Cota de carros do México já foi esgotada

A partir de agora veículos importados do país terão de pagar 35% de imposto; situação pode se tornar inviável para montadoras

Thiago Vinholes | 27/11/2012 10:50

Foto: Nissan Ampliar

Nissan March foi o maior prejudicado

A cota de importação de automóveis fabricados no México isenta de imposto, prevista até março do próximo ano, já se esgotou. Segundo aponta a Agência Estado, veículos trazidos do país na América Central já têm de pagar Imposto de Importação de 35%, o que pode tornar inviável sua venda no mercado brasileiro, uma vez que as montadoras não devem repassar o valor da taxa ao valor sugerido dos produtos importados.

A limitação de importação de carros mexicanos está prevista no novo acordo automotivo, que visa equilibrar a balança comercial entre os países, hoje bastante negativa para o Brasil – antes da nova regra Brasil e México importavam e exportavam automóveis entre si livremente sem a cobrança de taxas de importação.

O intuito do novo programa é incentivar a produção no País e priorizar o comércio de carros produzidos na indústria nacional, que têm a vantagem de preços mais baixos. E o setor, prevendo queda nas vendas, já começou a se movimentar. A Ford, por exemplo, já confirmou que produzirá o novo Fiesta hatch em São Bernardo do Campo (SP) e trará do México somente a versão sedã, que menos procura. Já a Nissan, a maior importadora de carros mexicanos, vai inaugurar uma nova fábrica em Resende (RJ) em 2014, onde produzirá ao menos dois dos quatro modelos hoje trazidos daquele país.

A situação da marca japonesa é uma das mais delicadas. A empresa foi forçada a suspender em outubro as importações dos modelos March, Versa, Sentra e Tiida, o que gerou uma enorme fila de espera, especialmente para o compacto March, hoje o carro mais vendido da Nissan no Brasil. A fabricante voltou a trazer os produtos somente em meados de novembro e já fora da cota, o que também obrigou a montadora a repassar o imposto para o valor final dos veículos – os aumentos ficaram entre 2% e 5%.

Segundo o presidente da Nissan, Christian Meunier, se o imposto fosse repassado integralmente, os preços subiriam 10%, mas a fábrica e as concessionárias estão arcando com os custos extras, como revelou a agência. A cota da montadora é de US$ 239 milhões, o equivalente a 35.000 veículos – o montante estourou em apenas 3 meses.

A Honda é outra empresa duramente afetada pelo novo sistema. Com cota de US$ 40,2 milhões, decidiu que só voltará a trazer o utilitário-esportivo CR-V a partir de março, quando entra em vigor nova cota por mais 12 meses.

Já a Fiat reajustou os preços dos modelos 500 e Freemont e optou, desde o início, por mesclar parte da importação dentro da cota e parte pagando o Imposto de Importação. A marca tinha direito a importar US$ 173,8 milhões (cerca de 18 mil carros). A General Motors, que também traz veículos do México, congelou os planos de trazer ainda este ano o utilitário-esportivo Trax, que competiria com o novo Ford EcoSport.

Bom para o México, ruim para o Brasil

A decisão de impor cotas de exportação partiu do governo brasileiro, insatisfeito com o aumento das importações do México, país com o qual tem acordo de livre comércio no setor automotivo. Em 2011, a balança comercial foi negativa em US$ 1,54 bilhão para o Brasil. Desde o estabelecimento do contrato que vale para os dois países, o Brasil exportou US$ 232,6 milhões, o que resulta em déficit de US$ 1,15 bilhão no período.

De 2000 a 2007, o saldo foi positivo para o Brasil. A reversão ocorreu em 2008 e, desde então, o déficit só cresce e mais que dobrou de 2010 para 2011. A cota para 2013 é US$ 1,56 bilhão, vai a US$ 1,64 bilhão em 2014 e volta o livre comércio em 2015, mas o México quer mudar essa regra.

Desde abril, quando a restrição efetivamente entrou em vigor, foram importados US$ 1,387 bilhão em veículos, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A cota prevista até março de 2013 é de US$ 1,45 bilhão, ou seja, a diferença de US$ 63 milhões foi atingida neste mês.

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