Porsche 911 é impecável a 300 km/h

Versão Carrera S chega ao Brasil por R$ 639.000 com motor 3.8 boxer de 400 cv

Thiago Vinholes | 21/4/2012 10:32

Porsche 911 2012 Carrera S 3.8 24V gasolina 2p DSG

Dados técnicos
Preço
R$ 639.900
Capacidade
2 passageiros
Velocidade máxima
304 km/h
0 a 100 km/h
4,5 s
Consumo urbano
7,2 km/l
Potência
400 cv
Torque
44,8 kgfm
Porta-malas
340 litros
Veja ficha técnica completa

Confesso que não posso reclamar do meu trabalho. Aqui no iG Carros já fui escalado para guiar algumas máquinas interessantes. Provei as peripécias da tração traseira do Chevrolet Camaro e o refinado controle 4x4 do Mitsubishi Lancer Evo X. Também experimentei a sensação de velocidades acima dos 200 km/h em carros esportivos de ponta, como o Audi RS5 e o Mercedes-Benz SLS AMG, e tive ainda a chance de superar os 300 km/h a bordo de um R8 GT. Nunca, porém, havia guiado um carro tão equilibrado como o Porsche 911.

E comecei bem, logo com o novo Carrera S. Para tornar a experiência ainda mais intensa, a Porsche promoveu o test-drive no circuito da Fazenda Capuava, em Indaiatuba (SP), local onde os irmãos Diniz (donos do Grupo Pão de Açúcar) costumavam acelerar sua coleção de carros superesportivos. Agora era a minha vez.

Eu tinha pouco tempo com o 911 na pista, apenas 30 minutos. Por isso parti dos boxes com o pé fincado no acelerador. De imediato percebi que apenas meio pedal pressionado já o suficiente para fazer deste carro uma máquina ensandecida. Nunca o termo “colar o corpo no banco” fez tanto sentido em minha vida. É uma aceleração impressionante.

Isso é o resultado da força bruta do moderno motor 3.8 seis cilindros boxer (pistões contrapostos) com injeção direta de gasolina e ajustado para gerar 400 cv e 40,7 kgfm de torque máximo. O limite de giro do bloco é 7.800 rpm e o ronco, perto dessa faixa, lembra o de um bólido de Fórmula 1. E o isolamento acústico do 911 não faz questão nenhuma de esconder essa barulheira, que para alguns soa como uma sinfonia.

O câmbio deste Porsche é a transmissão mais avançada que a "marca de Sttugart" já criou. Trata-se da caixa PDK (sigla para um nome alemão impronunciável) semi-automática com dupla embreagem e 7 velocidades – a marca não vende no Brasil o modelo mecânico. Para quem não sabe, esse é um recurso que torna as trocas de marcha extremamente rápidas, o que melhora o aproveitamento da força gerada pelo motor.

Correndo contra o tempo

Me apaixonei pelo 911 Carrera S na segunda curva do circuito. Me impressionou a alta velocidade com que o carro, de tração traseira, entrou na curva e não deslizou um único milímetro. “Ele não escorrega?” perguntei ao instrutor que me acompanhou no teste. “Tem que forçar muito mais do que isso. E outra, não vou deixá-lo abusar até este ponto”, respondeu meu bravo passageiro e guardião deste incrível carro de R$ 639.000.

A facilidade para controlar o carro é um dos pontos que mais me chamou atenção. É possível sentir no volante o quanto o 911 é equilibrado, seja em momentos de arrancada ou frenagens bruscas, que estanca o movimento do carro com enormes pinças de freio nas quatro rodas. Nas curvas sua estabilidade é assombrosa. Só há inclinação lateral quando a velocidade é realmente alta e, ainda assim, muito pouco.

A objetividade dos controles é outro destaque. O interior do 911 parece abraçar o motorista, tamanha ergonomia. A posição é justa, mas confortável. Ajudam ainda a proximidade de todos os comandos as mãos do condutor, como as borboletas para troca de marcha atrás do volante e os botões para escolha do programa de condução, que varia do pacato modo “Comfort” a animalesca função “Sport-Plus”, que realça as respostas de motor, câmbio e suspensão do 911, tornando-o ainda mais agressivo.

Nesse modo, a Porsche afirma que o Carrera S com câmbio PDK pode acelerar do 0 aos 100 km/h em apenas 4,1 segundos e atingir até 304 km/h. Está de bom tamanho para você?

Divulgação
911, o mito

O Porsche Carrera é um dos carros esportivos mais inconfundíveis do mundo. É um raro exemplo de um automóvel que pouco teve seu desenho alterado ao longo de sete gerações, mas que apresentou uma evolução mecânica e de desempenho mais espetaculares da indústria. O modelo também carrega muito tradição, como, por exemplo, a ignição do lado esquerdo do volante, um antigo “truque” que Porsche criou para sair mais rápido nas 24 Horas de Le Mans no tempo em que a largada era dada com os pilotos ainda fora do carro. O termo 911, aliás, nem é nome certo do carro. A numeração, usada na primeira geração, ficou tão famosa que nunca deixou de ser usada. A sétima geração, só para esclarecer, se chama, oficialmente, 991.

Considerações finais

Agora de volta aos boxes e com o carro parado me atenho aos seus detalhes, que não são poucos. Sabia que o 911 tem até pontos Isofix para fixação de cadeirinhas? Eles ficam nos minúsculos bancos traseiros, feitos apenas para levar pequenos objetos ou crianças pequenas. O acabamento é tão bonito e impecável quanto o de um modelo de alto luxo da Mercedes-Benz ou BMW e a marca oferece uma infinidade de combinações de cores e materiais de decoração para a cabine. Cada unidade do carro pode ser feito de acordo com o gosto do abastado cliente.

Noto também que o teto mais baixo deixou a sétima geração do 911 mais parecido com os primeiros modelos da série, que remontam dos anos 1960. É de fato um carro bonito de uma ponta a outra. Torná-lo mais chamativo depende da cor, que também conta com infinitas possibilidade de tonalidade – o comprador pode criar uma cor nova, se quiser.

Ao final desta avaliação, no entanto, comecei a me decepcionar um pouco com meu trabalho. Estando aqui e ganhando o que ganho, dificilmente terei um 911 tão cedo...

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