Saiba quais são as marcas com as linhas de carros mais novas

iG fez levantamento exclusivo com as principais montadoras do país e aponta a idade média de seus veículos

Ricardo Meier | 21/12/2012 12:05

Foto: Montagem Ampliar

Qual marca tem a linha mais renovada?

Você comprou um carro novo este ano? Linha 2013? Ele traz algum termo “new” ou “novo” em seu nome? Pois isso pode não significar nada na prática. Seu modelo pode ser um velhinho botocado, cujo rosto tem poucas rugas, mas os órgãos já estão na estrada faz tempo.

Determinar a idade de um veículo, sobretudo no Brasil, é uma tarefa difícil. Uma suposta “nova geração” pode esconder centenas de componentes de outros modelos mais velhos ou mesmo um projeto realmente inédito acaba carregando algumas peças vindas de seus antecessores que ainda são eficientes. Na outra ponta da corda, temos modelos bem antigos que receberam tantas mudanças ao longo dos anos que o que resta é apenas sua carcaça original.

Quer exemplos disso? O Agile, da Chevrolet, na aparência é todo novo, mas há muitas peças vindas do primeiro Corsa, aquele de 1994. Já o Mille, que chegou ao Brasil tinindo de novo em 1984 permanece praticamente o mesmo no visual, porém, motores, câmbio, acabamento e outros equipamentos foram trocados nessas quase três décadas.

O fato é que no mundo ideal uma geração de automóvel deve durar em torno de sete anos, com uma reestilização na metade desse tempo. Algumas marcas, sobretudo as de luxo, obedecem essa regra à risca, assim como os japoneses em alguns segmentos. Coreanos e chineses anda são mais “apressados” e têm apresentado modelos completamente novos em intervalos de até cinco anos.

No Brasil, uma série de fatores fez com que alguns modelos permanecessem no mercado por muitos anos, bem além do que seria razoável. Sem dúvida, o símbolo dessa situação é a Kombi. O utilitário da Volkswagen começou a ser importado para o Brasil em 1950 com uma receita pouco diferente da vista hoje em dia. Desde então, poucos concorrentes tentaram superá-la, mas sem sucesso. Agora, com a exigência de airbags e ABS em 2014, a “velha senhora” deve ter seu descanso, enfim.

Mas, afinal, como determinar a idade média dos modelos das principais marcas que atuam no Brasil? iG decidiu enfrentar esse desafio e aponta aqui quais são as montadoras com as linhas de carros mais atuais entre as doze mais vendidas em 2012. O critério utilizado foi o do ano de lançamento do modelo que mudou ao menos sua carroceria de forma significativa, ou seja, que de alguma forma mudou a experiência a bordo a ponto de funcionar como um modelo novo.

Citroën
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Não é à toa que a Citroën superou em vendas sua irmã Peugeot no Brasil. A marca francesa tem renovado sua linha com frequência e em 2012 substituiu seu modelo, até então mais antigo, o C3. Além disso, introduziu uma nova família de luxo, a DS, que ajudou a reduzir sua média de idade para apenas 2,1 anos por modelo. Hoje, seu carro mais antigo é o C4 Pallas, que está há cinco anos no mercado, o que é pouco para o padrão nacional. Ainda assim, seu sucessor deve aparecer em breve por aqui.

Hyundai
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Embora tenha estreado oficialmente em outubro com um produto nacional, a Hyundai é ainda um marca muito dependente de importados. A exceção, além do HB20, é o Tucson, montado em Goiás e que nessa análise acabou tirando o primeiro lugar da marca já que tem sete anos de vida e foi substituído no exterior pelo ix35. A situação vai melhorar em 2013 com a renovação do i30 e do Santa Fe.

Honda
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A Honda é uma das poucas marcas que segue à risca a renovação da sua linha. Como seus produtos estão alinhados globalmente, dá até para projetar quando um modelo ganhará nova geração. É o caso do Fit, hoje seu veículo mais “idoso”, com apenas quatro anos. Seu sucessor deve aparecer em 2013 e as vendas no Brasil teoricamente começariam em 2014 – seis anos depois do atual.

Chevrolet
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A Chevrolet é um caso único em 2012. A montadora havia ficado anos sem conseguir lançar novos produtos até que um plano ambicioso prometeu renovar seu portfólio por completo, algo realmente difícil de imaginar. A fabricante, de fato, ainda tem modelos antigos à venda, como o Classic e o Celta, mas conseguiu a façanha de lançar uma dezena de veículos novos num curto espaço de tempo. Para se ter uma ideia do impacto disso, a GM tinha uma média de idade de 7 anos em seus modelos no ano passado, quase quatro vezes o valor atual.

Toyota
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Se levássemos em conta apenas os veículos de passeio da Toyota, sua média por modelo seria de apenas um ano – a marca renovou o Camry e lançou o Etios hatch e sedã este ano. Mas a inclusão de seus utilitários fez sua média subir para 3,4 anos, um número bom ainda. A razão é que utilitários demoram mais para mudar de geração e a Hilux, que está há sete anos no mercado, pesou na conta. O RAV4 também já anda velhinho, mas deve ajudar a reduzir esse índice em 2013 com a chegada da nova geração.

Nissan
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Uma curiosidade: a Nissan obteve o mesmo índice que a Toyota – 3,4 anos. Isso porque também tem sete modelos à venda no Brasil (se eliminarmos o Tiida Sedan) e com uma soma de idade idêntica, de 24 anos. A diferença é que seus carros são mais contemporâneos uns dos outros. O mais velho é a picape Frontier, que chegou ao país em 2006, importada da Espanha numa primeira fornada. Os mais novos são o March e o Versa, a dupla mexicana que fez suas vendas explodirem e que têm apenas um ano de mercado.

Peugeot
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Ao contrário da Citroën, a Peugeot não conseguiu uma média baixa de idade em nossa análise, mesmo com vários modelos novos. Nos últimos dois anos, foram lançados o 408, o 308, 508, 3008, RCZ, sem falar na picape Hoggar, em 2010. O problema é que o 207 e a Partner elevaram sua média significativamente. Os dois são de 1999 e aí vale uma explicação para o hatch. Seguindo nossos critérios, o 207 não passa de um 206 reestilizado, que ganhou frente redesenhada e painel novo, mas que continua com a mesma carroceria e seus problemas de espaço. A chegada do 208, este realmente novo, deve melhorar a posição da Peugeot em 2013.

Ford
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Marcas tradicionais tendem a ter uma média de idade mais alta. Isso só não aconteceu com a GM devido à já explicada renovação relâmpago da sua linha. Já a Ford está numa entressafra e por isso sua média, de 4,3 anos, não é das melhores, mas deve baixar no ano que vem assim que o Focus III for lançado.  E para 2014 a saída de cena do Ka também vai contribuir para que seus carros sejam em média muito novos. Por enquanto, a velha Courier contaminou seu resultado, assim como o Fiesta de Camaçari, há 10 anos no mercado. Mas a chegada da nova Ranger, do Fusion e do EcoSport já ajudou muito.

Mitsubishi
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Com 4,5 anos de média, a linha de veículos da Mitsubishi poderia ser mais nova não fosse o TR4. O pequeno SUV ganhou um facelift caseiro em 2009 que melhorou bastante o carro, mas não mexeu em seu projeto, que oferece, por exemplo, cinzeiro no cockpit, sintoma da idade do veículo. Por outro lado, os novos ASX e Lancer deram um ar de frescor para a marca japonesa.

Renault
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Mesmo sendo uma marca “new comer”, ou seja, daquele grupo que se instalou no Brasil na década de 90, a Renault se parece mais hoje com as montadoras tradicionais: mantém seus produtos por muito tempo no mercado, preferindo reestilizações a trazer produtos inéditos. A exceção foi o Duster, que chegou no ano passado. Mesmo a dupla Logan e Sandero já está no fim da vida útil, com cerca de seis anos de mercado. Os “vilões” da idade alta da Renault, no entanto, são mesmo o Kangoo e o Clio, ambos de 1999. O compacto até ganhou cara nova, mas segue com a mesma receita original de treze anos atrás.

Volkswagen
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A Volkswagen vive um paradoxo no Brasil. Enquanto os modelos importados da Europa, México e mesmo Argentina têm, em média, apenas 2,3 anos de idade, os veículos produzidos no Brasil possuem uma idade média assustadoramente alta, de 13,8 anos. É mais que claro que a fabricante alemã precisa investir em novos produtos nacionais, coisa que deve ocorrer dentro de alguns anos. A família “Gol G5” já ajudou a baixar esse dado, mas restam vários modelos velhos – Gol G4, Fox, Polo, Parati e, claro, o que mais contribui para esse resultado ruim, a Kombi, que teve reestilização, ganhou motor moderno, mas permanece com a mesma solução oferecida há 56 anos.

Fiat
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O último lugar entre as 12 marcas mais vendidas não deixa de ser um termômetro para o consumidor. O brasileiro compra muito carro antigo, em primeiro lugar porque são os mais baratos e também por aquela desconfiança de que modelos novos podem dar problema e serem caros de manter. Isso explica a longa carreira de automóveis como o Palio Fire (derivado do original de 1996) e sua família – Siena, Palio Weekend e Strada. Todos passaram por várias “cirurgias estéticas” nos últimos anos, para se manterem atuais, mas sem nunca deixar o projeto original. Já o Mille, hoje o modelo mais antigo, de longe, na Fiat, é um caso curioso. Surgiu em 1984 como o mais moderno

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Veículos mais vendidos - junho de 2014

Pos. Modelo Vendas
Fiat Palio 14.080
Volkswagen Gol 13.167
Chevrolet Onix 10.993
Ford Fiesta 10.701
Fiat Strada 10.561
Hyundai HB20 9.528
Fiat Siena 8.544
Fiat Uno 7.580
Chevrolet Prisma 7.219
10º Volkswagen Voyage 6.953
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