, que te avisa quando um carro se aproxima quando você vai abrir a porta por sinais luminosos e desativação da maçaneta, e o assistente de tráfego reverso, útil em manobras de ré com ponto cego, bloqueando o carro caso venha outro veículo.

A suspensão adaptativa a ar, como o nome já diz, se adapta ao asfalto, modo de condução selecionado e velocidade, e pode variar 6 cm para cima e até 3 cm para baixo, além do modo carga, que abaixa a traseira para ajuda-lo em até 5,5 cm. Isso custa mais R$ 30 mil. Já coloque na conta os R$ 20 mil da terceira fileira de bancos, com acionamento elétrico para subida ou descida e está feito seu Q7 de quase R$ 500 mil.

Valendo meio milhão de Reais...

O Q7 básico tem luxo, conforto, beleza interna e externa na medida certa (ok, a externa pode até ser imponente demais), um motor eficiente e pode até justificar todo esse dinheiro se você busca algo assim. Mas o grande show mesmo está mesmo nos opcionais tecnológicos. Meu conselho? Já vai mesmo gastar os R$ 400 mil, esquece os bancos da terceira fileira e gaste R$ 470 mil para passar horas brincando com o Titanic. E o apartamento depois você compra. Tem espaço para dormir no Q7.  

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