Com preço inicial de R$ 220.000, caminhão chega para manter crescimento da Ford no segmento






Por Nícolas Tavares

Ok, mercado de caminhões caiu 47,7% em 2015, a Ford  comemorou (dentro do possível) seu resultado no ano. Foi a que menos recuou entre as marcas tradicionais, com uma retração de 34,1%, e aumentou a sua participação para 18%, assumindo a liderança em alguns segmentos como dos leves e semileves.

Mas só isso não basta. “As outras marcas estão revendo investimentos, mas nós não. Acreditamos que esse é o momento em que devemos investir para manter o público”, explicou João Pimental, diretor operacional da Ford Caminhões. Os esforços foram voltados para a nova linha TorqShift, equipada com o câmbio automatizado feito pela Eaton.

“Utilizar o câmbio automatizado traz uma série de benefícios, entre economia de combustível, menor custo de manutenção, aumento de vida da embreagem e menos fadiga para o motorista”, afirma o chefe de engenharia João Filho. É uma aposta grande. A Ford acredita que, até 2023, 75% dos caminhões à venda serão automatizados. No segmento dos extrapesados, a adoção deve ser de 100%.

A estreia do TorqShift é na linha Cargo, em seis modelos diferentes: C-1723 , C-1723 Kolector , C-1729R , C-2429 6x2 , C-1729 T e C-1933 com suspensão a ar. A transmissão está disponível na versão de 16 marchas, para o pesado 6x4 C-1933 e 10 marchas para os demais.

Não é uma cilada, Bino

Dirigir um caminhão automatizado fica tão fácil que qualquer um consegue fazê-lo. Tive a oportunidade de guiar C-2429 6x2 no campo de provas da Randon, em Farroupilha (RS). É um percurso pequeno, de aproximadamente sete minutos, em um ambiente totalmente controlado, mas suficiente para criar uma impressão de como o câmbio funciona.

A primeira sensação, logo que entramos na cabine, é que iremos dirigir um carro da Ford equipado com o PowerShift – culpa da alavanca do câmbio, que é a mesma. A diferença é que existe uma posição a mais chamada “Low”, para descidas. Um instrutor acompanhou o percurso e explicou o funcionamento do caminhão e da transmissão. Após as primeiras dicas, hora de dirigir.

O motor 6.7, de 290 cv, começa a empurrar o caminhão para frente, usando seus 96,9 kgfm de torque com vigor. O TorqShift está programado para que, caso a aceleração esteja em até 90%, faça as trocas de marcha a 1.800 rpm, visando economizar combustível. A saída é tranquila e vamos seguindo até a rampa, local de teste do assistente de partida em rampa. Paro o caminhão e aguardo o sinal do instrutor. Ele manda tirar o pé do freio e, imediatamente, pisar fundo. O pesado não desceu nem um centímetro e logo começou a escalar lentamente, mas com confiança – algo impressionante, considerando que carregava uma carga de aproximadamente 11 toneladas.

Infelizmente, não foi possível testar uma das atrações do modelo: o piloto automático inteligente. Segundo a Ford, quando programamos uma velocidade e o caminhão chega a uma subida, ele vai reduzir as marchas e seguir em frente. A diferença é na saída da rampa. Outros caminhões iriam exigir que o motorista assumisse o controle novamente, enquanto os modelos com o TorqShift voltam a acelerar automaticamente até a velocidade determinada pelo piloto automático.

Tudo o que sobe tem que descer, e foi nesse momento que usamos a função “Low”, criada para maximizar o freio motor e minimizar o uso do pedal de freio. Logo após a descida, aproveitei para mudar para o modo manual. As trocas são feitas por meio de botões na lateral esquerda do câmbio. Não foi tão empolgante, já que o caminhão não subiu a marcha como comandado em uma das vezes.

O trecho final foi uma longa reta, momento de pisar fundo. Quando o acelerador está pressionado até o final, o “Kickdown” entra em ação, e as trocas passam a ser feitas a 2.300 rpm, aproveitando o máximo do motor. O câmbio responde rapidamente e não fica confuso como o PowerShift. Se eu fiquei empolgado, imagine a reação de um caminhoneiro que passou a vida dirigindo com uma transmissão manual.

Foi uma volta muito rápida com o C-2429 , no entanto, foi o suficiente para entender porque a Ford tem tanta fé de que o TorqShift irá ajudá-los em um período de crise. O preço inicial de R$ 220.000 está, teoricamente, abaixo da concorrência. Na teoria, pois valores de caminhão variam muito mais do que os de carros e não podem ser tabelados, pois cada motorista demanda uma configuração. Deixei o caminhão com a convicção de que, se um dia tiver que ser caminhoneiro, meu trabalho vai ficar muito mais agradável se conseguir um veículo desses.

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