Novo Corolla deixa mesmice de lado para virar carro empolgante

Sedã da Toyota está maior, mais ousado e também mais elitista. Versão mais procurada custa nada menos que R$ 80 mil

Ricardo Meier | 12/3/2014 12:15

Toyota Corolla 2015 Altis 2.0 16V flex 4p CVT

Dados técnicos
Preço
R$ 92.990
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
0 km/h
0 a 100 km/h
0 s
Consumo urbano
10,6 km/l
Potência
143 cv
Torque
19,4 kgfm
Porta-malas
470 litros
Veja ficha técnica completa

Acredite: o Corolla já não é mais o mesmo. O sedã da Toyota, considerado o carro mais vendido da história, chegou à 11ª geração no Brasil, mas algo mudou desta vez. Uma das razões para tanto sucesso, a ‘neutralidade’ de design, mecânica e equipamentos, foi deixada de lado pela primeira vez em muitos anos.

Sim, o novo Corolla, enfim, ‘desceu do muro’. Se antes dirigi-lo ou mesmo admirar seu design era algo monótono, agora o sedã causa emoção e até um pouco de polêmica. A Toyota decidiu dar ao seu modelo mais famoso um visual instigante, assim como uma tocada mais esperta. A marca também aumentou suas dimensões, um dos pontos fracos das gerações anteriores. Os passageiros do banco de trás desfrutam de espaço generoso, por exemplo, embora o carro esteja mais baixo do que antes.

Mais: os bons motores 1.8 e 2.0 agora têm uma transmissão automática à altura. Na verdade, um sistema CVT, que possui marchas infinitas, mas que ganhou sete posições virtuais. O resultado são respostas mais imediatas nas retomadas e acelerações. Para completar, o sedã está mais ‘na mão’: direção mais justa e direta, volante encorpado (que lembra vagamente um BMW) e suspensão mais estável e firme.

Há algo de familiar nessa descrição do novo Corolla. Pois bem, a Toyota meio que seguiu a receita da rival Honda na época do lançamento do chamado “new Civic”, a geração anterior a que está nas concessionárias hoje. Era do Civic o papel de ‘sedã esportivo’, do piso plano no banco de trás, das respostas rápidas do volante e do visual abusado. Curiosamente, a Honda optou por deixar o atual Civic mais confortável e comedido em 2011.

A inversão de papeis, no entanto, deve produzir poucos resultados práticos já que os clientes de ambos são fieis. Podem até trocar de marca, mas raramente saem da dupla Civic-Corolla.

Interior retrô

Não que o Corolla antigo fosse confundível nas ruas, mas o novo se beneficiará de uma exclusividade por muito tempo nas ruas (ou até que as marcas chinesas o copiem novamente). É impossível não identificá-lo rapidamente. A grade cromada com três filetes que se unem aos faróis é única. A versão Altis têm quatro luzes de LEDs exclusivas que ressaltam ainda mais a frente imponente. Os para-choques pronunciados deixaram o sedã maior do que é e a característica coluna traseira ‘em flecha’ completam um conjunto bastante arrojado. As lanternas horizontais talvez sejam o aspecto mais comum do sedã, embora se comuniquem bem com o restante do carro.

A empolgação causada pelo visual exterior se perde ao entrar no novo Corolla. Ao conceber seu interior, a Toyota novamente saiu da mesmice de outras gerações, mas o resultado aqui é polêmico. O painel inspira traços retrô, com uma barra horizontal em dois tons de cores e uma distribuição um pouco confusa de equipamentos.

A central multimídia com direito a GPS e até TV domina o espaço central e tem funcionamento intuitivo. Abaixo dela, fora da barra horizontal, está o ar-condicionado, digital na versão Altis. A alavanca do câmbio automático tem opção sequencial, mas é preferível utilizar as borboletas atrás do volante. O console ainda traz o botão “Sport”, que alonga a troca de marchas para tornar o Corolla mais ágil.

O ponto mais interessante do novo Corolla é o volante, de diâmetro levemente menor e com comandos satélites embutidos nas alças, além de outras alavancas em sua volta. O painel de instrumentos têm uma tela bastante prática entre os mostradores analógicos.

O acabamento surpreende no funcionamento dos vidros elétricos, extremamente silenciosos, assim como o rodar do carro, mas há arestas e pontas desencontradas entre os painéis, que ora usam couro costurado, ora plásticos de qualidade ruim ou com superfície que imita fibra de carbono.

A posição de dirigir está mais natural e pode ser ajustada por botões elétricos no Altis. O couro perfurado dos bancos é bastante agradável, assim como a ergonomia em geral. Os donos de outros Corollas notarão que alguns dispositivos continuam iguais como os acionadores dos vidros elétricos, os comandos de abertura do tanque e do porta-malas e o indefectível relógio digital.

Mas dirigir o novo Corolla é, pela primeira vez, uma sensação nova, de um carro mais esperto e empolgante sem que isso prejudique o conforto, mesmo com a eterna suspensão por eixo de torção na traseira, de projeto mais simples que a ótima Multilink do Civic. Tem coisas que nunca mudam na Toyota.

Sedã médio plus

A Toyota decidiu ‘elitizar’ o novo Corolla. Se o modelo antigo já começava num patamar mais elevado que muitos concorrentes, agora o sedã mais barato custa R$ 66.570, na versão GLi 1.8 manual. Se quiser, o cliente pode optar pela versão automática por R$ 69.990, mas pouca gente deve fazê-lo – segundo a marca, 70% das vendas devem ser do Corolla XEi, que custa R$ 79.990. O Altis, topo de linha sai por R$ 92.990 ou R$ 93.700 se o comprador escolher uma cor perolizada.

Ou seja, não há mais o Corolla XLi, que fez o papel de modelo mais barato. Segundo Frank Peter Gundlach, diretor de pós-venda da Toyota, o XLi tinha preço muito parecido com o GLi, daí ter sido descontinuado. Sobre os preços mais altos, Gundlach considerou que o novo Corolla inaugura uma nova categoria “a de sedã médio plus”.

Como diz um ditado americano, “não há lanche grátis”. Em suma, as melhorias do novo Corolla custam e não é pouco. Itens hoje procurados como central multimídia, luzes diurnas de LEDs, partida por botão ou destravamento das portas por proximidade chegaram ao sedã, mas só estão disponíveis nas versões mais caras XEi e Altis – a exceção aqui são os airbags, em número de cinco no GLi e XEi e sete no topo de linha.

A razão para isso é que um "item" continua mais caro que o de outras marcas menos bem sucedidas, aquela pecinha à frente da grade do capô, mais conhecida por "emblema da marca". O fato de ser um Toyota já acrescenta um valor extra se comparado ao de uma marca menos consagrada. Pegue-se o exemplo da também japonesa Nissan, que ainda não consolidou sua imagem no Brasil.

O novo Sentra, que é rival do Corolla, custa na versão mais equipada R$ 73.500, nada menos que R$ 19 mil mais barato que o Toyota e com alguns itens extras como ar-condicionado dual zone e teto solar. O preço de grife não é exclusividade da marca, é verdade. Marcas alemãs vendem seus veículos por preços superiores e não oferecem um simples sensor de estacionamento, por exemplo. Mas essa regra do ‘menos é mais’ não parece que será um empecilho para os fãs do Corolla.

Leia tudo sobre: ToyotaCorolla2015Corolla 2015Novo Corollaavaliaçãosedã médio

PESQUISE CARROS

RANKING

Veículos mais vendidos - julho de 2014

Pos. Modelo Vendas
Fiat Palio 15.989
Volkswagen Gol 14.347
Chevrolet Onix 14.015
Fiat Strada 12.585
Hyundai HB20 10.857
Ford Fiesta 10.591
Fiat Uno 9.613
Fiat Siena 8.949
Chevrolet Prisma 8.498
10º Volkswagen Saveiro 7.296
Veja ranking completo