Novo Sportage vira o jogo

Mas preço cobrado pela Kia está acima da média pelo que oferece o crossover

Ricardo Meier | 4/4/2011 12:27:00

Kia Sportage 2011 P.396 2.0 16V gasolina 4p automático seq. 4x2

Dados técnicos
Preço
R$ 105.900
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
187 km/h
0 a 100 km/h
10,1 s
Consumo urbano
km/l
Potência
166 cv
Torque
20,1 kgfm
Porta-malas
740 litros
Veja ficha técnica completa

Houve um tempo em que a Kia reinava sozinha no segmento de pequenos SUVs. Era o começo da década passada quando ela vendia a primeira geração do Sportage. Na época, o modelo usava carroceria separada do chassi e até motor diesel. Suas vendas no Brasil eram até respeitáveis, mas bastou que a segunda geração chegasse para que o jogo se invertesse.

Já como parte do grupo Hyundai, a Kia foi preterida pela irmã maior, que lançou primeiro o Tucson para depois mostrar o novo Sportage. Pior: o Hyundai tinha visual aceitável enquanto o Kia era um remendo perto dele.

Crise no Oriente Médio ajudou

O pesadelo continuou no Brasil pelo fato de o grupo CAOA conseguir importar um volume muito superior de Tucson enquanto a Kia mal dava conta das encomendas. O marketing pesado da Hyundai também ajudou o Tucson a virar o importado mais vendido do Brasil por anos. Quando a Kia, enfim, resolveu seus problemas de estoque já era tarde demais.

Agora, com a (verdadeira) chegada do novo Sportage, o jogo pode mudar de lado novamente. O crossover da Kia é nitidamente mais atraente que seu irmão ix35 (que na Hyundai convive com o velho Tucson). Chega ao ponto de deixar o maior Sorento com ar envelhecido – e ele mal chegou ao mercado brasileiro.

Lançado oficialmente logo após o Salão do Automóvel, o Sportage enfrentou o mesmo problema do seu antecessor: falta de carros. Como a Kia produz o modelo na Coréia para nada menos que 156 mercados, coube ao Brasil apenas uma reduzida cota.

Por isso, apenas agora, em abril, a Kia brasileira conseguiu estabelecer um volume adequado de importação, em torno de mil carros por mês, mas que pode ter picos de 1.800 unidades. Ajudou também a crise no Oriente Médio: mercados como o da Líbia compravam muitos veículos da marca e agora estão em suspense.

Picape rural

Mas, afinal, como é o novo e tão aguardado Sportage? O iG Carros teve a oportunidade de avaliá-lo na semana passada e confirmou o acerto do estilo do mago Peter Scheyrer, designer-chefe da Kia que mudou sua linha da água para o vinho – e pensar que o alemão passou quatro meses desempregado antes de aceitar a proposta da montadora coreana.

O Sportage é imponente, sobretudo na frente. Mas mesmo a traseira tem um cuidado acima da média. Mais longo e largo que seu antecessor, o Sportage é também mais baixo, o que lhe confere um ar mais esportivo. O espaço interno é generoso e o acabamento, muito bom.

Mas é na hora de procurar os equipamentos que o Kia começa a deixar a desejar. Sentamos no assento do motorista e, ao procurar ajustá-lo, a surpresa: se traz controles elétricos no banco, o crossover não oferece ajuste de profundidade no volante. Para liberar o carro, procuramos o freio de estacionamento e ele está no pedal, no estilo picape rural – a concorrência já oferece freio elétrico.

A versão testada, código P.396, traz ar-condicionado dual zone, teto solar panorâmico, rodas de liga aro 18 de desenho um tanto chamativo, chave presencial com partida por botão, dez airbags, câmera de ré e outros itens esperados de um carro desse porte. Contudo, o motor e o câmbio, de seis marchas automático, são apenas aceitáveis. A transmissão possui opção sequencial na alavanca, mas poderia oferecer paddle-shifts, coisa que o Cerato traz. Já o motor, embora moderno, não empolga. São 166 cv de um 2.0, o que é bom no papel, mas pouco se repararmos que o torque de 20 kgfm só é atingido acima de 4,6 mil rpm.

Durante o test-drive, o Sportage se mostrou um veículo silencioso, com uma ótima suspensão, mas sem grande disposição em ultrapassagens. A direção, hidráulica, tem bom acerto, mas poderia ser mais leve, do tipo eletroidráulica, como alguns rivais. O porta-malas, com teóricos 740 litros, é bom, porém, parece menor que isso, na prática.

Mercado inflacionado

Apesar desses percalços, o novo Sportage é um veículo confortável e superior, por exemplo, ao Honda CR-V, outro que oferece motor 2.0. O problema é que o Kia custa muito mais. A versão testada sai por R$ 105.900, praticamente R$ 20 mil a mais que o Honda.

Se ao menos o cliente recebesse itens que justificassem esse valor, no entanto, isso não ocorre. O Sportage não traz tela touch-screen nem ao menos GPS. Por menos que isso a Peugeot tem o 3008 com motor turbo e a Volks oferece o Tiguan por valor parecido com sistema de estacionamento automático e tração integral, por exemplo.

O Kia é, sim, mais barato que o ix35, mas o modelo da Hyundai inflacionou o mercado, o que permitiu que algumas marcas pudessem elevar seus preços sem parecerem abusivos. Ou seja, para possuir o status de um SUV hoje se paga muitíssimo caro por um veículo que muitas vezes tem menos conteúdo que um bom sedã na faixa de R$ 70 mil. E o Sportage, por enquanto, é um deles.

PESQUISE CARROS

RANKING

Veículos mais vendidos - março de 2014

Pos. Modelo Vendas
Fiat Strada 13.017
Fiat Palio 12.872
Volkswagen Gol 12.545
Chevrolet Onix 12.244
Fiat Uno 10.275
Ford Fiesta 9.045
Hyundai HB20 8.312
Fiat Siena 7.716
Volkswagen Fox 6.264
10º Renault Sandero 6.006
Veja ranking completo

© Copyright 2000-2013, Internet Group - Portais: iG e iBest

Topo