Crossover é grande, custa R$ 167.990 e, ainda assim, passa a sensação de que vale cada centavo gasto


Por Nicolas Tavares

Existe uma grande diferença entre o original e a imitação. Enquanto alguns tentam misturar tipos de carros, a Subaru  mostra todo o seu conhecimento na criação de um crossover com o Outback , a combinação de utilitário esportivo com perua. O modelo é vendido em versão única, por R$ 167.990.

Logo que vi o Outback de perto já fiquei animado ao notar que ele pende muito mais para o lado perua do que para o SUV. Longo, mede 4,817 metros, 25 cm mais do que um Volkswagen Golf Variant , só que andando mais alto, 213 mm em relação ao solo. Mas essa animação é algo que apenas quem gosta um pouco mais de carros vai sentir. E o design sóbrio desse Subaru não chama atenção do público médio.

Tem espaço, bons equipamentos e acabamento. Só faltou o GPS.
Divulgação
Tem espaço, bons equipamentos e acabamento. Só faltou o GPS.

Com todo esse tamanho, o interior mostra espaço de sobra para adultos em todos os bancos, com bom espaço para pernas. Os bancos, de couro, são confortáveis e bonitos de se ver, embora o encosto para cabeça não seja muito bom para os mais baixinhos (como eu). Espelhos ajustados, noto como a visibilidade traseira é ótima e ampla.

Antes de começar a dirigir, fui mexer no GPS, aproveitando para testar sua eficácia em me mostrar o caminho de volta para a redação. Só que a central multimídia não tem recurso de navegação, uma baita bola fora para um carrão que passa dos R$ 150 mil. O jeito foi sincronizar com o celular para ouvir as instruções do Waze pelo som do carro. Ao menos a Subaru já corrigiu isso lá fora na versão 2016, o que significa que deve pintar por aqui em breve. 

Com centro de gravidade mais baixo, o motor boxer ajuda a deixar o carro mais ágil e silencioso
Divulgação
Com centro de gravidade mais baixo, o motor boxer ajuda a deixar o carro mais ágil e silencioso


Boxer, com muito orgulho

Equipado com o 3.6 boxer, de 256 cv, o Outback é rápido. Tudo bem, não chega a ser um estouro, mas é impressionante para um crossover de 1.675 kg. O dado de fábrica diz que ele leva 7,6 segundos para ir de 0 a 100 km/h. O câmbio CVT ajuda muito, programado para simular seis marchas. É esperto nas trocas e dá para usar as aletas atrás do volante para uma tocada mais animada. Pise fundo e o Outback responde com uma agilidade que chega a empolgar por alguns instantes. 

Como o público que compra SUVs costuma passar mais tempo nas trilhas dos shoppings do que na estrada de terra,  procurei anotar mais em ver como esse Subaru se sai nas piores situações do dia a dia.

O lado ruim de ser um crossover com genes de perua é o comprimento: 4,81 metros!
Divulgação
O lado ruim de ser um crossover com genes de perua é o comprimento: 4,81 metros!

A primeira parada é um centro de compras. Como é longo demais, tive andar um tempo até encontrar uma vaga capaz de conter o Outback sem que atrapalhasse a circulação, além de ter que manobrar com mais cuidado na hora de sair. Felizmente, o carro vem equipado com câmera de ré. Outro lado bom desse tamanho todo é que o porta-malas tem capacidade para 690 litros.

De volta às ruas, decidi encarar uma subida bem inclinada. Como é de praxe no segmento, o carro conta com assistente de saída em rampas, evitando que o veículo recue ao tirar o pé do freio. Bastou pisar um pouco no acelerador que a tração integral jogou os 35,7 kgfm de torque direto nas quatro rodas e o Outback subiu com facilidade, mesmo com o asfalto molhado e a chuva quase torrencial que caía. Se a situação apertar, é possível acionar o X-Mode, que modifica as configurações para fazer o carro manter a tração em situações como lama e areia.

Dá para encarar qualquer coisa com o Outback sem desconforto
Divulgação
Dá para encarar qualquer coisa com o Outback sem desconforto

Toda a experiência adquirida pela Subaru no mundo dos ralis aparece no ajuste da suspensão. É macio o suficiente para encarar qualquer buraco, valeta ou rua de paralelepípedo, porém não fica molenga nas curvas, mantendo a inclinação da carroceria sob controle. E, como é alto, consegue passar pelas lombadas mais altas sem que precise reduzir até 2 km/h e atravessar na diagonal.

Não há como negar que guiar o Outback foi uma bela experiência. Tudo bem que ele comete alguns poucos erros, como a central multimídia mais pobre do que a de um carro de entrada completo. Mas, em contrapartida, vem com um belo motor boxer capaz de garantir boa agilidade em qualquer situação. Além disso, esse Subaru é uma espécie rara de se ver nas ruas do Brasil, onde os SUVs conquistaram boa parte da preferência do público quando o assunto é carro familiar.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.