Picape topo de linha arrasa no design, mas precisa de ajustes, principalmente para reduzir os níveis de vibração de e ruído

Não há como negar. A Toro é de encher os olhos.  Dando uma olhada geral em torno do carro fica claro que fizeram mesmo um bom trabalho no departamento de design da Fiat quando projetaram essa picape. As linhas arrojadas chamam bastante atenção e dão o aspecto esportivo, moderno e jovial que esse tipo de carro precisa.

Mas se você vai rodar a maior parte do tempo no trânsito pesado das grandes cidades é melhor pensar duas vezes antes de levar alguma versão a diesel para casa.  Tanto o nível de ruído quanto o de vibração no interior incomodam no dia a dia pelo o que deu para notar depois da avaliação da versão mais cara da linha, a Volcano , movida a diesel, com tração integral e câmbio automático de nove marchas, cotada em R$ 116.500, ante os R$ 76.500 da flex mais em conta.

Basta pisar no freio no anda e para dos congestionamentos para amplificar o treme-treme que se espalha por todo o painel, volante e até nos bancos. Claro que essa tremedeira é comum nos carros a diesel, mas até certo ponto, principalmente quando estamos falando de um modelo que pode atingir R$ 130.772 com a inclusão de todos os opcionais. Uma dose extra de isolamento acústico e de materiais que consigam manter o interior mais confortável é um ponto a ser revisto.

O que também deve receber ajustes é a “conversa” do  motor 2.0, turbodiesel, de 170 cv e bons 35,7 kgfm de torque a meros 1.750 rpm, com o câmbio de nove marchas. As trocas parecem lentas demais, não aproveitando a força que já está disponível desde as primeiras marcações do conta-giros. Mesmo pisando de leve no acelerador, o ponteiro só muda de segunda para terceira depois dos 2.500 rpm. Além disso, mesmo a 100 km/h, em estrada, quando poderia usar todas as marchas disponíveis, custa a sair da quinta, mantendo o giro acima do ideal, prejudicando o consumo e aumentando o ruído (olha ele aí de novo).

Se o conjunto mecânico da Toro a diesel precisa de ajustes, o mesmo não acontece com a suspensão, com acerto perfeito. Consegue absorver bem as irregularidades do piso, passando incólume por todo o tipo de obstáculos pelo caminho (valetas, lombadas, rampas, buracos), sem causar solavancos. Ao mesmo tempo, contribui com a estabilidade nas curvas e ajuda a transmitir uma sensação de segurança tanto nas frenagens quanto nas acelerações.  

Porém, eis que surge mais um incômodo: o raio de giro. São 12,9 metros, ante apenas 10,7 m da rival Renaut  Duster Oroch. Na prática, as manobras no dia a dia ficam mais trabalhosas. É preciso ficar indo para frente e para trás até conseguir fazer a manobra completa. Para um carro que mede 4,91 m de comprimento, é algo a ser considerado. Em contrapartida, a direção com assistência elétrica facilita a vida, com boa leveza em baixa velocidade e firmeza nas altas. Só é preciso de acostumar com o volante de 18 botões.

Central multimídia da Fiat Toro
Divulgação
Central multimídia da Fiat Toro

Aliás, equipamento é que não falta à Toro Volcano, a diesel.  A lista é grande e inclui instrumentos personalizável de 3,5 polegadas em TFT (com relógio digital, calendário e indicador de temperatura externa), ESC (controle eletrônico de estabilidade), Hill Holder (auxiliar de partida em subidas) e rádio Connect com comando no volante, direção elétrica, fixação Isofix para cadeira infantil, vidros e travas elétricas automáticas (fecham a 20 km/h), sensor de estacionamento traseiro e revestimento de caçamba, entre outros. Mas bem que a Fiat também poderia oferecer também freio de estacionamento eletrônico com discos no eixo traseiro, como acontece com o Jeep  Renegade , modelo do qual a Toro é derivada.

Entre prós e contras, é bom considerar principalmente essa questão dos níveis de ruído e vibração acima do ideal, se a ideia é usar o carro no trânsito pesado do dia a dia, nas grandes cidades. Também leve em conta que, se  tiver que levar objetos largos na caçamba também vale observar que a tampa traseira bipartida não permite usar a largura  máxima do compartimento de carga. Para transportar uma moto ou bike, você vai precisar do extensor de caçamba, oferecido como acessório. Com ele, o volume de carga aumenta para 405 litros. 

E não espere um desempenho de tirar o fôlego. De acordo com números da fabricante, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em razoáveis 10 segundos, com máxima de 188 km/h. 

Ficha técnica

Motor : 2.0 turbodiesel, 4 cilindros                               Comprimento :  4,92 m

Potência: 170 cv a 3.750 rpm                                     Largura:   1,84 m 

Torque: 35,7 kgfm a 1.750 rpm                                   Altura:   1,74 m    

Câmbio : automático, 9 marchas, tração integral     Entre-eixos:   2,99 m

Peso: 1.871 kg                                                             Caçamba : 820 litros



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