Coreanos: ter ou não ter?

Conheça cinco razões para comprar um carro da Hyundai, Kia e SsangYong e veja outros cinco motivos para (ainda) não levá-los para casa

Rodrigo Mora | 22/2/2011 09:02:00

Vale a pena partir para um coreano

Repare na garagem do vizinho, dos amigos ou dos familiares. É bem provável que você conheça alguém que tenha um carro coreano. E se não tem, pensa em ter. Tímidos por aqui até a década passada, os veículos da Hyundai, Kia e Ssangyong têm conquistado clientes vindos, em sua maior parte, das marcas norte-americanas e japonesas – e, mais raramente, até das alemãs.

Verdade seja dita, o desejo pelos coreanos – que parece não ser passageiro – foi iniciado pela Hyundai, que começou a vender Tucson e Azera por preços irresistíveis. O grupo CAOA (representante da marca por aqui) passou a comercializar o sedã por valores que variavam de R$ 70.000 a R$ 80.000, quando o preço cobrado pelos concorrentes, menos potentes e equipados, nunca era inferior a R$ 85.000. Fato é que os coreanos viraram a cabeça do brasileiro, encantado com a oferta abundante de equipamentos aliada a preço convidativo e, mais recentemente, pelo belo design de seus novos modelos. A co-irmã Kia aproveitou o embalo e vem despejando uma enxurrada de novidades por aqui. Mas o que atrai o consumidor para um carro coreano? Por outro lado, o que joga contra esses modelos trazidos do outro lado do mundo? Veja a seguir.

Fonte: montadoras

Cerato custa o mesmo, mas oferece muito mais itens

O primeiro fator que levou aos 164.114 emplacamentos de coreanos em 2010 foi a relação custo-benefício. Veja o caso do Kia Cerato. Assine um cheque de R$ 53.400 e leve para casa um carro com câmbio de seis marchas, motor de 126 cv, airbag duplo, volante com comandos do rádio, entre outros itens. O Honda City na versão de entrada DX, com motor de 115 cv bicombustível custa R$ 53.620 e nem rádio traz. Embora modelos como o Sonata e ix35 não sejam exemplos de relação custo-benefício, vale lembrar que se tratam de lançamentos, e que seus preços tendem a cair. “O cliente entra na nossa loja buscando custo benefício. Ele quer um pacote interessante de equipamentos, por um preço atraente”, atesta um vendedor da CAOA Ibirapuera. Sua percepção é confirmada por Danilo Moraes, dono de um Kia Cerato 2010 automático. “Achei interessante o valor pelos recursos e acessórios que ele tem”, diz o empresário paulista.

Fotos: Divulgação

Coreanos têm ditado as tendências atualmente

Ok, o Azera é o conservadorismo sobre rodas, mas levante a mão quem não torceu o pescoço quando viu os Hyundai Sonata e ix35 pela primeira vez na rua. E se encantam por fora, também conquistarão quem compra carro de dentro pra fora. O acabamento já alcançou o nível dos japoneses, mas vão além com ousadia e novas cores e texturas. O investimento em design de ambas, que lá fora fazem parte do mesmo grupo, é uma das prioridades. Tanto é que a Kia foi buscar na Audi seu designer. Peter Schreyer virou quase celebridade por conta de suas plásticas em Cerato e Sportage, além da originalidade do Soul. E esperem até a chegada do Optima. Até a Ssangyong, que sempre foi criticada pelo exotismo do Actyon, promete melhorar sua relação com o público após a chegada do Korando, marcado para estrear por aqui em março.

Fotos: Divulgação

Hyundai vende até mesmo sedãs tão sofisticados quanto os alemães

Ter um coreano não é o mesmo que estacionar na garagem Audi, BMW ou Mercedes-Benz. Mas dá mais status que muita marca instalada no País há tempos. Talvez pelo fato de nenhuma das marcas ter um carro popular – com exceção do Picanto. Mesmo quem já tem certa idade confere uma imagem diferente ao seu dono. “O Tucson tem um certo status, porém por ser um modelo ultrapassado dá impressão de que um dia foi carrão", analisa o executivo de vendas Gustavo Veiga.

Fotos: Divulgação

Motores de injeção direta e diversos sistemas de segurança são comuns nas versões de entrada

O novo motor de injeção direta de combustível da Hyundai ainda não chegou ao Brasil, mas a maior parte de seus carros está à frente da concorrência. Veja o Sonata, por exemplo. A versão comercializada por aqui tem bloco de 2.4 litros, de alumínio, que rende 182 cv. O Chevrolet Malibu, com a mesma litragem, chega a 171 cv. No quesito segurança, são oito airbags e freios com EBD (distribuição eletrônica de força), além do controle de estabilidade. Falando em segurança, o Kia Sportage tem, por exemplo, encostos de cabeça dianteiros ativos, que amenizam o estrago no caso de impactos frontais ou traseiros. Até mesmo o câmbio automático de apenas quatro velocidades do Cerato (que na linha 2011 ganha duas marchas) consegue agradar: “me surpreendeu, não esperava que fosse tão econômico”, explica Moraes. A satisfação, no entanto, não é total.  “Esperava que fosse um carro silencioso, pois prezo muito esse quesito. Mas me decepcionei com o barulho interno e por não ser tão macio”, completa o empresário.

Fotos: Divulgação

Para facilitar importação, Hyundai só oferece poucas opções de cores

Aqui começam as desvantagens dos coreanos, que são inflexíveis em alguns sentidos – o primeiro deles é justamente a falta de motor flex. Exceto pelo Soul (já à venda) e o Cerato (que chega em breve), nenhum outro veículo trazido da Coréia do Sul tem motor bicombustível. O Tucson ameaça tê-lo faz algum tempo, mas até agora, nada. Outro problema é uma paleta de cores um tanto “triste”. A Kia ainda tem várias cores interessantes, como vermelho, amarelo, cinza, azul, marrom, laranja. Já no show-room da Hyundai, você pode escolher qualquer cor, desde que seja preto ou prata.

Fonte: Tabela FIPE

Valor de revenda já foi ruim, mas hoje começa a igualar japoneses

E na hora de vender um coreano? Uma pesquisa rápida no site da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostra que, em geral, esses carros desvalorizam mais que os japoneses. Ao tirar da concessionária um Honda Civic ou um Toyota Corolla, você perde, de cara, algo em torno de 8%. No caso do Kia Cerato, essa perda sobe para 14,3%. Já o i30, disparado o mais bem sucedido carro do segmento, é o que sofre menos desvalorização após um ano de uso: 13,8%, contra 13,9% do Ford Focus, 15,1% do Chevrolet Vectra e 20,9% do Peugeot 307.

O prazo de entrega ainda não é mesmo das montadoras instaladas aqui, obviamente. Mas também não é tão longo, como já foi um dia. A Hyundai pede dez dias para entregar carros que estão no seu pátio, em Anápolis (GO). Na pior das hipóteses, serão 15 dias úteis, caso das versões mais específicas e menos comercializadas. Já a Kia é um pouco mais rápida, e promete entregar seu modelo após três dias, contados após a data de faturamento. Dependendo do modelo, no entanto, esse período é bem maior. Quem comprar o novo Sportage hoje vai recebê-lo daqui a 120 dias. 

Foto: Kia

Preços altos e falta de estoque têm dado dor de cabeça aos clientes

Prepare o bolso para os reparos. O para-choque traseiro de um i30 sai por R$ 585, enquanto o dianteiro custa R$ 740. Se você tivesse um Ford Focus, seu maior rival em vendas, gastaria R$ 850 e R$ 790, respectivamente. Até aí, vantagem para o Hyundai. Mas ai de você se tiver um farol trincado, que lhe custará R$ 853. O do Focus, por exemplo, sai R$ 730. E se o problema for na lanterna, a diferença é maior: R$ 743, contra R$ 375 do Ford. Numa concessionária Honda, o cliente sai menos pobre. O para-choque dianteiro sai por R$ 461,37, o traseiro R$ 455,61, enquanto farol e lanterna saem por R$ 625 e R$ 303, respectivamente.

Fonte: montadoras

Para importadoras, a quantidade de pontos de vendas é bom, mas longe dos níveis das marcas tradicionais

Além das peças mais caras, há menos concessionárias disponíveis pelo País. Enquanto Volkswagen, General Motors, Fiat e Ford se espalham pelo Brasil com, respectivamente, 617, 596, 565 e 510 pontos, as coreanas ficam bem atrás. A Hyundai lidera com 176 concessionárias, enquanto a Kia tem 144 e a SsangYong, 41. Esse panorama é ainda mais preocupante quando consideramos que ainda não há, na prática, revisões com preço tabelado. A Kia promete viabilizar o benefício ainda este ano. Já a Hyundai diz que tem, , mas há relatos de concessionárias que não têm respeitado o programa. Dessa maneira, a garantia de cinco anos se transforma, passando de diferencial para pesadelo.

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