Novo VW Jetta evolui à sua maneira

Sedã perdeu o requinte mas ficou mais barato para recolocar a marca de volta à briga no segmento

Thiago Vinholes | 26/3/2011 11:41:00

Volkswagen Jetta 2011 Comfortline 2.0 8V flex 4p manual

Dados técnicos
Preço
R$ 65.755
Capacidade
5 passageiros
Velocidade máxima
195 km/h
0 a 100 km/h
10,7 s
Consumo urbano
0 km/l
Potência
116 cv
Torque
17,7 kgfm
Porta-malas
510 litros
Veja ficha técnica completa

Faz tempo que a Volkswagen não conta com um sedã médio competitivo como o novo Jetta a ponto de poder aparecer nas primeiras posições do segmento. O último foi o Santana, produzido entre 1984 até 2006. Mas os tempos hoje são outros. O antigo sedã da Volks é de uma época em que a marca alemã, ao menos no Brasil, não contava ainda com o refino mecânico e o capricho estético visto atualmente, resultado da troca de experiências (e muitas peças) com a Audi, uma das tantas marcas do Grupo VW.

O Jetta 2012, no entanto, é uma nova geração diferenciada. O modelo não deriva mais do Golf VI, o que lhe permitiu receber novas soluções de desenho por não compartilhar mais a mesma plataforma com hatch. “Com essa liberdade pudemos aumentar o entre-eixos e os comprimentos do capô e do porta-malas, deixando o carro com um porte mais elegante e sofisticado”, explicou José Antonio Pavone, designer da VW e um dos autores do projeto.

Tal como o velho Santana, o novo sedã da VW chega para marcar presença no segmento, algo que o Bora não conseguiu pela falta de prestígio e a geração anterior do Jetta por ser muito cara, ambos substituídos pelo lançamento. Aliás, esse é um ponto interessante.

O real substituto do Bora passa a ser o Jetta Comfortine 2.0, que tem versão manual (R$ 65.755) e automática (R$ 69.990), como era no modelo anterior. Já o Jetta da geração passada, que ganhou fama de esportivo com seu motor 2.5 de 170 cv, ficou pequeno comparado ao novo Jetta Highline, que tem bloco 2.0 TSI de 200 cv e custa quase a mesma coisa: R$ 89.520.

Com que Jetta eu vou?

Não pense que as mudanças entre as versões fica limitada às opções de motores. As duas variantes do Jetta diferem tanto no nível de equipamentos e recursos mecânicos como no desempenho. Em suma, são carros completamente diferentes. O Comfortline, à primeira vista, parece ser pouco convidativo com seu motor 2.0 aspirado flex com somente 120 cv e, acredite, apenas 8 válvulas, uma concepção um tanto ultrapassada. A maioria dos sedãs atuais com motores de quatro cilindros possue já comando duplo, com 16V. Mas custa caro.

Porém, apesar dos 1.311 kg do carro (vazio), o propulsor 2.0 é o suficiente para o Jetta, embora peque em subidas íngremes. O pico máximo de potência (com etanol) aparece apenas em 5.000 rpm e os 18,4 kgfm de torque estão disponíveis a partir de 4.000 rpm. É um carro que precisa encher bastante o motor para se extrair uma velocidade mais elevada, o que resulta em maior consumo de combustível, não divulgado pela Volks. A marca, por outro lado, aponta que a versão de entrada do sedã, com câmbio manual, cumpre o 0 a 100 km/h em 10 segundos (o automático faz em 10,7 s) e atinge 202 km/h de velocidade máxima.

Falando no câmbio, o Jetta Comfortline agrada nas duas opções. A caixa mecânica tem o típico acerto da Volkswagen, com engates justos e rápidos (e até certo ponto instigantes), enquanto a versão automática é uma evolução do Tiptronic de 6 velocidades do Bora e Golf, que ficou mais rápido e melhor sincronizado com as necessidades de aceleração.

Nasce um novo esportivo

O motor do Jetta Highline também é encontrado debaixo do capô de carros como o Audi A3 e TT ou então dos Volkswagen Tiguan e Eos. Falamos do premiado 2.0 TSI, o motor criado pela Audi e que possui sistema de injeção direta de gasolina e turbocompressor. Esses recursos dão ao bloco mais potência e menor consumo de combustível. É o melhor de dois mundos. São 200 cv a 5.100 rpm e uma patada de 28,5 kgfm de torque entre 1.700 rpm e 4.000 rpm, uma faixa muito plana. Na prática, toda força do propulsor está disponível, praticamente, a qualquer momento quando o motorista precisar. Agora vamos a melhor parte “Audi” desse carro.

O câmbio do Jetta é o DSG, a excepcional transmissão semi-automática de 6 marchas e com dupla embreagem também projetada pelos engenheiros da marca dos quatro anéis. Essa caixa permite ao motorista trocas de marchas com perda mínima de torque, o que torna as aceleração e retomadas mais eficazes. Como se não bastasse, o equipamento ainda ajuda a economizar combustível.

Também diferente do Comfortline, a versão Highline tem suspensão independente na traseira (o modelo de entrada ainda usa eixo de torção), item que atua tanto para o conforto, reduzindo o nível de ruído interno, como na segurança, por proporcionar mais estabilidade. Não só isso, a linha top do Jetta vem com direção elétrica (no Comfortline é hidráulica), mais leve para o uso na cidade.

Quer saber como ele anda? Segundo a fabricante, o Jetta com motor TSI vai do 0 aos 100 km/h em bons 7,3 segundos e continua acelerando até os 238 km/h, velocidade máxima do carro declarada pela Volkswagen. Com esse desempenho, donos de Civic Si, que em breve será finalizado, terão uma boa escolha no mercado quando decidirem trocar seu Honda esportivo.

Volks-Audi

O acabamento interno do novo Jetta não chega a ser sublime como o dos novos Audi, mas o material aplicado no modelo fabricado no México está bem próximo aos modelos da marca premium. O painel é todo emborrachado e a decoração é minimalista, como a maioria dos carros alemães. O único detalhe mais evidente é o friso de plástico laqueado à frente do passageiro. A ergonomia da cabine é outro ponto de destaque. Além do espaço, para apertar os variados botões no console é preciso mover as mãos apenas alguns centímetros do volante, este ainda multifuncional, com comandos de som, computador de bordo e telefonia.

As duas versões ainda vêm com bancos de couro, rodas aro 17”, ar-condicionado digital dual zone e itens de segurança como freios ABS e 4 airbags. A versão Highline tem também bolsas infláveis para cabeça e controle eletrônico de estabilidade (ESP), além de contar com opção de teto solar (R$ 2.990 para as duas versões) e bancos do motorista e passageiro com ajuste elétrico (R$ 1.000). No entanto, o carro ainda é um tanto Volkswagen por não possuir porta USB no sistema de som original e amortecedores na tampa do porta-malas, em vez dos braços que invadem a área de bagagem (para 510 litros).

Os preços são bons e o novo Jetta não desagrada em nenhuma das versões. Ou seja, dor de cabeça para a Toyota e Honda, que certamente terão clientes migrando do Corolla e Civic, atuais líderes do ramo, para o lançamento da Volkswagen, que com certeza não farão um mau negócio. O mesmo vale para consumidores de outras marcas.

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