Novo Fiat Bravo 2016 é bom carro em segmento ruim

Modelo anda bem, tem bons equipamentos e é mais barato que rivais. O problema é que cada vez menos gente quer comprar um hatch médio

Ricardo Meier | 7/2/2015 10:00

Por décadas, o hatch foi o modelo de automóvel mais amado no Brasil. Com seu corte seco na traseira e o visual esportivo, esse tipo de carro sempre foi o preferido do público e ainda mantém essa relevância entre os veículos pequenos. Mas no chamado segmento de médios isso é passado.

Se houve o tempo de sucesso do Golf, do Astra e do Hyundai i30, hoje pouca gente opta por eles. O mercado teve o auge em 2010 quando mais de 155 mil unidades foram emplacadas, mais que o dobro do ano passado, quando apenas 71 mil hatches médios foram vendidos.

Então porque a Fiat resolveu dar um novo gás no Bravo, o sucessor do Stilo e que teve uma passagem de maior destaque que ele? É uma pergunta que talvez nem a marca saiba responder, assim como a Ford, Volkswagen ou a Chevrolet, que dominam a categoria.

Mas é possível presumir algumas coisas. Antes os hatches eram a melhor definição de esportividade até que os sedãs, depois do New Civic, quebraram essa regra. Também os SUVs tiraram casquinha deles, no entanto, existem mais motivos para essa queda brusca.

O mercado de hatches desabou após a saída de cena do Astra, que nos últimos anos de vida era vendido com um preço mais em conta e, portanto, não disputava os mesmos clientes dos demais. Depois tivemos o boom do i30, hatch que foi além do carro da Chevrolet ao unir um design imbatível com uma tabela de preços mais em conta. Para se ter uma ideia, em 2010 o Astra e o i30 respondiam por 42% das vendas de hatches médios.

A festa acabou em 2012 quando o governo aumentou o IPI para importados como o i30 e a GM aposentou o Astra. Mesmo assim, os hatches têm participado cada vez menos do bolo: agora eles representam apenas 2% das vendas gerais contra 4,7% há quatro anos.

O caso do Bravo mostra que mesmo um bom produto não tem mercado garantido. Lançado em 2010, o hatch teve seu melhor momento em 2013 quando amealhou 10% do segmento. Pouco se comparado aos 16% que o Stilo obteve em 2008, mesmo próximo da aposentadoria.

Central pequenina

Agora, com o leve facelift e o upgrade em alguns equipamentos, o Bravo 2016 permanece sendo um carro legal de dirigir e que surpreende pelo bom fôlego do motor 1.8 16V de 132 cv. A Fiat diz que o ar-condicionado ficou mais forte, talvez por causa de queixas de antigos donos. O sistema, aliás, ainda tem a interface do que equipava o Stilo, para quem não se lembra.

Por fora, o Bravo lembra o para-choque do Linea, com aquele ‘sorriso’ cromado, mas o que me chamou a atenção foi mesmo a grade pronunciada e maior que me parece com a frente de alguns Mercedes novos. O resultado é bom porque o antigo Bravo já exibia um estilo um tanto cansado, ainda calcado no primeiro Punto.

O interior tem acabamento diferenciado para cada versão e a que mais agradou foi a Blackmotion, que agora faz parte da linha, sem limite de produção.

Mas é a nova central multimídia UConnect que chama a atenção no painel. Mais fácil de usar e com GPS com mapas da Tom-Tom (opcional) e 5 polegadas, o item é menor que o anterior. Como o espaço no console é grande, a central fica sobrando na moldura.

Vendas dos hatches médios de 2008 a 2014
iG

Fim do Astra e IPI mais alto para o importado i30 também reduziram vendas no segmento

Resignação

O Bravo continua sendo um hatch de respostas adequadas e direção que dá prazer. O modelo traz uma lista respeitável de série que inclui até faróis com sistema ‘Cornering’, que ilumina o espaço diagonal, desde a versão Essence. A central, no entanto, só tem GPS como opcional, e itens como ESP são exclusivos do T-Jet.

A vantagem é que o Bravo está entre os hatches médios mais acessíveis do mercado. Custa a partir de R$ 62 mil com câmbio manual – o Focus 1.6 S sai por pelo menos R$ 68 mil enquanto o Golf VII parte de R$ 73,8 mil e o Cruze LT, de 68,4 mil, claro que com listas de equipamentos diferentes.

Talvez por isso a própria Fiat não preveja arroubos de vendas do novo Bravo. Surgido em 2007 na Europa, o modelo ainda não tem um sucessor no exterior e, diante das vendas modestas, fica difícil pensar em investir num modelo que na melhor hipótese pode vender 20 mil carros por ano, o mesmo que emplaca o Palio e o Uno num único mês.

Leia tudo sobre: FiatBravo2016hatch médiolançamentosSportingBlackmotionT-JetEssence

PESQUISE CARROS